domingo, 2 de dezembro de 2012

 
 
 
ARAUCÁRIAS
 
Tenho muitas vezes o dilema interior entre o ficar a dormir ao fim-de-semana e o ir fazer caminhadas, corridas, passeios pedestres... digo que "tenho muitas vezes este dilema", porque fico dividida entre duas coisas que GOSTO MUITO de fazer!
 Sempre fui desportista, pratiquei natação de competição alguns anos, a atividade física sempre fez parte da minha vida, embora não de forma obssessiva e é uma coisa que me dá gosto, mas deparo-me, nesta fase com sensações de cansaço mais ou menos frequentes, com necessidades muito sentidas de preguiça, de "ronha" que me sabe tão bem! Acho que até tenho conseguido equilibrar as coisas, não renunciando a uma, ou a outra, já que ambas se apresentam como necessidades preementes a satisfazer... o descanso matinal ao fim-de-semana assume-se como um "bónus" delicioso que finda uma semana de trabalho e de alvoradas involuntariamente obrigatórias e a atividade física é uma obrigação para uma vida saudável. Então, os últimos fins-de-semana têm conseguido ter momentos desses, de caminhadas longas, corridas, passeios pedestres... São sempre momentos de inspiração, quer pela paisagem que se vê, quer pelos enquadramentos vários que assumem, quer pelo sentimento de "dever cumprido" que trazem consigo. Há sítios tão lindos e tão perto de nós!! À custa de muito os vermos quase que passam despercebidos e incólumes à nossa indiferença!
Hoje tive um desses momentos. Fui fazer uma caminhada à beira mar, acompanhando o percurso da duna primária de uma praia próxima... senti a brisa levezinha a entrar-me para os pulmões, deixando um misto de odores que, sôfregamente inalei; vi bandos de corvos marinhos que formavam uma nuvem negra no céu, em forma de V, gigante; ouvi o grasnar de gaivotas; vi mariscadores dobrados sobre si próprios, tempos e tempos infindos e, instintivamente,  gabei-lhes essa capacidade e... paciência (!), vi casais, velhos, novos, sós e acompanhados e pensei, que giro, todos tiveramos a mesma ideia para este pedacinho da manhã de hoje e fiz isto tudo, vi isto tudo, enquanto conversei, aos bocadinhos, parando às vezes quando o ritmo cardíaco acelerava, dando sinal de que as caminhadas se querem, preferencialmente, silenciosas!... porque será?
Então, sugeriram-me (tenho um artista cá em casa...) fazermos este ano a árvore de natal, utilizando uma daquela ARAUCÁRIAS velhas que se vêm por ali. A Araucária é uma árvore típica da América do sul e também da Austrália. No Brasil é conhecida por "pinheiro do Brasil". Vive há mais de 200 milhões de anos, tem um tronco recto, quase cilíndrico e ramos pequenos, verticais. Adapta-se bem às condições de luminosidade em solos a pleno sol, que é onde cresce, preferencialmente. Está em riscos de extinção, nos seus países de origem. Confesso que não sei se a árvore que vimos e à qual me refiro aqui será exactamente (com aquela exactidão científica) essa, mas é muito parecida, o que me leva a mim, um espírito livre e muito distante das classificações botânicas a classificá-la desta forma (que me perdoem os entendidos...). Tive uma reação rápida, impulsiva e espontânea de negação (sou tão diferente do meu artista!!!) Que disparate! Que feia! Não..., nem pensar!! Os olhos de artista que me acompanhavam começaram a elencar-lhe qualidades: é excêntrica, é diferente, chama a atenção no meio do resto por causa de qualquer coisa que não sei bem o quê... ouvi, ouvi com atenção e, despercebidamente, comecei a olhá-la de soslaio... sim, de facto, era interessante... No meio da restinga destacava-se com um não sei quê qualquer...sim, tinha um encanto subtil, sim, talvez fosse verdade!
Pensei de imediato naquelas pessoas que, sem serem bonitas, são vistosas, chamando a atenção para si próprias, de forma tão natural que nem se apercebem, aquelas pessoas para as quais, se olharmos com atenção, mesmo que seja de soslaio, descobrimos uma beleza muito própria e única! Serão aquelas pessoas que fogem do padrão tradicional e comummente aceite como belo, mas que o são, mesmo, mesmo de verdade, suportando a ideia de que a maior beleza deve ser aquela que é o mais pessoal possível, aquela que tem um toque único de cada um!
Acredito que a minha Araucária vá ficar lindíssima como árvore de Natal, fazendo lembar aquela história do pinheirinho (já muito adaptada de ano para ano e por isso, já com uma grande dose de "invenção", mas maravilhosa e perpetuada pelas "asas" das histórias e lendas) que, tendo sido a única árvore que quis acolher um passarinho ferido, não se importando com a "desarrumação" que isso causaria às suas agulhas, se transformou na árvore mais bela da floresta, passando a mensagem de beleza, amor, ajuda e tantas outras coisas boas.
Feliz Natal!!!!