terça-feira, 21 de março de 2017






CORAÇÃO-COISADO


Seremos eternamente diferentes na maneira que temos de lidar com alguns assuntos, mas percebo essas diferenças e leio-te com a fluência que o passar dos anos juntos me/nos dá. Não precisas de me dizer nada para que eu te leia. Faço-o porque te conheço como ninguém, por isso te adivinho opiniões e maneiras de estar e por isso te decifro olhares e expressões. Antecipo-os, percebes? E dou-lhes rumo, ou contexto, se quiseres. E esta minha capacidade de análise (inteligência emocional?) faz-me admirar-te nessa diferença que nos distingue, porque a sinto como complementar e não como fraturante. É como se essa diferença em tantas coisas, fosse um complemento de que o outro precisa para prosseguir, com outro olhar, com outra lente que o ajuda a ficar mais equilibrado, porque a ver melhor e porque o equilíbrio é feito de muitas verdades que se conjugam num trapézio (quase) perfeito.
Sim, eu preciso do teu equilíbrio da razão, do teu pragmatismo matemático e do teu sangue frio, como tu precisarás da minha emoção, do meu génio fácil que dá cor e tom variado (muito) às coisas e do meu temperamento muito expressivo.
Coisaste o meu coração, sim... há muitos anos. E ele, esse coração, faz-me dizer-te que ainda bem que somos diferentes, tão diferentes, mas tão maravilhosa e equilibradamente  complementares.
E aqui para nós, tens que reconhecer: tanta matemática sem um piquinho de emoção e expressão, que desgraça seria?
LUV U!!





quinta-feira, 16 de março de 2017





CHUPAR LIMÃO

(terrivelmente difícil, mas possível...)


Adorei, adorei, adorei este post. Por isso o partilhei no meu mural do Facebook e ando a conversar com ele desde ontem.
É maravilhoso. 
Falar sempre bem do pai (ou da mãe) aos filhos, quando os Pais são separados. Engolir a mágoa e a revolta e centrar a lente na ternura e na intimidade que sentiram naquele momento mágico em que aqueles dois corpos (e seres) se uniram, oferecendo ao OUTRO o mundo todo, que parava lá fora, enquanto se amavam.
Sim, claro que há momentos de união física que não são mágicos e há crianças que são concebidas com tudo menos amor, é verdade, mas também é certo que a maioria das crianças resulta de uniões de amor, de uniões que, enquanto duraram, foram eternas e verdadeiras. Para essas crianças, houve um dia, um pai e uma mãe que se amaram. E enquanto se amaram, o seu amor foi genuíno, forte e cheio de promessas. Mesmo que essas promessas tenham depois, durado pouco e sido levadas pela vida.
Esse dia, esse encontro, essa união que aconteceu numa data, legitima o respeito que se deve ter pelo pai, ou pela mãe dos filhos, mesmo que a vida tenha agora afastado esses Pais e, por isso, embora agir assim seja tão difícil como chupar limão, é possível e terá efeitos altamente positivos na cabeça dos meninos e meninas, filhos e filhas, desses Pais.
As crianças arrumam bem os Pais na cabecinha, é verdade, sem ser preciso estarem ainda a ouvir mais azedume, mais mágoa. Sabem exatamente o que pensar do pai e da mãe. A cabecinha deles está mais resolvida, muitas vezes, do que aquilo que se pensa, porque são recetores de mensagens que não vêm só pela voz: vêm pela expressão, pelo toque, pelo segredar, pelos póros, pela intuição que vão construindo. São figuras participantes numa história onde estão, com o pai e com a mãe, mesmo que em separado. 
E a maior verdade é que os meninos e as meninas, ao invés de só pares de confissão e de conversa, com quem desabafamos e carpimos mágoas, serão sobretudo, filhos e filhas daquele pai e daquela mãe e isso dá-lhes uma capacidade de amar muito maior do que julgamos.

