quarta-feira, 12 de agosto de 2015




MUITO E MUITÍSSIMO

(dá força ao verbo, isto...)

O tempo está abafado e meio nublado, com o sol escondido por detrás de umas nuvens teimosas que transformam em ar de estufa, tudo o que respiramos. A água da praia tem estado quentinha e a pele sempre colada com uma transpiração irritante e pegadiça, própria de climas tropicais e de uns Agostos que nos habituam sempre a uns dias assim.
Há gente por todo o lado. Dizem que isso é bom para o turismo e tal, mas confesso que prefiro o nosso Algarve calminho com os nativos de sempre que, por serem de sempre, têm às vezes estes laivos de pretensiosismo egoísta. 
Vou começar a desligar interruptores e vou mantê-los forçadamente desligados até aos últimos diazinhos de Agosto, altura em que o meu biorritmo se preparará para um novo ano que se inicia em Setembro e não em Janeiro, como nos impõe o calendário.
Mas como as datas e os calendários têm a forma da nossa vida e andam, por isso, às vezes, desencontrados da convenção, o meu/nosso é assim.
Dormir, descansar, comer, correr, ler, namorar, nadar, preguiçar, estar com..., passear, mimar, observar, e, sobretudo, desfrutar, desfrutar muitíssimo de tanta coisa bonita que vou ter à disposição, será este o lema e com ele, acredito, carregarei baterias para um Setembro que daqui a pouco está já aí com o seu peso brutal, carregadinho de logísticas para resolver.
Ah, já agora... posso a cada um dos verbos acima, acrescentar o advérbio de intensidade MUITO, ou MUITÍSSIMO, já que a vontade de os praticar é tanta também.
Boas férias!




domingo, 9 de agosto de 2015








DOCE PASMACEIRA



Foi mais ou menos isto e foi tão bom! Ter-te um dia só para mim, termo-nos um dia só para nós, sem horários, sem logísticas, sem pressas. Apetecia-me prolongar aquelas horas e aquele silêncio. Apetecia-me fazer parar o tempo e cristalizá-lo ali, naquela pasmaceira tão boa. Gostei de te ver outra vez entre falas e sorrisos e de ver que sim, és como eu escolhi, mesmo que às vezes sejas o sapo da história e estejamos os dois por detrás das pressas. Sim, porque há pressas e há sapos e pedras nas vidas das princesas e dos príncipes que, acredito, todos queiramos ser.

E mesmo num Algarve insuportável em Agosto, há ainda recantos escondidos para onde, às vezes, vale a pena fugir. E é aí, nesses sítios só nossos, que se carregam baterias, se partilham segredos, se namora sem fim, se abraçam projetos, se imagina um futuro, se descobrem príncipes e princesas de carne e osso e vidas reais! 
E quando penso em tanta e tanta gente que vive o (s) seu (s) amor (es) sem estes buraquinhos de calma, sossego e doce e apaixonada pasmaceira, onde se toca, fala, ouve e beija em outra dimensão, tenho pena, pois sei que isto é vital, como vital é o sol, a água, ou a luz...
Foi isto, um dia cheio de horas só nossas e foi tão bom! 





segunda-feira, 3 de agosto de 2015


GALINHA GORDA

Quando penso em vocês, queria um mundo perfeito, onde coubessem todos os vossos desejos e anseios. Quando penso em vocês, gostava de vos ver sempre felizes e sorridentes, de bem com a vida e gratos por tudo o que têm. Quando penso em vocês, gostava de ser uma daquelas mães de filme, que nunca gritam, estão sempre bem-dispostas e giras e serenas. Quando penso em vocês, vejo que sinto as vossas dores todas, como se fossem minhas e que, nessas alturas, só  queria mesmo era ser assim uma galinha bem gorda, que vos pusesse a todos debaixo da asa grande, de onde só sairiam depois do mundo ter sido arranjado outra vez.  
É, de facto é nisso e em muito mais que penso, quando penso em vocês... Em arranjar-vos um mundo à medida, para nele caber tudo o que eu quero e penso para cada um, agora no presente e naquele futuro que cabe na minha cabeça de mãe parvinha e muito, muito galinha! 

