quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015





BARREIRA DE SOM




E pronto, se calhar era isto... punha assim um capacete na cabeça e ficava como se estivesse dentro de uma cabine pressurizada de um avião, imune ao calor, ao frio, ao som... É tentadora, esta ideia, ou então aquela outra de fazer uma cura de sono, manterem-me os sinais vitais em funcionamento, mas estar desligada e dormir, dormir, dormir... Depois acordava e tinha uma série de coisas chatas que tenho para fazer, resolvidíssimas e feitas. Estaria fresquíssima, como uma alface de mercado e pronta para encarar a vida real, a pele resplandecente, o corpo vigoroso, o ânimo a mil.  É gira, esta ideia... pois é, mas irreal e fantasiosa, com um filme de ficção científica.
E como até nunca gostei muito desses filmes, o melhor mesmo é encarar a vida de frente, fazer as coisas em tempo e modos reais, criar os meus espaços, todos os dias um pedacinho, caber inteira nesta cabine que é a vida, sem pressurização, ou barreiras ao som...
Pois, é melhor... e se calhar até vou tendo os meus espacinhos na mesma, não? Sem curas de sono, ou capacetes super-sónicos...