P.S. E sim, eu sou daquelas pessoas que acha que o mundo  lá fora pára quando duas pessoas se amam e se entregam, mas quanto a isto, já não há nada a fazer...


sexta-feira, 10 de março de 2017






É OFICIAL





Lembro-me do dia em que tirei esta foto. Um domingo perdido, numa esplanada por montar, simples, numa (na nossa) praia de eleição. Sem muita gente à volta, sem grandes confusões. Estavas comigo, acompanhando a calmaria da manhã, transformando um NADA DE ESPECIAL, num TUDO tão grande. É sempre assim contigo. Mesmo quando não me apercebo... estás lá, comigo e gosto da tua companhia, do teu complemento, do efeito que tens em mim, como uma peça de puzzle que se encaixa na outra de forma simples e eficaz. Sem alarido.
Cada vez é mais difícil arrastarem-me para certos sítios, para fazer certas coisas. Cada vez reajo pior ao barulho, à confusão. Cada vez gosto mais da calma de um bom livro, filme, ou série. Sei que tanto da minha vida ainda é confusão, pressa, barulho, agitação. Reconheço que consigo funcionar com essa pressão, é verdade, funciono de forma rápida e (às vezes) eficiente, mas por isso também preciso cada vez mais e com mais frequência destes espaços e destes silêncios, comigo, com livros ou filmes, ou com nada, só porque sim. E adoro quando estás nesses momentos comigo, partilhando um silêncio que preenche o que não precisa de se dizer e, por isso, é cúmplice.

É oficial: acho que me estou a transformar num bicho-do-mato. O que vale é que continuas por aí... comigo, nesta cumplicidade que não troco de tão boa que é, como se o mundo, às vezes, ficasse ali ao nosso lado, em stand by...!
LUV U!





segunda-feira, 6 de março de 2017





DOMINGANDO...


Dormi, dormi, dormi de manhã. Fiz o almoço de pijama. Almoçámos com calma e a sensação de não ter de ir a lado nenhum invadiu-me com agrado. Sentei-me no sofá depois do almoço e comecei a ver um filme. Adormeci logo a seguir numa ronha deliciosa que anestesiava. Enrosquei-me naquele edredon velho que anda por ali pela sala para esse efeito. Acho que dormi mais um bocado. Perguntei a mim própria de onde vinha tanto sono e deixei-me levar pelas horas de um domingo solarengo. Ao fim da tarde saímos. Passeámos de mão dada e sentámo-nos numa esplanada na baixa. O sol estava a pôr-se. Não tínhamos horas, nem combinações e que bem isso soube. Conversámos com calma, de assuntos perdidos, deixados a meio. Bebemos uma cerveja preta e olhámos para a Ria que se espelhava por ali por todo o lado, linda. Ficámos calados por pedaços. Os dois, só assim. 
De onde me vinha este cansaço, esta anestesia? Depois lembrei-me do sábado que tive... e da sexta... 
Pois... 
Foi um domingar perfeito hoje... anestesiada, mas contigo. E não é que adorei?




sexta-feira, 3 de março de 2017






MILAGRES


Passa-me por aqui uma sinapse cerebral que me diz que já escrevi sobre isto, ou já fiz alusão a isto noutro post. Não faz mal. Este blog não pretende ter freio editorial, mesmo...
Este post, deste blog fez-me lembrar deste episódio... 
"- A intuição de uma mãe é um dado clínico", disse-me. -"Nunca tenha vergonha dela". Era pediatra, credenciado, experiente, credível, uma sumidade, portanto, mas não impregnado de superioridade balofa e sim, pronto a ouvir. Eu, era mãe de primeira viagem e ainda ficava insegura acerca do que era certo fazer-se, apesar de ter um instinto forte que sempre me segurou nas dúvidas e que me levava, quase instantaneamente, a querer confiar em mim. E apesar disso, justificava-me, desculpava-me, gaguejava, timidamente. 
Nunca mais me esqueci deste episódio e nunca mais desvalorizei o meu instinto. Passei a aplicá-lo quase sempre e a servir-me dele para adivinhar o que não se vê, ouve, apalpa... só se intui.
E isto, na vida de uma mãe, de filhos (de qualquer idade), é mesmo um dado clínico. Como a febre que se testa, como a dor que se apalpa, o cheiro que se cheira. E isto, segurando-nos assim por baixo, dando-nos uma rede de proteção, faz-nos seguir o caminho de mães, firmes e livres das nossas opções, sem fundamentalismos, ou modas estúpidas que nos podem descaracterizar.
Dúvidas? Muitas, sempre! Céus, tantas...  Intuição de mãe? Sempre... e esta, aliada a alguma descontração e capacidade de relativizar, faz milagres, acho eu!

