segunda-feira, 22 de janeiro de 2018






SOPHIE EYES





São o espelho da alma, é que se diz. Conseguem passar mensagens que ficam silenciadas pela voz e então, às vezes, os olhos, tornam-se o canal preferido para transportar vozes, explicar emoções, dar recados, viver sentimentos, sensações e fazer ouvir dizeres. Bastará às vezes prestar atenção à figura toda do OUTRO e em especial, à forma que os olhos ganham e ao peso que transportam, daquilo que nos querem, TEIMOSOS, dizer. E todos os olhos são bonitos, porque todos os olhos nos podem trazer uma verdade do OUTRO. Para mim, que sou tua mãe, os teus são lindos, claro...

E sabes querida, quando uns olhos bonitos se aliam a outros encantos de coração e de espírito, que podes (e deves) valorizar, tornas-te, sem querer e se calhar, irresistível. 
A sério...




segunda-feira, 15 de janeiro de 2018




INVÓLUCROS


Tento ter sempre algum pudor e reserva em criticar, por criticar. Nunca se sabe o contexto todo e gosto de ver sempre (tento, pelo menos...) as duas partes, ou melhor, tento imaginar qual terá sido a intenção que esteve na génese de qualquer coisa e que depois, no caminho, se perdeu.
Por isso, o que vou dizer sobre o programa de ontem na SIC, Super Nanny, é quase instintivo e representa só a minha opinião que, como todas as opiniões, vale o que vale. Vejo pouquíssima televisão, no que aos quatro canais nacionais se refere, mas confesso, tinha alguma curiosidade, sobretudo porque o ar da senhora Psicóloga, mostrado no genérico, não me atraiu. Como ao mesmo tempo, não me queria centrar no ar, pensei... "deixa lá ver o que sai daqui"...
Até reconheço como certas algumas sugestões que a Sra Psicóloga deu, embora não tenha gostado nada do ar, da forma, do contexto, mas isso, enfim, sou eu... A necessidade das regras, a firmeza, a importância da expressão facial e vocal que emitem uma mensagem e a ligação que isso tem que ter com o que dizemos e fazemos, a necessidade da sustentação da autoridade da mãe, a (des)sintonia entre os dois adultos referência (mãe e avó) e os consequentes prejuízos para a miúda, a importância do persistir no que se determina etc, etc, etc; mas pareceu-me tudo por decreto, forçado, sem a envolvência do afeto regulador, sem a cola que o dia-a-dia traz e que pode ser equilibradora, sem a espontaneidade (da mãe) aplicando uma coisa que aprendeu e que agora  faz, porque é aquilo em que acredita, sem, sem, sem, 1000 vezes sem... 
Claro, somos todos adultos e sabemos todos qual é o invólucro que a televisão dá às coisas e foi esse invólucro colorido que nos apresentaram: duas ou três coisas que se aprendem por decreto e que têm que se experimentar, sendo sempre consequentes, boas e super pedagógicas alterações comportamentais. A miúda passa agora a portar-se bem e pronto. Aquela mãe aprendeu tudo, tudinho e está pronta para a aventura que é e será sempre a de educar a sua filha.
Claro que se reconhecem ali muitas fragilidades na miúda e muitas consequências de uma negação das regras e fragilidade emocional, mas sinceramente a sensação com que fiquei no fim do programa foi a de uma grandessíssima pena da mãe, não só porque se predispôs a expôr-se assim a si própria e à filha (já nem vou por aí...), como também e sobretudo porque tem altos défices de um bom exercício de parentalidade. Ninguém nos ensina a sermos pais e mães e avós e avôs, poderá dizer-se ... e é verdade. É a vida, a intuição, a educação, a sorte, a herança emocional/educacional/cultural que se traz, é tudo isso que nos capacita. Mas também,  aprender assim, com milhões de pessoas a olharem para nós, nús na nossa fragilidade, expostos, frágeis e voláteis, vou ali e já venho. 
E isto, esta adesão cega a este ecrã macroscópico que nos expõe, naquilo que temos de mais íntimo, valioso e regulador como é a nossa relação com os nossos filhos, isto é que tem de ser questionado. Ou não será?



