quinta-feira, 2 de maio de 2013



 IRRITAÇÃO MIUDINHA...


Conheço gente culta, com quem é um prazer conversar. São pessoas eloquentes que falam dos assuntos com sabedoria, daquela que lhes vem do que aprendem e apreendem da vida. É como se misturassem esses pedacinhos todos DE VIDA, os processassem internamente, lhes fizessem margens adequadas a si próprios, formatos de texto especiais e, de tudo isso, resultasse uma opinião interessante, daquelas que dá gosto ouvir e que retemos na lembrança por algum tempo, até porque algumas destas pessoas têm depois a capacidade de transmitir aos outros o que sabem, sendo um prazer ouvi-los. Há tanta gente assim! "Cabemos" cá todos...
Depois, há também gente que, não sendo culta, é interessante, porque não tem "erudição", mas sim (tantas vezes mais importante!!!), sensibilidade, que as "abre" aos assuntos e as predispõe a falar deles, sempre com alguma graça, ou pormenor ao qual somos sensíveis. SÃO CURIOSOS e essa curiosidade dá-lhes a graça! Também há tanta gente assim e ainda bem... continuamos a "caber" cá todos!!!
No fim, há ainda aquelas que não sabem nada e acham que sabem tudo, falando de qualquer assunto que não dominam (e para o qual são quase sempre indiferentes), como se o conhecessem há muito e estas, são extremamente irritantes. Acompanham as suas opiniões com ares afetados, tons de voz supostamente eruditos e expressões faciais e corporais que não condizem com tudo o resto que conhecemos delas, como se o suposto verniz só tapasse uma unha muito feia! E o que acho mais irónico é que muitas acreditam estar a surtir em nós os efeitos que imaginam!
E estas são irritantes porque não sabem; irritantes porque fingem que sabem; irritantes porque provocam em mim um frenesim que me desestabiliza... às vezes!
Mas que coisa! Quando não sei (e são tantas e tantas as vezes), procuro ficar calada a observar, a "absorver", aferindo a possibilidade de "opinar", ou não...
Há dias em que não evito a irritação, exteriorizo-a, porque sou impulsiva; há dias em que respondo à letra; há dias em que sorrio para dentro, tal é a parvoíce dita e opinada com ares de certeza; há dias em que só peço sempre a lucidez de não ser assim; mas na maior parte dos dias (e ainda bem!), ignoro-as e lembro-me do sábio António Aleixo:

"Eu sei porque razão
certos homens, a meu ver,
quanto mais pequenos são
maiores querem parecer"

Entre leigos ou letrados
fala só de vez em quando
que nós, às vezes calados, 
dizemos mais que falando"

E... viva o ALEIXO!