domingo, 4 de maio de 2014




BIGMUMMY

(também tenho uma...)


Eu era endiabrada, gostava de subir às árvores, descia rampas íngremes sem as mãos no volante da bicicleta, aprendi rapidamente a assobiar com os dois dedos indicadores na língua, irritando a minha doce avó Lurdes, era campeã de berlinde e não parava quieta, mas também tinha uma delicodocice muito feminina, aprendi depressa a gostar do sossego de um bom livro, colecionei com gosto os postais da Mary May (que ainda tenho), tinha uma lágrimazinha fácil e adorava brincar com os Barriguitas (sim, já os apanhei na minha infância...), com um desvelo maternal que sempre imperou nas minhas brincadeiras.

Sempre quis ser mãe e isso, mesmo com a névoa que o futuro tem na cabeça de uma menina pequena, imperava com sobranceria, como se, mesmo não sabendo mais nada, disso tivesse a certeza.
Acredito que este meu desejo teve berço também na referência que a minha mãe foi e é para mim, como se eu imitasse, na infância, sem saber, aquilo que a via fazer e dizer e ser e ensinar. Claro que sim, afinal, eu sei que as brincadeiras dos miúdos são espelhos grandes e quase sempre límpidos daquilo que vivem na vida real. Pois a minha vida real tinha (e tem) uma mãe gigantesca, que nos ocupa o coração todo, amaciando-o com um bálsamo de afetos que se mescla com firmezaclarividência, autoridade, doçura e muito, muito amor. Tenho também a certeza que isso me estrutura como pessoa e foi cimentando, ao longo do tempo e devagar e silenciosamente, esta minha vontade de ser mãe.
Hoje, ela continua a ser assim, um braço de água fresco, para onde me apetece mergulhar e é lá, no mergulho profundo, no mais fundo de mim, que a vejo sempre a ela, que vejo os meus três filhos e que lhes agradeço por preencherem assim, desta forma desbragada, todos os bocadinhos que tenho.
E é por isso que os ponho aqui assim, lindos...
Quem disse que este post era sobre mim?