P.S. E que nunca se perca a capacidade de pensar e de ter opinião, qualquer que ela seja...



terça-feira, 9 de janeiro de 2018





UM-QUÊ-QUALQUER


Pode dizer-se a mesma coisa, mas o tom com que se diz fará sempre a diferença. Haverá sempre volume de trabalho violento e dureza na gestão do tempo, qualquer que seja a nossa vida, porque temos todos mil afazeres e prioridades, mas a relação, a cordialidade, o ter um pedacinho de "um-quê-qualquer" que nos faz ter às vezes um olhar diferente, aquele festa no braço, aquele sorriso escondido, aquele telefonema, aquela mensagem, aquela atenção que soa a tão estranho, mas que só é tão normal, fará sempre toda a diferença. Não me canso de dizer isto e penso mesmo assim: a relação interpessoal faz a diferença e marca o ascendente (ou descendente) que temos no OUTRO. E essa relação interpessoal conquista-se, educa-seconstrói-se. Não se aprende nos livros, e muitas vezes, (infelizmente) não se aprende na escola. Aprende-se nas relações que estabelecemos, com aquela malta toda que está à nossa volta.
Haverá sempre gente mais e gente menos sensibilizada para isto. Haverá sempre aqueles para quem isto é conversa fiada, que não conta para nada, sobretudo para nenhum barómetro de eficácia e haverá depois sempre aqueles que, como eu, por parvoíce, ingenuidade, ou teimosia, acham que isto sim, faz toda a diferença.
Capacidade de relação? Entrega? Cordialidade? Dispôr do meu/nosso tempo? Generosidade? Trabalho de equipa? Liderança democrática? Segurança com sabor a descontração?  Informalidade assumida? Rigor? Persistência naquilo em que se acredita? 
Pois... é um estilo, ah pois é, mas é aquele que tenho.
Para o melhor e para o pior!



P.S. E quando se assume um estilo, não se perde tempo a pensar como NÃO conseguiríamos ser...


segunda-feira, 8 de janeiro de 2018






DE ENFIADA

Falava-lhes de quando fugiram da guerra e do privilégio que foi terem cá família que os recebeu. Falava-lhes de cenários de guerra que viveu, como aquele que vêm agora nos filmes. Falava-lhe do trabalho de campo, puro e duro de Assistente Social em cenário de refugiados. Falava-lhes do que viveram nos primeiros tempos em que a mãe e o tio mais velho eram pequeninos. Num almoço de domingo, sem regra, a conversa surgiu e, como as cerejas, foi durando...
Gosto que a oiçam falar, como eu gosto também de a ouvir e como me lembro de gostar de ouvir os mais velhos falarem, das histórias que contavam, das coisas que diziam.  -Oh mãe, conta-lhes lá aquilo - digo. Ainda hoje, adoro estar com os mais velhos a ouvir-lhes histórias. E gosto, quero, acho importante que os miúdos cuidem deste ouvir. Acho importante que encontrem espaço em si para estas coisas que não vêm nos livros, porque são nossas e nos dão raízes e história. Gosto que imaginem que têm um gene daqui, desta história. Gosto de imaginar que esse gene vai passar, de geração em geração e assim, talvez não deixe a história morrer de todo. - E não tiveste pena, avó, de deixar lá tudo? 
Esta pergunta fez ligação direta a uma minha sinapse cerebral, enquanto a resposta foi sendo dada. O que é o tudo? Que medida tem? Que forma, que quantidade, que volume? Podemos quantificá-lo? Onde entra o relativizar? Aprende-se (também) assim? O que nos dão essas provações?
Acho que foi também a estas perguntas que os meus Pais responderam, ao vivo e a cores. Acho que foi isso que aprenderam e que nos deram, essas lições, essas conclusões mais ou menos definitivas que se criam como regra lá de casa e se passam depois, pelos póros.  E é isso que lhes quero dar. Essa regra. De conceberem um TUDO que valha a pena e que seja mesmo o que importa. De terem um TUDO onde está o que é mesmo importante. E que esse IMPORTANTE os faça sacudir tanto pó que não presta, tanta coisa que não contribui, tanta energia que se desperdiça.
-Já sei mãe, já sei... a maior e única herança vai ser a de nos termos uns aos outros, já sei... 
O ar foi assim meio desdenhoso-de-gozo-de-adolescente-leia-se-aborrescente-que-não-leva-estas-coisas-muito-a-sério, mas o que é certo é que disse de enfiada.
E a enfiada fez-me crer que a coisa já pegou e que esta lição, esta conclusão assim meio definitiva vai criar regra cá em casa. 
Assim seja!




