domingo, 18 de novembro de 2012

 
 
 
 
 
 
A CASA DA MINHA MÃE
 
 A par de todas as outras vezes que lá vou, gosto também de ir, ao domingo, almoçar a casa da minha mãe! Para além de me saber muito bem não ter de fazer o almoço nesse dia (ai cozinha, cozinha que nos absorves, que obrigação mais vitalícia!!!), é uma tradição que quero preservar, que quero incutir aos meus filhos, pois considero que é muito importante, terem vários cenários de afetos verdadeiros, marcantes, recheados de cantinhos cheios de significados diferentes. É quase como se os afetos pudessem (e podem, de facto!) ser vividos em muitos sítios diferentes.
A casa da minha mãe é assim e ela, como está algumas vezes fora, sempre que cá está, é certo e sabido que lá fazemos os almoços de domingo, estendidos também às presenças do meu irmão, cunhada e sobrinho. Sinto a casa dela como uma "zona de conforto" à qual todos recorremos e vamos ter, sempre que possível.
A minha mãe é uma avó jovem que não se encaixa no prototipo da "avozinha que se senta à lareira a fazer renda!" (vai havendo cada vez menos avós assim...) A minha mãe nunca soube fazer renda, aliás, era avessa às costuras e lavores e foi a minha saudosa e doce avó materna (a avó Lurdes) que tentou, afincadamente, ensinar-me essas virtudes. Eu, canhota em tudo o que fazia, dificultei-lhe o ensino, pois fazia tudo ao contrário, do lado errado, começando pelo fim, o que a aborrecia e impacientava e isso, aliado à minha muito pouca vontade de aprender tais lides, à minha irrequietude e rebeldia, se mostrou muito conveniente para mim... Era o pior que me podiam pedir...
A minha mãe encaixa-se no prototipo de avó disponível e cheia de ensinamentos para dar aos netos, apesar de ter (e muito bem!) uma vida própria... é tão bom quando temos vida própria e mesmo assim todos os nossos amores se encaixam lá... Acho muito engraçada a relação dela com os meus filhos, cada um deles, respeitando os seus diferentes feitios, acho piada ao gosto que eles têm (mesmo as miúdas, que são mais velhas!) em ouvir as histórias que ela conta da sua infância, num hemisfério sul tão distante, tão quente, tão exótico e tão cheio de episódios que lhes soam, agora, a caricatos!
A casa da minha mãe tem muitas fotografias. É engraçado, pois acho que herdei dela o gosto de ter fotografias (muitas!) espalhadas pela casa. Acho que dá um "ar de lar", é quase como se esses flashes de memória nos fizessem sorrir continuamente... na casa da minha mãe já não vive o meu irmão mais velho, nem o meu pai, que serão sempre redutos sagrados da minha vida, outros meus amores mais profundos e autênticos, transformados agora numa lembrança suave e numa saudade que não tem fim; mas na casa da minha mãe eles estão, nos cantinhos, nas conversas, no ar que se respira e isso é tão autêntico, tão bom e tão estruturante para quem está a crescer!
Todos precisamos de raízes, todos precisamos de uma história, num tempo, num espaço, com pessoas que se revelaram importantes para nós, com personagens que ainda vivem ao nosso lado e que têm tanto para nos contar!
É assim, a casa da minha mãe... mesmo moderna e cheia de novas tecnologias, mesmo agitada, porque enche connosco, que somos muitos, mesmo informal, porque espontânea e prática... é cheia daquilo que é mais importante: afeto, raízes e história! E é exatamente isso que quero passar aos meus filhos!
 

PARIS ( Post escrito na última noite em Paris) Estamos a deixar Paris. Esta é a nossa última noite nesta cidade maravilhosa. Já cá t...