terça-feira, 13 de novembro de 2012

 
 
BAIRRO DA CAVALINHA
 
Não tenho dúvidas absolutamente nenhumas que a infância cria matrizes na personalidade das pessoas que virão a determinar o que elaS serão no futuro... Este assunto "é a minha dama", pois está relacionado com tudo o que acredito em termos profissionais e também com a importância que atribuo a uma faixa etária que não pode ser considerada só como a "queridinha"... (sim, na INFÂNCIA os "meninos são tão queridos, tão pequeninos, tão fofinhos"... que a tentação, às vezes é não levá-los muito a sério... Ora, é na infância que os "imputs" mais importantes ficam impressos de forma vitalícia!). Por isto, dou tanta importância àquilo que faço, à relação que estabeleço com os Pais dos "meus" meninos, à necessidade que sinto de que percebam o meu trabalho, o saibam contextualizar, às dúvidas que têm, enfim, à necessidade de que o percebam esclarecidamente. Isto não invalida que haja exceções, distanciamentos e dificuldades com algumas pessoas, opiniões pré-definidas, colegas com quem não me identifico, etc, etc, etc... Mas quanto a isso, sem dramas! A vida é mesmo assim e já não tenho a ingenuidade de "querer mudar o mundo".
Isto veio-me à cabeça hoje, depois de ler o comentário que uma amiga de infância fez a um dos meus posts, em que se refere à minha/nossa infância comum, à forma como passávamos o tempo, às brincadeiras que tínhamos... Tenho a certeza absoluta que isto que vou dizer é comum a tanta e tanta gente da minha geração, tornando-as pessoas felizes e equilibradas e é por isso que não assumo esta reflexão como um exclusivo individual, mas é uma partilha de opinião acerca de algo que considero ter sido crucial para eu ser hoje a pessoa que sou!!!
A par de uma família feliz e equilibrada (matriz essencial para ter hoje uma noção de família como a que tenho!), onde vivia também uma avó materna muito doce e sempre presente, com uns Pais absolutamente decisivos para aquilo em que me tornei, com dois irmãos com quem podia experimentar o genuiníssimo amor e conflitos próprios de irmãos; pude BRINCAR!!! Pude andar na rua, pude lanchar sentada à soleira da porta, acompanhada de uma série de amigos do bairro, pude fazer "os deveres" (como dizíamos) a correr para ir para a casa da amiga vizinha, que era enorme (o tal "parque infantil" de que ela fala no comentário...), pude acompanhar a avó numa série de tarefas que ela tinha, pude voltar para casa e comer outra vez pão com marmelada que a avó tinha feito, pude, pude, pude. NAQUELE MEU BAIRRO DE INFÂNCIA, TUDO ACONTECIA..... Sei que a vida não é igual e esta nostalgia serve só para adocicar a recordação e nunca para a querer trazer de volta, pois assim, tornar-me-ia reaccionária e estaria fechada a tanta e tanta coisa boa que esta vida de agora também tem, mas posso recordar e querer, hoje, fazer "pedacinhos disto", mesmo que de outras formas reinventadas, mesmo que com outras logísticas, pressas e imediatismos... Posso dizer aos Pais dos "meus" meninos que não os "entupam" de atividades, que os deixem BRINCAR, que lhes contem histórias, que os deixem estar com os irmãos, que os levem a passear, que os deixem ter amigos fora da escola, à casa de quem possam ir, de vez em quando, dormir...
Assim, reinventaremos os nossos bairros de infância, criando pedaços de espaços e sítios mágicos, com gente também mágica, onde possamos estar!
E então, Ana, também concordo contigo quando dizes que  há "amizades que perduram" para além do tempo e que às vezes até são reavivadas por uma rede social que agora une as pessoas na distância, mas sabes, acredito que a nossa amizade teve um selo essencial: o da inocência das brincadeiras das crianças que tiveram... tempo!