Pois é... Mas o mundo não é assim e o futuro que está na minha cabeça é só meu, não pertence ao futuro verdadeiro, porque esse tem a grandessissima sobranceria de não se dar a conhecer a ninguém, nem mesmo aos mais letrados... Depois, as vossas dores, pequeninas ou grandes, infantis, ou cheias de maturidade, serão sempre vossas, mesmo que as queira para mim e a minha asa grande de galinha gorda pode estar sempre lá para que nela se aninhem, mas não vos pode ofuscar o caminho, nem nublar o horizonte de descobertas e estratégias, daquelas só vossas que vos farão crescer e descobrir sozinhos os trilhos e este é o mundo real, realzinho, realzinho e é nele que todos vivemos.
E neste mundo real, desejo eu, haverá sempre espaço para momentos assim, debaixo da minha asa gorda, aos bocadinhos, mesmo antes de vos deixar seguir caminho, para as vossas coisas e dores. E esta é a melhor parte... saber que essa asa não tem idade...!






segunda-feira, 27 de julho de 2015

 
 
 
 
O TUTANO DA COISA...
 
 
Há algum tempo enviaram-me um mail que andava girando pela Net, com um artigo chamado "Teremos sempre Nova Iorque".
Escrevi um post depois de o ler. Foi assim um click inspirador, como alguns outros, que às vezes, me caem no colo.
 
Acredito que sim, que somos nós que fazemos os lugares, e que o nosso estado de espírito quando deles usufruímos, ditará para sempre o tutano que lhes tiramos, como se o chupar até ao âmago da essência da coisa nos desse dele, do lugar, tudo o que tem de bom. Aí, nesses lugares, somos nós próprios, mais autênticos, mais felizes, mais soltos, mais leves, mais animados, quase sempre... Desses lugares, fica-nos num cantinho da memória e da mente, um suave print, como que tatuado...
 O post da Marta, no seu blog que sigo com TANTO prazer, fez-me ver que há outros que também pensam assim.
Às vezes imagino-me a ir a sítios onde ainda não fui, explorar novas cidades, novas experiências, ver coisas diferentes, ter coisas novas e excitantes para contar. Pois é, deve ser giro isso também, mas confesso que cada vez mais me surge como tentadora, a sensação de quietude, rotina, calma e tranquilidade que os lugares que já elegi como MEUS me dão, como se nada pudesse competir com essa avassaladora sensação de felicidade, pessoal, ou a dois, ou a três, ou a cinco. É sempre assim aqui..., ou aqui..., ou ainda aqui...
Sim, porque afinal, no mais fundo de mim, é assim que sou mais feliz... contigo, convosco, juntos.
E no fundo, teremos sempre a (s) nossa (s) Nova Iorque (s), porque a outra, a verdadeira, não foge, acho eu e pode esperar...
 
 
Boas férias!!
 
 
 

sábado, 18 de julho de 2015




CANÇÃO DE EMBALAR


Não conseguíamos hoje chegar à praia, com tantas coisas para resolver, tantas delas alheias à nós, mas pronto, lá fomos para uma das nossas praias de eleição, com acesso (quase) restrito a poucos (ainda!).
Miúdos connosco, barulho e confusão. Fomos dar um mergulho à costa. Dunas e mar, só. Ninguém no horizonte mais próximo... Água quente, um caldo, mergulhos sucessivos e corpo logo, logo seco. Deitei-me na toalha e ouvia-te respirar ao meu lado. Pus a cara naquela curva que adoro, que vem do teu queixo até à dobra do ombro. Sentia a tua barba a picar-me e enlevei, embalada pelo barulho do mar, o vento e nada mais. Sei que passei pelas brasas, assim sem mais nada. Sei que esses minutos duraram pouco. Sei que os miúdos ouviam-se ao longe. Sei que consegui descansar um bocadinho. Sei que logo voltei à realidade. Sei que me soube bem.
A felicidade não tem receitas... pois não, de facto, não tem... mas terá momentos destes, assim, pequenos em minutos, mas grandes de outras coisas que lhes damos.




E aqui fica a foto possível, ainda tu dormias, embalado pelo mesmo mar...

segunda-feira, 13 de julho de 2015




PALMADINHA?

(tenha ela a forma que tiver...)

Eu esperava por vez no multibanco. À minha frente, ela ia fazendo a operação enquanto falava ao telemóvel. Espantada, no final, verifica o talão e começa a insurgir-se contra ela, a mãe, que assim, que assado, que não lhe pôs dinheiro na conta, que agora vai ver o que lhe vou dizer, que agora é ela que paga, quero lá saber, que sim, é uma parva, o que é que ela pensa, que ando aqui a dormir?, que é sempre a mesma coisa, que 'tou farta disto, que é mesmo estúpida, caraças, tou farta mesmo! 

