terça-feira, 2 de julho de 2013

A TODO O GÁS




Acontece-me muitas vezes ir quase a chegar ao meu destino, quando conduzo, e começar uma música de que gosto muito. Então, adio um pouco a paragem do carro e dou mais uma voltinha, por mais uma ruinha, porque aquela música é irresistível! Já tenho dito aqui que a condução em estrada, a par de uma boa música que se vai ouvindo, é para mim um ótimo relaxante, vá-se lá entender porquê! Lembro-me que, quando era pequenina e íamos à feira andar nos carrosséis, os meus preferidos eram os carrinhos, não os de choque que eram perigosos para mim naquela idade, mas os outros, aqueles que andavam todos em filinha, tipo caravana. Eu, sentava-me ao volante e imaginava-me crescida, a conduzir de verdade e lembro-me do jeito que dava à mão, enquanto lhe fazia deslizar o volante, como via os adultos a fazerem. No dia em que tirei a carta de condução, nessa tarde, conduzi um carro novo, enorme, proibido para quase todos e lembro-me que me obriguei a contrariar os nervos, achando que "se era para ser, que fosse já!"... Nas viagens de carro que fazemos, se por acaso são longas, já se sabe que uma das voltas (para lá, ou para cá) é conduzida por mim, pois é uma coisa que adoro, se bem que aí, sou eu que escolho também a  música que se vai ouvindo. O prazer da condução tem que ter o complemento do prazer da música. Até costumo dizer, por graça, que me imaginava com a carta de pesados, que seria uma coisa que gostaria de saber fazer! Enfim, não paro nunca para pensar de onde me virá este gosto, é assim e pronto e há coisas que não se explicam! 
Hoje aconteceu-me, a chegar ao meu destino de manhã, começar uma música imperdível dos Queen (não serão todas imperdíveis?)... eh pá, não consegui parar o carro! Tive que ouvi-la até ao fim, aumentando em mais 5 minutos o meu já algum atraso matinal que se sistematiza assim que os miúdos entram de férias!!! E a música veio mesmo a calhar... "under pressure", o que me fez lembrar "sobre pressão", "a todo o gás," que é exatamente da forma que melhor funciono quando tenho qualquer coisa para fazer e que se anda a arrastar, a arrastar, a arrastar.... aquelas coisas chatas, entediantes que temos que fazer, mas que nos aborrecem, sejam elas do trabalho, de casa, ou do que quer que seja...
E também nisto sou tão diferente do meu mais-que-tudo! Tenho em casa, mesmo aqui à mão e vivido na primeira pessoa, um palco com dois atores tão diferentes, mas que se completam tão bem, pelo menos será esse o resultado que se evidencia, julgo eu, no fim de tudo! Como se o contraste resultasse num apuramento da cor! 
Eu funciono bem sobre essa pressão. Se tenho qualquer coisa para fazer, com prazos para cumprir e muita logística envolvente e inadiável para gerir, funciono em modo "caos organizado", a todo o gás, respondendo a um ritmo frenético, mas eficaz, o que resulta sempre em prazos cumpridos e objetivos atingidos. O meu espírito prático faz-me priorizar, organizar, relativizar, enfatizar, conforme o tempo disponível, o espaço, a hora e o objetivo. Acredito que esta propensão para "fazer várias coisas" (e bem!) ao mesmo tempo, não seja só pessoal, mas comum ao género feminino. Como cuidariam as mães de si próprias, de vários filhos e de trabalho e de casas e maridos e tudo e tudo e tudo o mais que têm para cuidar se não tivessem oculta e escondida no mais fundo do seu código genético, uma capacidade para assim ser?
O meu mais-que-tudo não! É ultra, mega organizado, ponderado, metódico, necessita de tempo e calma e sossego e silêncio (tudo o que às vezes eu não tenho... pelo menos da forma gratuita que ele tem...) para fazer as coisas, para estruturar no tempo o que eu estruturo no momento, instintivamente... Tem uma grande capacidade de organização, mas não funciona sobre pressão! Se para mim, a pressa resulta muitas vezes em eficiência e resolução, para ele, resulta quase sempre em agitação, nervoseiras e perfeições que deixam muito a desejar, no seu entender e eu acho que é só no seu entender...
Mas pronto, no final, quem resiste a isto?