P.S. Este TUDO é o único que importa...

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017






TORNEIRA INESGOTÁVEL?

(ou só muito bem gerida?)

Pode uma história de vida, com muitos anos juntos legitimar uma relação, dando-lhe material de feitos e de anos que fazem suportar tudo? Pode o capital emocional que se gera quando se vive tantos anos com alguém, não se esgotar? Pode o amor que se sente viver-se sempre da mesma maneira? Pode o sentimento que cola aquelas duas pessoas uma à outra, ser legitimado e justificado SÓ pelos filhos? Pelo que já se viveu? Pelo que se construiu? Pelo que se conquistou? Pode aquele amor ser inabalável e forte e coeso e seguro e intenso para todo-o-sempre?
Não, mil vezes não! 
Será sempre uma questão de opção, acho eu. Sim, porque aquele amor nunca é só cor-de-rosa. Nunca tem só história e feitos passados. Regateia constantemente o presente, o dia-a-dia, o aqui e agora, com uma exigência que não se compadece e que nos obriga a artes de reinvenção e criatividade sentidas. Quer que o olhemos de frente e que o façamos prioritário, se não soubermos como, teremos que descobrir. Não tem uma torneira inesgotável de boas práticas e conselhos bons de aplicar. Não se sente sempre da mesma maneira. Às vezes está zangado e mal-disposto, outras vezes melhor e inesgotável. Não tem nos filhos uma justificação eterna para tudo, porque não foi com os filhos que se casou. Não é intenso para todo-o-sempre. Tem muitas cores e cheiros e formas. Tem disposições e humores. Tem birras e azedumes. É um amor real, de vida real, com tudo o que a vida real tem e traz. E é, sem dúvida, um grandessíssimo desafio para quem ousa vivê-lo. E por isso tem também um palco eterno e ilimitado (que não acaba) para entrar em cena: a vida de cada um, no espaço e no tempo de cada um. NÃO É DE REVISTA, LIVRO, OU CATÁLOGO, porque esses não são reais.
E sei de tantos casais amigos e conhecidos para quem esse amor real acabou. Por dezenas de razões, todas legítimas e sentidas, todas pessoais e fortes, todas verdadeiras, no mais profundo da intimidade de cada um. Não ouso pronunciar-me sobre nenhuma delas, nem acho que deva. E quando o faço, não é nunca por aqui.
Mas também sei de casos felizes, talvez como o nosso, creio eu, casos que têm essas luzes e sombras todas, porque são normais, mas que continuam a bater a parada, continuando a apostar num amor que sobrevive na vida real de todos os dias, com os problemas da pressa, do dinheiro, dos filhos, do trabalho, da pressão, do stress, das perdas, das doenças, das sombras que não são sempre luz.
Pois é! E hoje a conversa com uma grande, grande amiga, daquelas do coração, num bocadinho de tempo que roubámos aos filhos que estão todos em casa, de férias e que, tenham a idade que tiverem, mantêm o estribilho da MÃEEEEEEEE, na boca, disto tudo me fez lembrar.
Uma questão de estrutura sólida, dizia-me, daquelas que abanam mas não caem. Porque a prioridade continua a ser essa e porque com isso se continua feliz.
Uma questão de opção-feliz-abençoada-consciente-sortuda-agraciada-dialogante-assertiva-e-mais-qualquer-coisa-que-não-sei-explicar-e-acho-que-pode-ter-muitos-outros-nomes-mas-que-justificará-algum-sucesso, acrescentaria agora eu.
Sim, hoje ela foi o meu click inspirador, mas foi em nós que pensei.