Estava mesmo irritada e falava da mãe, sim, que repetia-o à pessoa do outro lado da linha, disso não havia dúvidas. Sei que já estava eu na minha vez e ainda a ouvia, ali mais ao lado e o tom de desdém mantinha-se. Pobre mãe, tive pena dela!
Conheço a miúda daqui e dali. É da idade da minha filha mais velha. Anda na mesma escola e frequenta, provavelmente, os mesmos sítios de miúda normal. Fogo, foi um choque para mim aqueles modos e a forma como falava da mãe. Acho que nada justifica aquilo. Foi inegável para mim que uma miúda de 17 anos que fala assim da mãe, com aquela ligeireza desagradável e com aqueles modos, foi menina que poucas vezes deve ter sido repreendida e que deve ter vivido sempre com o síndrome princesa-que-tudo-pode-e-tudo-faz-porque-tem-sempre-alguém-que-faz-por-ela-e-que-lhe-apara-os-golpes-todos-de-menina-mimada. Calculo que com a mãe, ao vivo, também fale assim, de certeza, tal foi a ligeireza.
Pois...
Tenho 3 filhos... pois é! Não sei o que a vida me reserva... pois não... mas sei que nunca lhes admiti que me falassem num tom menos próprio e choca-me, com esta idade que já tenho, ouvir miúdas e miúdos da idade dos meus a referirem-se aos Pais com aquele desdém...
É que, digam o que disserem a palmada no rabo na hora certa, ou o firmar de autoridade materna/paterna nunca fez mal a ninguém e dá créditos para o futuro, acho eu...
Tenho dito!

E pronto, como eles são parte do meu futuro... aqui ficam!

terça-feira, 7 de julho de 2015




PAULAAAAAAA!!!

Estou irascível, eu sei, há alturas em que me sinto insuportável, sem paciência, impertinente e longe, longe daquilo que deveria ser na maior parte das vezes. Culpas? Algumas sim, que não sou inflexível e sei que o primeiro passo para melhorar é sempre o reconhecimento. Pronto, há alturas assim, é o que é e ninguém é perfeito. O cansaço de um ano letivo, o terminar de logísticas sem fim, este calor abrasador que me reduz a zeros, tudo contribuirá, penso eu...
Hoje, outra vez com um calor pastelento, daqueles que levantam mortos do túmulo, sentei-me numa esplanada da praia para beber um café. Respondi a três e mails, resolvi alguns assuntos pendentes e preparei-me para vir embora quando os vi e ouvi... - PAULAAAAAAAA!!! Iam em fila indiana, em grupo, todos para a costa. Um deles viu-me e gritou. Acenei e parei logo o carro, que já me vinha embora. Assim que pus o pé de fora, tinha-os aos dois em cima de mim e o terceiro um pouco mais atrás, menos expansivo, mas com uns olhos de alegria e espanto por me verem ali, fora do contexto de uma sala de aula.

Quase me fizeram cair, tal foi o abraço. Falaram de um fôlego, todos ao mesmo tempo, com palavras de todos e gestos de um deles. Lá lhes respondia como podia. Estive com eles 5 minutos e prometi-lhes uma visita para breve. Terei mesmo que o fazer. Segui no carro e pelo espelho via-os a olhar para mim, ainda, de esguelha, à minha procura, seguindo o meu trajeto. Fiquei inundada de ternura por este bocadinho que me suavizou o mau humor...

Parece que não teve nada de especial, este encontro. Parece que foi banal e muito rápido e de facto, foi. Mas nestes minutos pequeninos em que este encontro aconteceu, vi como não lhes sou indiferente e vi que, afinal, alguma (grande) coisa lhes passei. 
Este ano letivo que agora vai terminando teve algumas coisas muito boas e esta, este afeto destes meninos, passado assim por estes olhos de amor e por este correr para mim, foi sem dúvida, das melhores de todas.
Hoje vi, de esguelha, um post no Facebook que dizia que a neurociência demonstra que o elemento essencial da aprendizagem é a emoção...
Pois... e não é que concordo? Tanto, tanto, tanto?


P.S. Afinal, a vida deve ter mesmo, todas as cores!!!




quinta-feira, 2 de julho de 2015




'BORA SORRIR?

