domingo, 17 de setembro de 2017





CONSISTÊNCIA

(afinal, é uma palavra gira...)





Hoje dizia a uma amiga que não me coíbo, muitas vezes, de me mostrar em desacordo contigo. Sim, temos em muitas ocasiões, opiniões diferentes sobre as coisas, embora os anos de vida em comum me tenham vindo a mostrar que, na maior parte dos casos, o desacordo é na forma, timming, ou maneira de reagir, mais do que na essência, âmago, ou tutano. Incomoda-me a concordância total em todas as circunstâncias. (Suscita-me dúvidas, pelo menos...) Incomoda-me que, por sermos um casal, se ache que devemos estar sempre 300% de acordo, de forma absoluta, em tudo. Não sou assim. Sou reivindicativa, opinativa e segura de mim. Sou filha da emoção, como alguém querido me dizia há dias e, por isso, sinto tudo à flor da pele e digo tudo em turbilhão, ao contrário de ti, que és frontal, mas sereno, racional e ponderado. Penso que procuro não ser obtusa e tento apurar todos os sentido em busca de sinais, feelings, intuições, que me vão dando a capacidade de discernimento e de encaixe, também para sentir-te e perceber-te. E sinto-te e percebo-te tão bem, com tanta clareza e com tanto orgulho, mesmo quando às vezes me irritas, porque és tão diferente na forma de reagir. Somos imensamente diferentes, mas maravilhosamente complementares, será?
Dizia a essa amiga que, se calhar, é isso que nos torna encantadores, ou se calhar é esse o encantamento que sinto, se calhar é essa cumplicidade de corpo e de alma, com tantos anos de vida, que nos faz descortinar as entrelinhas do outro e então, perceber melhor o que se passa e que, à primeira vista, nos faz discordar tanto. À primeira vista, para olhares menos atentos...
A isto que se passa connosco se chamará, entre outras coisas, consistência. E então, quando por acaso nos mostram, este vídeo, fortuito, da Net, a palavra consistência, que é formal e nada parece ter de interessante, ou pelo menos nada parece ter a ver com este contexto, torna-se, assim como que, exatamente naquilo que se quer dizer.
E digo-te, um amor consistente, traz consigo tanta coisa boa e dá-nos uma salvaguarda tão grande, que é o melhor que se pode pedir.
LUV U!

terça-feira, 5 de setembro de 2017





PAULINHA

(outra vez... afinal, não há limites para aquilo que nos sensibiliza!)


Tenho andado a remoer neste pensamento. Aquele encontro quase fortuito entre colegas, em que ela falou tanto de si e da relação que tem tido com a perda, com a morte, com o luto da ausência de alguém que fazia parte de si, como uma pecinha do puzzle que encaixa e que agora falta. 
Identifico-me imenso com ela. E sinto isso, sempre que estamos juntas. Na forma de falar, de estar, de trabalhar e é uma pessoa que faz parte do leque de outras pessoas que preenchem a minha vida indissociadas do sentimento de ternura, que é uma grandessíssima dádiva, nos dias de hoje. Ela tem esse efeito em mim. Já o tenho dito, assim como já disse que é uma pessoa que tem tido tiradas essenciais para algumas opções que tenho feito, a nível profissional. Aquela pequena conversa, fortuita, daquele encontro em final de férias, no outro dia, fez-me, OUTRA VEZ, reforçar tudo aquilo que sinto em relação a ela: empatia e uma ternura imensa que me fez ouvi-la e identificar-me 500.000% com aquilo que disse. A forma como falou dele, da falta que lhe fazia, as saudades que sentia, a vida que continua, a mágoa/ferida/cratera, que fica aberta e que não fecha e a grandeza da relação que tinham, grandeza esta única, pessoal, íntima, inviolável e inesquecível. Tudo isso me fez admira-lá imenso e dizer-lhe outra vez, como já lhe disse que, apesar da perda irreversível que nos domina de vazio e de saudade, ela tem o melhor de tudo no coração e na vida que construiu com ele: um amor que foi (é) único, inviolável e inesquecível. Um amor sagrado, portanto... Talvez tenha sido isto também que me interpelou? Não sei, mas apeteceu-me dizer-lhe que teve (tem) aquilo que tantos e tantos levam a vida a procurar e nunca encontram, porque só vêm na televisão. Um amor que dá sentido e justifica. Um amor que é maior que nós e nos preenche. E isto, querida, não é lamechice. É antes uma grandessíssima felicidade. Que tu tiveste.
Paulinha, estarão juntos, para sempre, vocês, e esse é o teu maior tesouro.
Adorei estar contigo naquele nosso café de noite fria de Verão. Adorei ouvir-te e sentir que temos tanto em comum. Adorei receber a tua comoção, daquelas genuínas que só se partilha com amigas. Adorei saber que sou abençoada por ter gente assim como tu na minha vida. Adorei o teu testemunho de um amor entre um homem e uma mulher, vividos assim, na primeiríssima pessoa, mesmo quando um já cá não está e por isso, o que se sente se torna ainda maior. Adorei um bocadinho de tempo tão normal, mas tão verdadeiro. Eu não te dei nada, mas tu interpelaste-me!
Um bj, princesa e não te feches à emoção. Ela torna-te assim única, maravilhosa e verdadeira.