P.S - Fogo, o post foi longuinho, mas foi pelos dias de ausência daqui. 



quinta-feira, 7 de dezembro de 2017




ALIEN


Às vezes sinto-me tão alien, tão alien que até me pergunto se o mal não estará mesmo em mim: afinal, há tanta aceitação e vivência com coisas que para mim são tão estupidificantes, que quase caio na tentação de achar que afinal, quem está mal sou eu.
É que depois, esta dessintonia que sinto com tanta (aparente) normalidade, dá-me um altíssimo grau de impaciência que também devo saber (e conseguir) gerir e transformar em PACIÊNCIA: paciência para aceitar que os ritmos não são iguais, paciência para perceber que o capital humano que nos prepara para as coisas não é igual, paciência para perceber que nesta diferença de ritmos e de pessoas é que está a beleza.
E sobretudo e MAIS IMPORTANTE, devo ver isto, acho eu, também como uma oportunidade para educar a minha humildade: afinal, ela dar-me-á uma capacidade de tolerância maior, quero crer!
Mas fogo! Às vezes não há mesmo pachorra e que é esta a cara que faço muitas vezes, lá isso é!


segunda-feira, 27 de novembro de 2017






MAPA GUIADO

O percurso que faço, à segunda-feira de manhã, para a escola, embora seja um percurso muito curto, é essencial para mim, assim como o café que bebo de manhã, sozinha, antes de entrar.
Aterro num mundo novo. Caio nele, sem freio e todos os assuntos  profissionais vão chegando, em modo de avalanche. Preciso desses breves minutos antes de entrar na engrenagem, para me situar, priorizar os assuntos, estruturar-me no tempo e no espaço, como se desenhasse um mapa guiado da minha semana, na minha cabeça. Um mapa que me vai guiar pelos assuntos e pelo seu espraiar no tempo.
Esclareça-se que de novo, esse mundo não tem nada, aliás é velho e bem velho e assalta-me às segundas-feiras de manhã, já que ficou durante o fim-de-semana num cantinho esquecido do cérebro e desperta quando a manhã de trabalho começa. Abruptamente. De repente. Sem dó ou piedade.

Sempre foi assim, esta minha anestesia forçada ao fim-de-semana. Para coisas de trabalho, entenda-se e outras-que-não-me-apetece. Nunca percebi se é uma opção vincada de uma coisa que faço com total consciência, ou se é uma defesa biológica, psicológica, fisiológica que o meu organismo aciona como defesa e proteção natural. Quero crer que sim, que é isso. Acho que temos todos uma inteligência biológica e eu não serei exeção. 
Por isso sim, vou continuar a anestesiar-me para alguns assuntos quando bem entendo, vou continuar a congelá-los, enquanto me preencho com outras coisas que valem verdadeiramente a pena e me equilibram. Vou continuar a priorizar os assuntos em mapas guiados na minha cabeça, desenhados por mim e ao sabor dos meus dias. Os assuntos não fogem. Só ficam é lá no gelo (leia-se cérebro), à minha espera. Eu também não fujo. Só lhes dou é a importância que eles têm. E ponto.


P.S. ... outras coisas que valem verdadeiramente a pena e me equilibram. 
Pois...