Lembro-me como se fosse hoje: iria haver um desfile e o meu vestido era horrível, achava eu... Parece que ainda o estou a ver: azul clarinho, de cavas, com uma faixa do mesmo tecido a fazer de cinto, descaído e pequenas listinhas amarelas, quase douradas. Não estava no meu elemento, que vestidos não eram muito comigo, mas lá fui desfilar com as outras. Não ganhei o prémio do melhor vestido, ou dos sapatos mais bonitos. Ganhei o prémio do sorriso mais lindo e aquilo, a sério, soube-me a prémio de consolação, como se não houvesse mais nada para ganhar e me dessem aquilo para não ficar triste.
- É o melhor prémio, disse-me a minha mãe... O sorriso andará sempre contigo, é o único prémio genuíno, é uma coisa tua, de verdade!
Não me souberam a nada, aquelas palavras. Queria era ter ganho o vestido mais giro, agora o sorriso!... Todas temos na infância uma fase Barbie, acho eu e eu, no alto dos meus 8, 10 anos, estaria lá em cheio, mesmo preferindo subir às árvores e jogar ao berlinde. Acharia já eu, nessa altura e sem saber, que isso se poderia conjugar....

Tenho um sorriso fácil, pronto. Para o mal e para o bem, sai-me facilmente, aquele e às vezes, quando me falam do meu sorriso, lembro-me desta história longínqua da minha infância feliz e percebo-a agora com outras cores e traços. De facto, ainda bem que sei sorrir, ainda bem que o faço com facilidade e ainda bem que, sobretudo, rio e sorrio de mim própria, muitas vezes. Dizem  que isso, é sinal de inteligência. Será?  Não sei, mas que às vezes é terapêutico e exorciza mau-estar, ah isso é certo!!

E que seja sempre sincero, este meu sorriso, já agora, que isso é o mais importante!!

'Bora sorrir?


    
  







sábado, 27 de junho de 2015







DESCOMPLICAR







E há dias assim, que nunca mais acabam e que parece que nos vão arrancar o que de melhor temos, porque nos sugam a energia toda, toda, toda, como uma bateria que descarrega até já nem fazer sinal. 
Mas depois há sempre a parte boa, aquela sensação que está lá ao fundo, no finalzinho do dia e que sabe a ninho, lar, tem cheiro e som que é nosso e de quem mais escolhemos e essa é mesmo a melhor parte...
Para quê complicar?

sexta-feira, 26 de junho de 2015





GOSTOS...


Gostos não se discutem, é verdade e sempre será e também por isso, legitimo a minha opinião... É somente uma questão de gosto, isto... Mas ter sido atendida hoje, numa loja, por uma miúda girissima,  super simpática e novinha, mas com umas unhas pontiagudas, ENORMESSSSSSS, pintadas de rosa  Shock, umas pestanas de dois metros que se viam à distância que não eram dela e uma base tão carregada, tão carregada, que contrariava tudo o que uma base deve ser, atordoou-me um bocadinho..... 
Então, o menos já não é mais??
Eu ainda acho que sim....
 Fogo, sou mesmo foleira...


P.S. As unhas dos pés eram verde-alface, juro...

quinta-feira, 18 de junho de 2015




BOMBONS


Era giríssima, parecia uma boneca. Engraçada, moderna, novinha, um mimo. As roupas davam-lhe um ar casual, mas muito fashion, mesmo num estilo que gosto. 
Vi-a chegar, pois passou mesmo à minha frente e não pude evitar. O espaço não era grande e, para além disso, público.
As conversas ouviam-se, sem pudor e o meu esforço de abstração era inglório.
Jesus, quando abriu a boca, foi uma desgraça. A linguagem, o tom, o ar, do pior, do pior... nada tinha substrato e nada era interessante. Nada condizia com a embalagem, como se ao abrir um bombom, o recheio estivesse podre.

