segunda-feira, 13 de maio de 2013



 5 minutos


Faltavam 5 minutos para o serviço fechar e 5 minutos é uma eternidade de tempo quando se quer. Que o digam todos e todas aqueles e aquelas que se desdobram em mil de manhã, com os miúdos e os horários, lutando contra uma preguiça e cansaço mal disfarçados e contrariando um ímpeto que nem sempre é exuberante... 5 minutos de antecipação são providenciais no trânsito, por exemplo e sinto isso diariamente, como uma estatística teimosa...  
Pois e então, faltavam 5 minutos para que pudessem sair para a hora do almoço e o meu pedido e a minha chegada foram altamente inconvenientes... que chatice, devem ter pensado, logo agora! Imediatamente a seguir a mim, outro pedido de outra pessoa que se aproximou (ainda dentro de um horário que, não sendo eterno, ainda estava "na validade...") e aí, foi o descalabro. Todos os disfarces caíram e foi evidente a má-vontade com que nos atenderam, parecendo que nos faziam um favor. Pareceu-me ouvir que comentavam entre si o impropério de termo-nos dignado a aparecer àquela hora! Sinceramente fingi que não percebi... ando tão saturada de estupidezes mesquinhas e cérebros pouco lubrificados e arejados, que optei por uma indiferença surda e silenciosa. Os cérebros pouco lubrificados e arejados, vão-se tornando moda. Isto não tem nada a ver com conhecimentos académicos, já que esses, muitas vezes, não tiram a tacanhez; tem a ver com horizontes, saídas de si próprio, fugas a zonas de conforto às vezes tão pequeninas e limitadas, tem a ver com curiosidade, sensibilidade, abertura e simpatia! E isso, cabe tudo em 5 minutos!
Vim de lá mal-disposta e intuo que quem estava a seguir a mim, também! Fiz o que lá me levara, a correr e saí, fui apanhar ar, ouvir os barulhos indiscriminados da rua, andar sozinha porque sim, beber um café preto,preto, passar os olhos por uma daquelas revistas onde só leio os títulos e onde há tanta gente que nem sei quem é, mas que parece sempre bonita, aperaltada, agradável à vista...(hoje não me detive a descortinar-lhes os sorrisos fingidos, os truques de beleza que escondem tudo o que é natural, não me questionei sobre as suas vidas... hoje apeteceu-me só, sem pensar muito, ver as letras bonitas e coloridas, os casamentos perfeitos, as profissões de sonho!!!), mandar dois mails e sms do telemóvel porque tinha conversas para pôr em dia e a seguir voltei para a escola.
Sentei-os todos em roda cá fora, à sombra, fiz aí a hora do conto, para ser diferente dos outros dias todos, explorámos as imagens e conceitos do livro, identificaram a autora da história como sendo a mesma de outra e outra e outra história que às vezes lhes conto, falámos, conversámos e cantámos e rimos. Não vão sendo fáceis estes momentos. Está tudo mais irrequieto, desconcentrado, alheado... as linguagens dos livros e das coisas vão sofrendo desadequações perante as vidas de alguns meninos e meninas e isto, por sistema, vai-se notando como uma cicatriz feia e vitalícia, mas no fim, senti a frescura de um ventinho suave que nos sabia bem por causa do calor. Convidei-os a fechar os olhos e a sentirem essa brisinha pequenina... Vai sendo também difícil afastá-los de super, mega, hiper logísticas que os envolvem e que convidam à pressa, fazendo-os indiferentes a estas prendas naturais e gratuitas que temos todos os dias e por isso, este momentinho final foi breve, muito breve e em jeito de remate antes de irmos para a sala, continuar o dia, outra vez... Acho que terá durado 5 minutos, se tanto, mas nesse bocadinho de tempo, coube o mundo de todos nós...  e 5 minutos não são mesmo uma eternidade, quando se quer?

PARIS ( Post escrito na última noite em Paris) Estamos a deixar Paris. Esta é a nossa última noite nesta cidade maravilhosa. Já cá t...