P.S. Não há foto para este post. Talvez esta, desta grandiosidade que tínhamos todos os dias...



segunda-feira, 28 de agosto de 2017





SOFIA

És temperamental e de génio fácil. Já o tenho dito aqui e digo-o sempre que me refiro a ti. A agridoce da minha vida. Sentes o sabor das coisas da vida com um paladar apurado, de sentido aguçado e alma cheia. És impulsiva e de resposta fácil e pronta sempre que te contrariam. És voluntariosa e apressada, como se aquilo que queres fazer te fugisse por entre os dedos se não o fizeres logo. És decidida e rápida em tudo o que te propões realizar.
Não tenhas pressa. Rega a generosidade que te é característica, como se aquela fosse uma planta frágil que precisa de água e que, quanto mais cresce, mais te faz feliz. Rega-a na relação com os outros, põe-te ao serviço, pois só isso fortifica e faz crescer. Ouve quem está por ti e força em ti a entrada do que te dizem, porque te querem bem e porque já viveram mais do que tu. Investe em ti com calma, sem pressas de que o mundo acabe, reconhecendo o Norte que te apontam e, vendo através dele, todos os outros pontos cardeais. Cultiva o espírito, pois só isso te distinguirá. E não te feches. Não te fechas à humildade, ao ouvido atento, aos outros que te rodeiam, ao mundo, à vida, à amorosidade e à diferença. Vais ver que o mundo continuará lá, calmamente à tua espera. Sem stresses e pronto para ti.
E assim, continuarás a ser a miúda espetacular que és, mais completa e cheia de uma doçura que te tornará irresistível.
É que, acredita, sera isso que te distinguirá. 



P.S. Este post, hoje, não poderia ter outro título.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017