quarta-feira, 22 de novembro de 2017




RAMALHETE


Correndo o sério risco de me tornar repetitiva, (mas o blogue é meu, e agora???) repito de novo que contigo e com os miúdos é onde verdadeiramente sinto que gosto mais de estar e de investir energias. É onde sinto a zona de conforto maior, aquela que me dá a tal descontração que me faz sentir eu mesma, sem filtros brilhantes para alindar. É onde lambo feridas e dou asas ao melhor e (também) pior que sou. É onde me encontro no meio da loucura dos dias. É para onde fujo quando estou cansada. É também onde expludo quando o meu super (mau) génio vem à tona. É onde me sinto feliz e infeliz, alegre e chata, com luzes, ou com sombras, na variedade de dias que tenho e que me desenham. É assim uma pessoa normal e é assim tambem uma família, um ninho, um lar, uma zona de conforto, aquilo que se queira, na liberdade de cada um, chamar. 
E assim este núcleo duro devolve-me identidade. Acho mesmo que se não fosse ele, esse nucleo, não aguentava certos embates. Por isso me delicio quando me dizes certas coisas, como esta que me mandaste hoje e compões um ramalhete de felicidade que acho que tenho.  
E por isso sim, fiquei de cara aparvalhada e sorrisinho parvo, quando li, como se tivesse 15 anos, também por ver que isto não tem idade e que o romance somos nós que fazemos.  
Tão fácil, tão espontâneo, tão bom!! É que... "tipo... fico, a sério, claro que fico!"





segunda-feira, 13 de novembro de 2017



Continuar ET, 
please...!


Sinto-me muitas vezes um grandessíssimo ET (leia-se Extra-terrestre... nunca sei se este ifen sai ou se se mantém...) e às vezes, as coisas que oiço e vejo e sinto à minha volta, na escola, na vida, só me reforçam essa (relativamente) desconfortável sensação. Não abdicarei de ser ET e já não tenho idade para me chatear com isso. Pois é... acho que vou ficando impaciente e com algumas (boas, acho eu) teimosias.

Depois, às vezes, oiço também coisas que são bálsamos para os meus ouvidos, que me fazem sentir que não estou assim tão errada, que afinal, aquilo que sinto talvez seja um bocadinho certo, ou pelo menos, sentido por mais gente. E afinal, descubro que não sou assim tão ET...
E uma dessas agradáveis vezes, foi há dias, ouvir um professor da área das ciências da educação, dizer, numa apresentação a que assisti, que cada vez mais se educa os miúdos para o concreto, o factual, o palpável, o rigoroso, absoluto e certo, para a lógica em toda a sua dimensão científica, deixando-lhes de fora da esfera de aprendizagem e vivência, a linguagem simbólica, o belo, o artístico, o que é criado e visto pela sensibilidade dos olhos de cada um, tendo consigo toda a maravilha e individualidade que isso tem. Continuava esse senhor, dizendo que assim, era difícil para eles, os miúdos, perceberem e sentirem a profundidade de algumas palavras e sentimentos, a dimensão de beleza das coisas, a capacidade de transformação em verdade de coisas absolutamente essenciais para a sua vida, para si próprios, para os seus mundos, a capacidade de perceberem o sonho como um ideal de vida, dando-lhe assim um significado palpável e real. 
Era como se houvesse uma separação perversa entre estes dois mundos, o da lógica e o do simbólico que, ao invés de estarem separados, deviam ser complementares.
Gostei tanto de o ouvir e acredito tanto nisto. O que seria da ciência sem a arte? O que seria do real/concreto/palpável, sem o imaginário/indiferenciado/sentido? O que seria dos factos sem as ideias? O que seria da realidade sem a imaginação? O que seria de nós sem o simbólico?
Como se explica o amor? Os afetos? O sonho? Como se explica a profundidade de um sentimento? Como se explica o TUDO que se pode pôr num olhar? Como se aposta no que não se vê, só porque sim? Como nos entregamos a causas, se não as vemos e se tudo à nossa volta as contraria?
Pois é, pois é...
Fogo! Deixa-me lá continuar a ser ET. Há coisas que não mudam...