P.s. E ajuda-nos também na escolha das sumidades, sejam elas quais forem...






quinta-feira, 2 de março de 2017






GENE LOIRO






Dizem que és o mais parecido comigo. Sei que sim. Comigo e com um gene loiro que tenho cá no meu ADN e que passou para ti. Um gene meu, de origem paterna, clarinho, de olhos verdes e cabelo dourado. De pele clara que fica em vermelho tomate no Verão. De osso grande e cara larga. De dentes separados e sorriso cheio. De nariz pequeno e arrebitado. De sardas que aparecem com o sol. De feitio pronto e despachado. De simpatia colada a um sorriso. De mau feitio às vezes, mas que passa logo.
De lambuzice assim beijada sem pedir.
Por isso, gostei desta foto. Desta lambuzice rápida que daqui a nada foge de mim, como num piscar de olhos, à velocidade da luz. Por isso a eternizo aqui, meu mais-que-tudo-irrequieto-e-chato-e-fazedor-de-cabelos-brancos- e-MARAVILHOSO.

LUV U, mas isso já tu sabes, eu sei...


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017





IMPACIÊNCIA (quase) CRÓNICA

Eu estava sentada no carro, prestes a sair para ir beber um café, numa daquelas meias horas paradas entre uma coisa e outra. Passou com o filho pela mão. O miúdo teria 4, 5 anos, por aí e ele era novo, engravatado, estilo yuppie. Vestiu-lhe o casaco, falou-lhe suavemente e reparei que tinha qualquer coisa na mão. Parou com o miúdo mesmo em frente ao meu carro e não pude deixar de observar. Estava muito frio nessa manhã e o que tinha na mão era um frasquinho pequeno, de creme com o qual rodeou cuidadosamente a boca e queixo do miúdo. Reparei que o fez com cuidado. Passou-lhe a mão com muita calma, repetindo os movimentos, quase acariciando e no fim deu-lhe um beijinho e compôs-lhe a gola do casaco. Lá seguiram de mão dada para uma escola ali ao lado. Percebi logo que ia levar o miúdo (filho?) à escola àquela hora da manhã.
Ando impaciente, irascível quase... E depois, como sou mais prática do que estética (expressão minha que costumo utilizar para justificar a minha falta de paciência para pormenores lindos, mas completamente fúteis e inúteis), que é o mesmo que dizer impaciente para certos pormenores que só atrapalham e não nos facilitam a vida, deparo-me muitas vezes com a circunstância de achar que há tanta coisa que não faz sentido e na qual todos investimos, investimos, investimos sem fim...
E então é como se me visse ali ao lado, num filme, muitas vezes. É como se a película se desenrolasse ao meu lado e eu estivesse de fora, a ver todos os intervenientes e a achar que tantas vezes é um desperdício determo-nos em tanta coisa sem sentido. Não há paciência para certas coisas, não há mesmo e ultimamente tenho-me sentido assim. Com uma sensação de impaciência crónica, visceral, endémica...
De facto, o espírito prático acelera procedimentos e simplifica questões. Apressa decisões e agiliza aqueles-durante-que-nunca-mais-acabam. E faz-nos (faz-me) lidar tantas vezes com a impaciência, devolvendo-me uma humildade de que também preciso quando lido com outros diferentes de mim.
E então, a lembrança daquele pai a fazer aquele gesto àquele filho, fez-me lembrar um post velhinho, velhinho, de 2012 e quase senti ali o cheiro a Mustela, ou outro creme que tal. É que sim, eu sei que na verdade e apesar de tudo, não são só as mães que fazem isto e aquele gesto, visto do banco do meu carro, na pressa, minha e deles, da manhã, eterneceu-me. E desejei, a sério, desejei mesmo que a impaciência de que se tem povoado a minha existência nos últimos tempos, não me faça perder a capacidade de me continuar a encantar com gestos destes que tais. Todos, com cheiro a Mustela.








*Yuppies é uma expressão inglesa que significa "Young Urban Professional", ou seja, Jovem Profissional Urbano. É um termo usado para se referir a jovens profissionais entre os 20 e os 40 anos de idade, geralmente de situação financeira intermediária entre a classe média e a classe alta.
in - www.significados.com


CORAÇÃO-COISADO Seremos eternamente diferentes na maneira que temos de lidar com alguns assuntos, mas percebo essas dife...