sexta-feira, 1 de março de 2013


PAR

Um pouco sem saber porquê, sem contar, ou premeditar, lembrei-me hoje dela em particular. De facto, as pessoas povoam a nossa vida e aquelas que nos são significativas, às vezes, preenchem-nos os momentos, fazendo-nos recordá-las e amá-las um pedacinho mais...
Sempre foi uma aluna brilhante, com muito boas notas a todas as disciplinas, o que lhe deu um leque de escolhas muito versátil, no longínquo décimo ano, nos anos 80 do século XX (!!!), onde se optava por uma área disciplinar. Era (e ainda é!) bonita, muito bonita, simpática e, sobretudo, inteligente. Lembro-me que, na adolescência, aquele "magote" de gente que povoa, um pouco inconsequentemente as nossas vidas, sentia algumas ciumeiras em relação à sua pessoa. Nunca senti em relação a esta minha amiga nada que se parecesse com isso. Aliás, acho que foi isso que, no início, nos aproximou, talvez porque ela visse uma simpatia (e depois amizade) genuína. Sentia-me bem com ela e sabia que éramos diferentes, o que foi tornando também diferentes os nossos percursos de vida. A sua beleza, inteligência e "brilho", nunca me fizeram sentir insegura, o que até poderia ter sido relativamente normal, já que a adolescência é uma fase de inseguranças natas, de procura de espaços confortáveis e, às vezes, de procura de auto-estimas que tardam em aparecer e tudo isto pode fazer "torcer o nariz" a tudo o que nos possa tornar ainda mais inseguros. Eu, contrariando o que poderia ter sido o normal, nunca senti nada disso. Éramos amigas e pronto, só isso!
Fomos seguindo os nossos percursos de vida, um pouco diferentes, pessoal e profissionalmente, mas a sentirmos sempre o "reduto sagrado" da nossa amizade, como uma zona confortável a onde voltávamos de vez em quando, como se fossemos sabendo que a outra iria estar sempre ali nos momentos mais importantes e também naqueles que não sentimos como marcos significativos, porque estão sempre lá, mas que fazem parte do normal das nossas vidas e dos nossos dias.
Eu construí uma vida familiar diferente da dela, com uma estabilidade afetiva que me faz ter um contexto pessoal diferente e sinto que esse meu contexto, lhe serve de referência, como se ela o procurasse, não porque é o meu, mas sim, porque é aquele parecido com o que ela também gostaria de ter.
Quando penso nesta minha amiga, lembro-me logo daquelas séries de televisão que retratam a vida de várias mulheres amigas, tão diferentes entre si, umas, com filhos e com a vida "a mil", sendo protagonistas de relações afetivas longas e cheias de história, conjugando a "filharada" com a profissão e outras coisas (e claro, esta sou eu!!!); outras, sem filhos, investindo em carreiras de sucesso e  tendo logísticas tão diferentes; outras ainda, com filhos, mas sem uma relação de PAR que lhes encha as medidas, e então o "tal projeto a dois" vai sendo adiado, porque ainda não se encontrou o que se quer. Atrever-me-ia a dizer que "aqui" está esta minha querida amiga. Hoje, adulta, tenho algumas verdadeiras amigas, com quem tenho muito em comum, mesmo referindo-me a este contexto afetivo e familiar. Isso faz-me sentir uma cumplicidade deliciosa nas conversas e desabafos, nas partilhas e opiniões; mas também tenho outras amigas com "caminhos" tão diferentes. Talvez este post possa ter um bocadinho de todas elas, de uma forma ou de outra, enaltecendo o respeito que lhes tenho e a amizade que por elas sinto; mas hoje, particularmente, lembrei-me de uma amiga em especial e é a ela que quero dizer que sei o que procura, sei no que ela se revê e compreendo-a, sei que esse caminho de procura do PAR vai ter que ser feito por si. Nunca se saberá se será longo, ou curto, se será linear, ou conturbado, mas tenho a certeza que, tal como a Áurea canta, "não é preciso prometerem-nos a lua... às vezes, basta sentarem-se connosco e ver o luar"... talvez isto, lhe suavize a busca, quem sabe, e era isto, hoje, que lhe queria dizer.


 

BOLHA (Arejada de conforto emocional...) E quando o dia foi hiper cansativo e sentimos que isso, mais o calor insuportável ...