sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015




ÀS VEZES SOU IMPLACÁVEL


A roupa acumula-se como água numa poça funda. Confesso que detesto passar a ferro, é das tarefas domésticas que mais me custa fazer e, para dizer a verdade, que estou menos habituada a fazer, já que tive sempre (graças a Deus...) ajuda para isso. Agora, circunstancialmente e durante algum tempo, a ajuda está em modo pausa, por motivos de saúde, o que me/nos obriga aqui a uma super logística na gestão da roupa para passar.
Cresci a ver o meu pai super cooperante em casa. Tinha tarefas de eleição, coisas que gostava mais de fazer e isso notava-se na separação, natural, que se fazia das coisas, mas habituei-me a vê-lo fazer de tudo, sem se atrapalhar, com uma visão prática e nada dependente da minha mãe, pelo que me lembro. Hoje, o pai dos meus filhos também faz de tudo em casa, sem grandes dramas, cozinhando, passando, arrumando, aspirando, se for preciso. Há tarefas específicas que ele faz infinitamente melhor que eu, embora eu lhe vá sempre bater aos pontos, na rapidez e fluência da coisa. Afinal, o tal cromossoma X que me dota dos tais (alguns) super poderes, é o que é e mais nada!
Hoje, deu-me assim uma travadinha! Os dois mais novos em casa à tarde, comigo, a mais velha em aulas e lancei a pergunta: -"Quem quer passar a ferro? É que eu vou fazer isto, e isto e isto e a roupa quase chega ao teto..."
- Eu! - a resposta do mais novo soou rápida, levada pela novidade e eu, mãe experiente-e-veterana-na-gestão-de-timings-de-filhos-voluntariosos-mesmo-que-não-saibam-muito-bem-o-que-isso-é-e-mesmo-que-estejam-enganados-por-uma-novidade-traiçoeira, prontamente lhe separei um punhado generoso de roupa mais fácil e  fiquei a vê-lo fluir, enquanto mergulhava em tantas outras coisas que estava a fazer.

Nunca serei escrava da minha casa. Terei sempre mil e um outros interesses que me preencherão o tempo e a disposição e ainda bem, mas insisto em transmitir aos miúdos esta visão de que TODOS têm que ajudar. Nisto, sou implacável. Já tenho dito isto aqui e quem me lê, sabe que é assim. Não há cá a conversa de que é rapaz é rapariga, ai isto, ai aquilo. Ajudam todos e ponto!
Haverá coisa melhor que adultos desempoeirados, autónomos, capazes e desenrascados? Cá por mim, acho que não, mesmo que se passe a ferro ao som do futebol e com um Ipad no fundo da tábua! Cada um...