quinta-feira, 9 de outubro de 2014



POTE DE OURO




A deusa Íris tinha a função de arauto divino e, como mensageira, deixava um rasto colorido no céu, de cada vez que passava. (Isto, na mitologia grega, onde se dava aos deuses e deusas, tão facilmente, coisas e tarefas dos homens e das mulheres verdadeiros.)
Esta deusa devia ser gira e divertida como as cores que carregava e que ia espalhando por aí... talvez até fosse cheirosa, porque estas cores parece que têm um cheiro doce e bom como uma guloseima de que gostamos. Afinal, são cores giras que ficam bem juntas, agarradinhas num arco grande, quase todo enrolado à volta do céu. Esta deusa devia rir enquanto fizesse tudo isso, talvez travessa e malandra por clarear e alegrar um céu triste e cinzento de chuva. Sim, essa Íris devia ser estouvada, engraçada e teimosa. De repente e depressa, desapareceria do olhar, e consigo, levaria outra vez as sete cores que pintara no céu. Talvez as levasse para outro céu, outros olhos, de outros meninos e outras meninas que a quisessem ver, a si e às suas 7 felizes cores agarradinhas. E seria sempre assim, todos ficariam felizes sempre que a vissem... 

Hoje, ao final da tarde, depois de um dia cheio e cansativo, com tanta coisa menos feliz que vi e que apalpei de perto, tive este deslumbre de visão, numa esplanada da minha cidade. Sorri também por momentos para aquele arco no céu, fotografei-o e lembrei-me que esta história que inventei em cima, agora assim de repente, poderia ser aquela que contaria a meninos pequenos sobre o arco-íris... Ficam sempre tão contentes quando o vêm!
Sim, acho que lhes contaria uma história assim... não lhes falaria no tal pote de ouro, escondido numa das pontas do arco. Isso, são outros quinhentos e esse pote, acredito que está em cada um de nós... enquanto não o descobrimos, podemos sorrir só com esta Íris!!