domingo, 5 de novembro de 2017









DUPLAS






Dizem-me que tenho escrito menos por aqui e que têm estranhado. Surpreende-me sempre essa certa estranheza sentida por alguns perante a ausência de publicações, ou perante o maior espaço de tempo entre umas publicações e outras. É verdade, tenho escrito menos. Estou mais dispersa, com muitas coisas em que pensar, com vários setores no meu cérebro e na minha vida a trabalharem ao mesmo tempo, constantemente, sugando-me mais as energias, deixando-me menos solta, menos livre, menos paciente... é verdade, é verdade. 
Tudo o que gosto imensamente de fazer, mas que foge da esfera profissional, ou extra-profissional, mas comprometida, vai-se dispersando, tornando-se menos amiúde. Mas depois entras tu e porque tens um papel essencial na minha vida, terás também sempre um efeito retemperador, uma capacidade de me devolver o chão, quando sinto que ele me foge, um pragmatismo que me dás e que me deixas adocicar com o meu jeito, um papel na descoberta que faço das coisas simples que não custam nada e que nos devolvem a TAL sensação de bem-estar, um poder de equilíbrio que me/nos reorienta e faz voltar ao trilho e isso tudo, acho que nos torna uma dupla, para mim, imbatível. 
É que sabes, apesar das sombras negras e escuras que a vida tem e que se colam às relações, apesar dos problemas, cansaços, desgastes e durezas que estarão sempre ali ao lado numa vida que é real, apesar das diferenças que às vezes se tornam duras e impertinentes, há mesmo duplas que podem ser imbatíveis, porque equilibradas, reais, luminosas e felizes. 
Assim tenha essa certeza o tamanho do nosso amor. 

LUV U!




domingo, 22 de outubro de 2017






COISINHA DE NADA

(que é tudo, tudo, tudo...)


Falavas da tua vida por lá, da pressa, das coisas, do ritmo, de tudo e de nada, numa conversa banal para matar o tempo. Falavas em tom sereno, mas rápido. É sempre um prazer ouvir-te falar. Herdaste o tom e o jeito da tua avó materna, já te tenho dito e ainda bem. As tais serenidade e entoação que contagiam, na maior parte das vezes. Relatavas que o encontras com frequência. Que é chatinho e que normalmente estás com pressa quando te aborda, mas que intuitivamente pressentes que tens que lhe dar um bocadinho de atenção, vês que fica agradado, reconhecido e então,  espontaneamente, ages assim e sem te aperceberes, humanizas uma pressa doida de todos os dias, que nos afasta, sem que nos apercebamos, dos afetos simples nas relações com os outros. E só esses Bea, nos tornarão especiais.
Senti-me muito orgulhosa, dessa coisinha de nada que me contavas tão ocasionalmente. Não te disse, mas guardei cá dentro, neste coração elástico que tenho, igual ao coração elástico de todas as mães do mundo, que lhes dá esta capacidade de se orgulharem muito dos filhos, mesmo com estas coisinhas que contam numa conversa qualquer.
Percebi, pelos relatos soltos que ias dando, desse episódio e de outros que tais, que já aprendeste o mais importante e que, sem saberes, tornas-te especial por seres assim.
Isto filha, nenhum curso te dará. E mesmo sendo tua mãe e podendo ter sempre a visão desfocada de amor, acho a sério, que esta coisinha de nada, pode às vezes ser tudo, porque faz a diferença e torna-te especial.
LUV U!!

