domingo, 5 de maio de 2013

 
SACO DE AMOR
 
(e porque hoje, dizem, é o DIA DA MÃE, mandei para a blogosfera, uma prenda para ti!!!)
 
 
Ela não cabe aqui! Não porque seja muito grande. Embora seja uma mulher alta, não é enorme. Tem uma cara miudinha, de traços ligeiros e bem desenhados. Os olhos são castanhos, ligeiramente amendoados e o cabelo é escuro, muito ondulado, o que a fazia usá-lo quase sempre muito curto. Agora já o vai deixando crescer, embora se recuse a pintá-lo, ou a disfarçar os brancos que, não sendo muitos, contrastam com o escuro. É uma mulher bonita, de traços suaves, com um sorriso sincero e doce que seduz quem a conhece, fazendo sentir logo empatia por ela. Ninguém que não nos conheça nos associa. Não sou fisicamente parecida com ela, mas revejo-me no seu feitio e maneira de ser, na sua forma de falar e expôr as ideias, na sua capacidade de se relacionar de forma que julgo assertiva, na sua impulsividade e sensibilidade e, no geral, acho que somos parecidas nisto tudo. Há também tons de voz, formas de sorrir, maneiras de responder e de dizer... a genética tem destas coisas; manifesta-se de tantas formas!!!
Foi mãe pela primeira vez muito nova, com 20 anos, depois 22 e depois 29 (faltavam três dias para fazer os 30, costuma dizer com orgulho!!!)! Hoje é uma mãe jovem, para filhos já adultos e pais de filhos e filhas também. É uma avó moderna, que conduz, que "navega" no computador, que viaja, que tem uma vida muito própria, uma identidade só dela, que a caracteriza e que nos encanta, porque achamos que sim, que as nossas vidas não se podem sobrepor à dela própria. Lembro-me de histórias da minha infância, de tomadas de posição que sempre tinha, de atitudes que tomou, da lucidez que mostrava sempre nas questões, às vezes, pouco clarividentes para todos, menos para ela. Lembro-me dessa lucidez de análise para os problemas que, passava, subtilmente, pelo ar, lá em casa, fazendo-nos respirar a todos um ar limpo, seguro e profundo, próprio da marca dos grandes homens e das grandes mulheres. Lembro-me da perda que viveu de seu pai, depois de sua mãe, depois de um dos filhos, depois do marido... Lembro-me do salto em frente que sempre deu para não ficar presa a uma amargura que seria certa, lembro-me do ancoradouro que sempre fez da sua fé, grande baluarte espiritual e contextualizador de toda a sua força, lembro-me de grandes decisões profissionais e outras que sempre teve que tomar e de como isso era discutido/partilhado por todos nós lá em casa, na tal rede enorme de afetos que nos unia, lembro-me da presença que mostrava sempre (e mostra ainda!) para as minhas dúvidas: como pessoa, como jovem mãe, como mulher; lembro-me do bálsamo que era sentir que ela estava sempre ali, à disposição, à mão de semear, à distância de uma viagem de 5 minutos de carro, de um telefonema, de um SMS, tão perto, sempre tão perto; lembro-me da forma com se relaciona agora com cada um dos netos, à medida das diferenças de cada um, mas dentro do mesmo saco de amor, lembro-me da ternura e consideração que tanta e tanta gente sente em relação a ela, lembro-me do amor de filho que este filho que há 17 anos arranjou, por extensão a mim, sente por ela, como se mãe dele mesmo fosse; lembro-me da certeza que sinto quando penso que foi ela que me ensinou a ser mãe e que é dela o exemplo que copio, sem me aperceber, todos e todos os dias da minha maternidade... De tudo isto me lembro e de tudo sei que não me posso lembrar mais, porque não caberia aqui, não cabe, não há espaço para um amor assim. Por isso deixo só este bocadinho de amor, só esta pontinha de verdades que fazem colorir a minha vida e a dos meus e digo-lhe do fundo do coração: Obrigado, mummy, só por existires para mim!
 
Ah, e olha, como sei que nunca estiveste sozinha... achei que ias gostar desta!!!