ROLETA RUSSA

Quando me lembro dos dias que passámos em Paris, das milhares de pessoas que víamos nas ruas, das ruas estreitas por onde andámos, dos sítios cheios de gente onde comemos, das longas viagens de metro, não consigo evitar um arrepio, em contraponto com o que se ouve agora de Barcelona, do atentado nas Ramblas. Não consigo deixar de me lembrar que há exatamente um ano, passeava eu e um grupo de dezenas de Escuteiros do Agrupamento a que pertenço, nas mesmas Ramblas, com a mesma afluência de gente, com a mesma descontração turística, com a mesma ligeireza e desprendimento de quem está de férias. Desta vez e das outras,  vimos polícias na rua, sim, armados até aos ossos, sem dúvida. Vimos medidas de segurança em tudo o que era sítio, sim, abre mochila, fecha mochila, espreita saco, espreita sacola. Sim, sem dúvida também. Num ritual a que nos vamos habituando por causa do que se vai passando, um pouco por todo o lado. 
O que sinto agora, a posteriori, é que o que se ouve e o que se sabe é sempre tão escabroso, tão desumano e tão difícil de imaginar, que quando lá estamos, nos passeios, nas ferias, nas ruas cheias de gente, ou nos monumentos apinhados, nunca nos lembramos de nada, isso nem nos passa pela cabeça, assim como que num mecanismo de auto defesa que remete essa eventualidade remota, para um cantinho inconsciente do nosso cérebro, porque é uma eventualidade que contraria a nossa própria natureza humana.  Era isso que se passava comigo (talvez connosco) em Paris. Essa eventualidade passava-me pela cabeça em  nano segundos, nem me dando tempo para tomar a ideia como real. Talvez este seja mesmo um mecanismo de defesa, quem sabe. Talvez a nossa ligação com estes assuntos passe somente, em grande parte, por este vivenciar mais preemente das medidas de segurança. Talvez o máximo que possamos estar próximos desta realidade seja o de pensar nas vitimas em causa com ternura, respeito e uma profunda reverência. Talvez o continuarmos a ir, a estar, a viver seja a forma certa de eternizar a ideia de que o medo não nos derrubará. Talvez, talvez...
Por agora, e mesmo em estado de grande anestesia pelas férias, que quero contrariar não ficando indiferente, fica uma terna lembrança de Paris, como se isso se transformasse num contrariar do(s) medo(s) e um profundo respeito por quem, em jeito de roleta russa, está no sítio errado, à hora errada



P.S. Não tinha foto apropriada para este post. Escolhi uma das minhas preferidas, tiradas em Paris, num sítio giro e cheio de gente feliz. Que isso e o sorriso que tenho na foto simbolizem o não desistir e o não querer habituar-me a viver com medo. Em Paris, ou em qualquer sítio. 


quarta-feira, 16 de agosto de 2017




PARIS

(Post escrito na última noite em Paris)

Estamos a deixar Paris. Esta é a nossa última noite nesta cidade maravilhosa. Já cá tinha estado com um grupo de amigos, no verão de 2003, sem filhos comigo e com o mais novo na barriga. Lembrava-me, por isso, de muita coisa, dos sítios principais e do espírito cosmopolita que a cidade tem. Agora vim com o mais-que-tudo e os nossos três filhos, de 19, 17 e 13 anos. O espírito é completamente outro. Sei que com estas idades aproveitam de outra forma, partilham o que se vai apreendendo da História que se aprende na escola, complementam, opinam, sugerem e fazem render a viagem de uma forma muito mais eficaz. Quintiplicam os custos? Ah sim, concerteza, mas sem dúvida tambem, comem qualquer coisa, em qualquer sítio, a qualquer hora. Andam kilometros a pé, porque assim "é que se conhece". Reconhecem as várias línguas que se ouvem por todo o lado e absorvem como esponjas esta aula ao vivo de cultura geral. Por isso gostei de vir com esta minha "pequena família numerosa". Gostei de ir aos sítios da "praxe", tirar as 300 fotos de ângulos diferentes. Gostei de ver a cidade (também) com os vossos olhos. Gostei de lembrar capítulos de alguns livros, ou cenas de alguns filmes que falam de Paris e eu agora ali, no sítio certo da tal cena, ou capítulo difícil de esquecer. Gostei do empregado do café vestido a rigor. Gostei das margens do Sena cheias de gente a passear. Gostei dos monumentos e dos cafés, das esplanadas e das ruas e dos croissants, do sumptuoso da monarquia que a república tão bem soube aproveitar, gostei dos museus e da arte, das famílias de bicicleta na rua, das tantas nacionalidades diferentes que se vêm por todo o lado, do sol sem muito calor e da chuva miúda a cair. Gostei, gostei muito. Gostei dos 5 juntos, como gosto em todo o lado, das diferenças que se sentem entre nós, mas do complemento em que acabam. Um complemento prático, funcional e  bem resolvido, mesmo em francês.  
Gostei de Paris e pronto. 
Et ce qu'il est!

