quarta-feira, 12 de novembro de 2014




NOVO MUNDO


Entrar neste mundo é dar um salto profundo para vidas de sofrimento, limitações, problemas e verdadeiras odisseias de luta pessoal, escolar, familiar, social... É também conhecer mães e pais heróicos, às vezes só pelo facto de amarem estes filhos e quererem, para eles, o melhor. É conhecer gente rara de trabalho e dedicação, pronta a articular e partilhar saberes, a oferecer tanto para receber, às vezes tão pouco. É obrigar-se a ser grata pelo que se tem, pelos filhos que se tem, é ser solidária, mas realista, tentando equilibrar dois mundos, às vezes de costas voltadas... E eu, estou agora neste mundo. O meu salto está ainda a começar, mas vislumbro já a nitidez dos problemas e o ardor das dificuldades. Não haverá muitas receitas formais para este trabalho: intuição, dedicação, informação, partilha, preparação e afetos, muitos afetos, lúcidos, pedagógicos, conscientes e oportunos. Houve já quem me alertasse para esse vetor maior que são os afetos e eu, que já o intuíra, também o vou aprendendo agora.

E, para todos os alunos vou pensando assim. E, de todos vou retirando lições que me façam aprender. E, com todos, aplico tudo o que a vida profissional e também a outra me deram e a coisa vai fluindo e, acho, resultando e então ele, que corre para mim, espontâneo, que me lambuza com beijos repenicados e que sorri com os dois olhos quando me vê e tenta dizer o meu nome, faz-me perceber que sim, que mesmo que a vida dos conhecimentos não lhe dê mais nada, pelo menos a mim, por agora, ele já me deu TANTO! 




Haverá dias difíceis, eu sei, mas cá por hoje, estou de alma cheia!!