segunda-feira, 26 de novembro de 2012

 
 
 
 
 
 
Edelweiss
 
Hoje tive um dia particularmente cheio de coisas boas: afetos, família toda reunida, sobrinhos e filhos (já são tantos quando se juntam!!), olhinhos a brilhar por todo o lado, e o dom da vida, celebrado mais uma vez, desta vez sob a forma de um aniversário que é só mais uma das infinitas maneiras que existem de agradecer por estarmos vivos! No final deste dia saboroso, tive ainda um toque de "canela" a adoçá-lo: uma ida ao cinema, que é um programa que adoro! Embora os bilhetes de cinema estejam exageradamente caros e existam cada vez mais formas de ver tudo o que vai estreando na tela, não há o que substitua uma ida ao cinema para absorver o escurinho, o som, a emoção, o "mergulho" que damos naquela história que nos preenche durante aqueles minutos.
Fui ver o "Aristides de Sousa Mendes, cônsul de Bordéus", um filme de João Correa e Francisco Manso. Confesso que só tinha ouvido falar neste cônsul, há cerca de 2 anos, creio, num programa de televisão em que se votava para eleger o melhor português de sempre... Dou cada vez menos importância à televisão, ou melhor, sou cada vez mais seletiva com aquilo que gosto de ver, mas lembro-me deste programa, onde se falava de uma série de personalidades da nossa história, mais remota, ou mais recente, e depois se elegia, por votação, aquela personalidade "eleita" pelo "público". Fiz logo a ligação direta para o "Schindler português", como aliás penso que é comum a quase todos os que viram também o filme "A lista de Schindler" (Steven Spielberg, 1993). 
Este tema da segunda guerra mundial é-me particularmente caro, não sei se por ter uma carga humana, dramática, verídica, muito grande, como se também por ter estado em Auschwitz, por ter passado por aquele portão de ferro, com letras também de ferro, que dizem "Arbeit macht frei" ( "o trabalho liberta"), por ter visto tudo aquilo, do alto dos meus 18, 19 anos... Lembro-me também de um outro filme, desta temática, que vi há muitos anos ("A escolha de Sofia", de Alan J. Pakula, 1982), do qual me lembro até hoje e através do qual me apaixonei para todo o sempre pelas interpretações da Meryl Streep... Enfim, pedacinhos disto e daquilo que me fazem ser sensível a este tema. E hoje lá esteve ele, retratado pela eloquência de um cônsul português à época, que contra tudo e contra todos resolveu agir pela sua consciência, obedecendo aos seus códigos mais sagrados de conduta e não se desviando daquilo que o faria sentir-se inteiro, completo e equilibrado: a ajuda genuína aos outros, de forma gratuita, forte e verdadeira. Fiquei outra vez enlevada pela história e apeteceu-me saber os nomes de todos e todas os muitos anónimos que também ajudaram, salvaram, milhares e milhares de pessoas. Acredito que nos nossos intímos, as sensações de orgulho e admiração incluam também, todos esses e essas (Irene Sandler, Maximiliano Kolbe, etc, etc, etc...).
Aqueles meus "neurónios saltitantes", fizeram logo uma ligação direta para uma flor, a EDELWEISS... Esta flor é típica da Áustria e Suíça e nasce nas montanhas rochosas dos Alpes, entre pedras frias e superfícies agrestes de difícil acesso. Tem raízes muito fortes e profundas, que lhe permitem resistir a temperaturas muito violentas. Nada do senso comum faria prever que uma criatura tão linda nascesse num sítio tão difícil, mas nasce e é, inclusivamente, o símbolo de um desses Países. Viram o filme, "A Música no Coração"?... A família Von Trapp foge dos nazis, pelos Alpes, ao som desta música (Edelweiss), que faz parte dos nossos códigos musicais!
Que bom poder ver pintas de cor no meio do negro! Que bom testemunhar a vida de ternura, afeto e verdade, nas suas formas mais genuínas, no meio da miséria humana! Que bom, que bom...
Bons cheirinhos!!!!
 


BOLHA (Arejada de conforto emocional...) E quando o dia foi hiper cansativo e sentimos que isso, mais o calor insuportável ...