Lembrei-me de um post antigo deste blog em que relato algo de muito, muito parecido e depois lembrei-me de ti... tão diferente disto. Tão eloquente a falar, tão segura, tão interessante. Tens muitos defeitos, como eu também e todos nós e ainda bem, pois eles tornam-te uma pessoa normal, que é o que se quer, mas não me lembrei deles. Lembrei-me de tudo o que nos prende a ti quando falas, como se fosses magnética e como se o teu tom seguro e sereno transformasse o que dizes em verdade, pois então, verdade dita com voz doce, que de certeza herdaste da tua avó materna, igualzinha a ti, ou tu igualzinha a ela, que estas voltas da genética, baralham e dão, mas voltam sempre ao mesmo que se quer dizer.
Pois...
Senti-me orgulhosa por seres tão diferente. Senti-me sortuda por te imaginar um bombom verdadeiro, daqueles maravilhosos por dentro também. Senti-me contente por teres substrato e conteúdo. Senti-me abençoada por te ter, a ti e aos teus irmãos e olha, mesmo que isto sejam só os meus olhos de mãe a ver, não importa, pois é o que sinto e não te esqueças que isso, essa coisa do conteúdo e substrato, será sempre aquilo que fará a diferença, será sempre o teu maior tesouro.


Um beijo, princesa e boa sorte para amanhã!





domingo, 14 de junho de 2015





SAPOS E PRÍNCIPES





Adorei esta foto. É uma montagem básica, como aquelas muitas outras que faço às vezes para me entreter, mas gostei do resultado, dentro do básico que é... Não faz mal, é doméstica, free, informal, minha... Tenho duas rugas no meio da testa e tu, três ou quatro também. Tens muitos cabelos brancos já, nota-se na barba e eu, bem, eu nem de mim falo, é melhor... Mas gostei do olhar, meu e teu e do encontro que fazem na frase que escolhi. Esta, encontrada por acaso nas deambulações no Pinterest, cai aqui como uma cereja deliciosa em cima de um bolo quente e só eu sei como adoro cerejas e bolos quentes também!

Algumas amigas dizem que isto é só uma questão de sorte, estes encontros e estes caminhos na vida das pessoas e de duas pessoas que se escolhem e que se querem, às vezes penso nisso e no mais fundo de mim, acho que não é só. Mas pronto, ter-te e saber que olhas para mim como se eu fosse mágica, é qualquer coisa que me enche assim o peito e que no fim, sabe a conclusão poderosa. Mesmo que na tua e na minha vida haja momentos em que somos os dois, os sapos da história. Afinal, porque somos normais e ainda bem... 
Será só sorte?


P.S. Às vezes transformas-te em príncipe sim... e giro!

terça-feira, 9 de junho de 2015




PAPPY

Lembro-me das conversas que mantinha, do grau de cultura e conhecimento que mostrava, um pouco de todos os assuntos. Lembro-me dos valores que mostrava estarem sempre por trás daquilo que fazia. Lembro-me do que nos transmitia da sua vida de trabalho. Lembro-me do efeito que a sua integridade tinha e tem em mim. Lembro-me que isso me edificou como pessoa. Lembro-me da solidez que sentia entre ele e a minha mãe. Lembro-me dos assuntos sérios que abordava connosco quando achava que sim. Lembro-me da seriedade que também púnhamos quando o ouvíamos. Lembro-me do que contava do seu pai e mãe e irmãos e irmãs e África e mar e deserto e sol. Lembro-me do sentido que a palavra família tinha para ele. Lembro-me da sintonia que agora adulta sinto, por tanta coisa que me dizia e que, quando era miúda, talvez ainda não entendesse. Lembro-me do seu pragmatismo e sentido prático que sinto que também herdei. Lembro-me do bálsamo que era para mim o saber que ele estava sempre ali, forte e seguro como um farol. Lembro-me da sensação de colo que sentia, como já tenho dito aqui. Lembro-me da dignidade que mostrou até ao fim, mesmo quando estava a morrer. Lembro-me da tranquilidade que nos passou, de que tudo iria ficar bem. Lembro-me que era sempre isso que eu sentia quando ele falava. Lembro-me de uma e de outra e de outra vez que lhe falei, em lágrimas, disto ou daquilo e do efeito que as suas palavras tinham em mim.

E hoje, tudo isto veio assim ao de cima, como uma ferida que eclode do cascarrão quando se dobra a pele. Sim, porque há dias em que estamos mais frágeis e sim, porque a vida não é cor-de-rosa como se vê em tantos touch screens.
A minha é de todas as cores...
E é assim, pappy...  Como um teorema matemático, infalível e dos mais absolutos que há, sei que nos dias mais escuros, me vai apetecer sempre o teu colo. Mesmo que já não estejas aqui comigo e mesmo que eu tenha este tamanhão todo!
É que as saudades doem mesmo, a sério e não passam...