quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

 
 
TERNURA
 
 
"Nem o maior revolucionário abandona a ternura"...
 - CHE GUEVARA -

 
 
Há coisas que nos tocam e interpelam e que produzirão sempre esse efeito, por mais anos que tenhamos, ou por mais que já tenhamos escrito acerca delas. Fazem parte da nossa natureza e pronto, não há nada a fazer! Nunca as sentiremos como tema repetitivo, pois para nós será sempre novo, eloquente, significativo! É isto que me acontece com temas relacionados com GENTILEZA, AFETO, TERNURA, CORDIALIDADE... Não me considero "cor-de-rosa", nem o quereria ser... Sou romântica (já o tenho dito), mas sei que há cinzentismo, há "garras de fora" quando tem que ser, há tomadas valentes de posição, ou quente, ou fria (o morno, nem sempre é exequível...), há determinação e ainda bem! O equilíbrio que devemos ter na vida encarrega-se de nos fazer sentir tudo isso nos momentos devidos.
 O gosto pelos temas referidos não tem nada a ver com isto... tem a ver com uma necessidade muito grande que sinto de dizer que é por aí, pela ternura, que terão que passar todas as mensagens, com toda a veracidade dos seus factos que, muitas vezes, são duros!
A ternura, a ternura... Tive durante muito tempo uma frase de eleição, atribuída ao Che Guevara (não sei se será mesmo dele, mas vi-a num site, ou revista, já não me recordo e era atribuída a ele...), que era: "Nem o maior revolucionário abandona a ternura". Adorei desde logo a frase. Significou para mim decisão, firmeza, luta, mas ternura, como se tudo tivesse que ser "mesclado" com esse brilho para se perpetuar, no tempo, nos corações, nas memórias.
Pouco sei do Che Guevara. Aquilo que sei acaba por ser o senso comum normal, aliado a mais alguma informação pontual que a vida vai trazendo... Sei que nasceu na Argentina, trabalhou desde cedo e estudou ao mesmo tempo, formou-se em medicina e uma viagem que fez de bicicleta, com um amigo, pela América central fê-lo deparar-se com uma série de condições de vida miseráveis e paupérrimas, o que lhe fez ter um "click" revolucionário, altamente inflamado também, pelas condições de vida políticas e sociais que se viviam na Argentina do seu tempo... daí para a frente é o que se sabe, até ter sido assassinado na Bolívia, nos anos sessenta. Independentemente de todas as coisas menos boas que todas as revoluções/lutas armadas/guerras têm, ficará sempre ligada a este homem (e a outros como ele, nos seus tempos, nas suas histórias...) uma aura romântica, revolucionária, idealista. Pela minha parte, penso assim. Um filme que vi sobre a sua vida e essa tal volta de bicicleta que fez pela América Central ("The motorcycle Diaries", 2004), contribuiu para essa ideia e quando "descobri" a frase que lhe atribuo, achei que estava certa.
Então, sejamos todos revolucionários, firmes, lutadores, obstinados por aquilo em que acreditamos, teimosos, persistentes, mas ternos, inflamando com ternura todas as mensagens que quisermos passar. Não passarão todas, certamente, a vida encarrega-se de "processar toda a informação" e selecionar, com o tempo, o que é útil e o que não é, mas de certeza que deixaremos uma marca, mesmo que levezinha, nos outros! Bora lá?

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