sexta-feira, 13 de outubro de 2017





CÉLULA PEQUENINA



-Quero que o meu filho se orgulhe de mim, esta ideia persegue-me todos os dias e estou constantemente a pensar nisto- dizia com ênfase. As outras que a acompanhavam lá participavam também da conversa trivial, naquele início de manhã. Não pude deixar de ouvir. As mesas de alguns cafés têm tudo menos privacidade e as conversas podem acabar por ser tudo menos secretas. E muitas, davam teses de doutoramento. Não pensei logo nesta conversa específica. O meu cérebro centrou-se naquele pedacinho de tempo em que ali estive, meio anestesiada e cansada por este ritmo profissional louco que tenho vivido e que me suga até às entranhas, esgotando-me as energias. Senti-me assim como uma ameba, parada, com um corpo de camadas gelatinosas que me tiravam o movimento e a reação. Sim, lá no fundo estaria o meu cérebro, qual núcleo pensante, mas ali naquela hora, não fiz uso dele. Só gozei o sol que me dava na cara, pus um sorrisinho parvo e não pensei.
Mas a frase voltou depois às minhas sinapses e questionei-me depois sobre o que ouvi.
Nunca me dominou esta ideia de pensar se os meus filhos têm orgulho em mim, no pai, em nós. Claro que tenho esse desejo. Não sou alienada e penso como qualquer mãe, mas isso não me persegue. Nem determina nenhuma das minhas ações com eles, ou seja, não faço isto ou aquilo SÓ para que se orgulhem. Não. Faço isto ou aquilo porque acho que está certo e acredito que essa verdade emocional passará pelos póros e pela vida como um testemunho de autenticidade e disso gostava sim, que tivessem orgulho.
Eu tenho um orgulho enorme nos meus Pais. Tenho um orgulho enorme na célula pequenina onde nasci e onde cresci, onde me estruturei como pessoa e onde aprendi, por osmose e por isso sem grande esforço, como é viver em família, ter um pai e uma mãe que se amam e dois irmãos com quem se partilha um palco de afetos.
Hoje, por circunstâncias várias, tive oportunidade de constatar com força qual é o tipo de Pais que tenho, que referência foram um para o outro, que referência foram e são ainda, a tantos níveis, para nós e de que forma saudável me fizeram crescer, equilibrando afetos, amadurecendo capacidades, depurando defeitos e apurando qualidades. Este processo não se esgota, continua em andamento, afinal, temos a vida toda para isso, mas foi ali que começou. E começou tão bem!
Estariam os meus Pais (demasiadamente) preocupados em que tivéssemos orgulho neles? Seria esse um pensamento que os perseguia? Creio que não. Foram só eles próprios, autênticos, seguros e sinceros emocionalmente, entre eles e connosco.  E bastou, bastou só. E foi tão bom.
Quem sabe não se passará o mesmo por aqui? Deus queira que sim! Afinal, a história repete-se e as referências, tendem-se a imitar, não é o que se diz? 
P.S. Olha quem diria o que haveria de vir de uma conversa ouvida num café?

segunda-feira, 9 de outubro de 2017





VERDADEIRINHO DA SILVA


Às vezes penso na reação das pessoas ao lerem este blog, as que lêem. E se isso nunca foi uma preocupação para mim, ao longo destes anos, farto-me de dizer, e é verdade, já que escrevo sem freio, ou filtro editorial (o que quer que isso seja)sem a preocupação de pensar quem está a ler, ou o que poderão pensar, tal e qual o caderninho preto de que às vezes falo; dei hoje dei por mim a pensar nisso: fogo, acho que consigo ser chata, ou então muito nhónhónhó, sempre a falar no mesmo, 
nos filhos, no marido, no trabalho, no que sinto, no que achei, no que vivi, naquelas lamechices que devem soar para muita gente a Nicolas Sparks, ou Nora Robertsque não há pachorra (que me perdoem os aficionados, porque não li nunca nada deles e posso estar enganada, mas é a ideia que tenho...).
  
Sim, sei que há vidas muito mais interessantes, luminosas e cheias de coisas para dizer, opiniões mais consistentes, eruditas e informadas, escritas mais elaboradas e/ou argumentativas, textos mais intencionais e expositivos, mas eu gosto de escrever sobre o que me preenche e esse preenchimento é dado por coisas tão simples, que me questiono como é que um POUCO pode dar tanto que dizer, assim numa infinitude de assuntos que não acabam. 
E que bom a minha vida simples ter tantos assuntos que não acabam, mesmo que tenham, tantas vezes os mesmos sujeitos. Que bom sentir de vez em quando um click delicioso de os querer passar para este papel virtual que substitui o caderninho preto. Que bom sentir que, apesar da (suposta) pouca originalidade, tenho tanta gente que me lê e que se identifica. Que bom sentir que escrevo de coisas simnples, que afinal são tão intensas. Será sinal de autenticidade, suponho... Deus queira que sim, porque lá verdadeirinho da silva é este blog. E que assim continue. Mesmo que às vezes me passe pela cabeça que é nhónhónhó.
Hoje, apeteceu-me dizer isto!