quinta-feira, 11 de julho de 2013




LETARGIA


"Inação, apatia, inércia, torpor, indiferença..." in, DICIONÁRIO DA LÍNGUA PORTUGUESA 2011, PORTO EDITORA








Não aguento tanto calor! Gosto muito do Verão, como já tenho dito aqui  (http://agridoceedoce.blogspot.pt/2013/06/brilho-maior-lembro-me-de-ir-padaria-ao.html) mas este calor é demais! Sinto os músculos pesados, parece que estou sempre com sono, uma letargia grande, grande, como se flutuasse e não me conseguisse organizar no meio de tanta coisa que tenho para fazer inerente a uma conclusão de ano letivo. Lá as vou fazendo, à custa e apoiada nos papelinhos memorandos que me auxiliam nestas tarefas logísticas, no trabalho e também em casa, no meio de todos os assuntos pendentes que me perseguem... Depois, vão surgindo riscos, feitos a marcador grosso, que assinalam a morte de mais um pendente e vou pensando que, bem, afinal, não derreti ainda e lá vou sobrevivendo... a minha mãe diz que sou dependente do ar condicionado e sei que sim, mas sentir-me transpirada, com os cabelos colados ao pescoço, com a roupa também colada, a respirar um ar tão quente que parece queimar, não é, de facto, para mim! Admiro aquelas pessoas que conseguem, a meio de um dia de trabalho, estar esplendorosas  cheirosas, penteadíssimas, arranjadíssimas e todos os demais adjetivos na sua forma superlativa absoluta sintética. Eu não consigo e sou de uma transparência translúcida, que o calor faz aparecer, estando em modo chique durante a primeira, ou no máximo segunda horas do dia. Mas pronto, resigno-me ao facto de não ter um termostato natural assim tão eficaz que me faça habituar, pacificamente a estas temperaturas! Depois, de forma que contraria a natureza, sinto um despertar de fulgor e vivacidade, à medida que o dia vai chegando ao fim. Aí, às vezes, dá-me um pico de energia que surpreende tudo e todos e faço as coisas num virote, rapidamente, sem hesitar. Não entendo isto, nunca me dão estas ânsias, de manhã, pela fresquinha, porque será?
E assim vou flutuando no meio desta canícula abrasadora, sorvendo sofregamente o que ela tem de bom: as esplanadas à noite, os gelados, os mergulhos no mar, as férias que vão chegando, o rever de amigos e amigas veraneantes, as conversas jogadas fora à beira mar, os panachês fresquinhos só porque sim, os pratos de tremoços, o cheiro a after-suns deliciosos, as saladas fresquinhas, o gelo nas bebidas e pronto, afinal, sobrevive-se a este calor quase mortal, é verdade, mesmo que não seja em modo chique...