E aqui vão as fotos, pois então, não as 300.000, mas as possíveis... 




















































































































































































































     






sábado, 29 de julho de 2017





UM NÃO-SEI-O-QUÊ


Li algures, no outro dia, que a relação do casal é a que mais sofre no meio da pressão. É aquela que mais vem a sentir falta de mimo, colo, tempo e espaço. É a que mais clama por sossego e silêncio, por ternura e olhar (re)descoberto, cúmplice e único. É aquela mais difícil de gerir, manter e mimar. A relação do casal é a mais exigente, que não tem, por garantia, a voz do sangue e  que fácil pode ceder ao desgaste e que fácil, fácil pode fazer (querer) desistir.
Mas depois, também é aquela que nos pode reinventar e devolver o outro (a), a cada vontade de não desistir. É aquela que nos garante uma capacidade ultra sónica de sabermos AMAR MUITO e AMAR BEM, é aquela que nos devolve o melhor que o amor tem, só por um olhar, um toque, um cheiro, um pôr de mão, um não-sei-o-quê-que-nos-tira-o-chão-e-nos-faz-sorrir. É aquela que nos dá a capacidade de fazer amor com corpo e com alma. É aquela que nos dá memória e história e passado e futuro. É aquela que faz sentido porque tem isto tudo.
E é por isso que eu, entre férias e filhos e amigos de filhos e praias e lazer e eventos e logísticas e coisas que estão marcadas e que vão acontecer e que vão saber bem e que nos vão isolar (aos 5), o que eu queria mesmo-mesmo era ter uns dias só contigo, num sítio qualquer, onde o prazer de te descobrir, cada pedacinho de ti, ia ser único e maravilhoso, como sempre.
Até lá, vou desenhando destinos na minha cabeça, equacionando datas possíveis e aproveitando ao máximo, aquilo que as férias dão: este ócio delicioso e retemperador, a cinco. Onde tu também estás.







quarta-feira, 19 de julho de 2017




DOSSIERS...


À medida que vou fechando dossiers, vou registando sinapses cerebrais que me alertam para o quase, quase, quase que estão a chegar as férias. É uma esplanada que me parece mais apelativa, é o livro X e Y e Z, que me salta à vista, reagindo aos meus freniquoques de leitura, é o pôr-do-sol que apetece ficar a ver, é o jantar mais tarde porque sim, é a casa dos amigos e o ajuntamento aqui e ali que sempre fazemos, é, é, é...   Sim,  as férias estão assim-já-tao-perto-que-quase-lhes-posso-tocar, alimentando no meu subconsciente todas as ideias boas do que quero fazer nelas e com elas, como se dessem para tudo, retemperassem a 100%, ou eclipsassem no espaço, preocupações e pendentes.
Não. As preocupações não desaparecerão e os pendentes ali continuarão assim mesmo, pendurados num tempo parado em que esperam para ser resolvidos e o cansaço voltará todo sobranceiro, mas a sensação inigualável de anestesia e de um egoísmo tão bom que nos alimenta os gostos, os hobbies, as preguiças, os passeios e tudo o mais e resto que queiramos fazer, isso ninguém tira às férias e então elas assim são para nós: tempos nossos, bons, sugados até ao tutano, vividos com quem escolhemos, passados onde queremos e  preparando-nos então, para os chatos dos pendentes, esses sim, uma real seca.
Cá por mim, não lhes fujo, mas por agora que fiquem assim mesmo: pendurados à minha espera
Por agora, quero aproveitar MUITÍSSIMO!!





CONSISTÊNCIA (afinal, é uma palavra gira...) Hoje dizia a uma amiga que não me coíbo, muitas vezes, de me mostrar em desacord...