terça-feira, 4 de junho de 2013

O MEU AGRIDOCE...
Quando eu tinha treze anos, a minha avó materna vivia connosco. Éramos pois, seis pessoas lá em casa. Eu e o Nuno éramos, julgo, adolescentes normais e o João, muito mais novo, diferente nos centros de interesse e assuntos, mas meu acompanhante para quase todo o lado. Achavam graça ao miúdo! Os meus Pais trabalhavam ambos e eu, assumia um pouco, a pequena logística que envolvia este mano pequeno: levava-o ao colégio muito perto de casa, ia buscá-lo para almoçar quando os horários eram compatíveis e tornava depois a levá-lo. Era giro, isso! À laia de curiosidade, refiro que hoje, "vejo" o meu irmão todos os dias, através do meu filho mais novo, que é igual ao tio.... mas voltemos aos meus treze anos e a toda a panóplia de recordações que isso me traz, para além destas: usava o cabelo curto, era magrinha e endiabrada. Gostava de fazer desporto e da vida ao ar livre. Lia muito e adorava fotografia e cinema. E, embora não pensasse muito nisso, acho que era uma miúda romântica e sonhadora, com um toque de rebeldia que "temperava" a questão. Estudava q.b, mas tinha sempre boas notas, sobretudo a português,  outras línguas e história. Detestava matemática e achava alguma graça à geografia... Gostava de estudar em voz alta, fingindo que dava uma aula a alunos invisíveis e imaginários e isso ajudava-me a sistematizar a matéria sem estar sempre a escrever!
Ela é magrinha como eu era, mas não tem o cabelo curto. Tem uns olhos verdes magníficos, grandes e pestanudos, exatamente como eu sempre imaginei que uma filha minha tivesse (não me perguntem porquê, mas os olhos verdes sempre fizeram parte do meu imaginário...). O cabelo é preto, como o do pai e comprido. É exótica, esta filha! Também é endiabrada e também gosta de fazer desporto. É muito expressiva e gosta de tudo o que tenha a ver com artes: pintura, fotografia, cinema, dança. Aliás, esta filha, dança maravilhosamente... é estouvada e temperamental. É a mais generosa dos três irmãos, com um "oh mãe, desculpa!!!", muito fácil e espontâneo que nem a parvoíce da "aborrescência" lhe conseguiu tirar. Também não fala nisso, mas eu sei (o que as mães sabem, meu Deus!!!), que é romântica e sonhadora, mas também determinada e decidida, sem paciencia para muitas pieguices, também com um tempero engraçado de alguma rebeldia. Poucas horas depois de nascer, recusava-se a mamar e chorava DE-SAL-MA-DA-MEN-TE (!!!), atraindo atenções várias para a sala onde estávamos... "choro de genio" - disseram-me, "zangada porque não consegue mamar!"... - "parvoíce", pensei, mas palavras certas, sim senhor! Tem um génio intempestivo, daqueles que a fazem levar tudo na frente, mas é maravilhosa... o agridoce do meu sabor!

Hoje faz 13 aninhos e este post é para ela. Presumo que o ache uma piroseira e que tenha na ponta da língua um "ai mãe!!!" veemente, à boa moda das adolescentes que efervescem com tudo, especialmente se esse TUDO partir da mãe, ou do pai, mas mesmo assim arrisco, esperando que um dia o ache eloquente e engraçado (sei que sim, pois é sensível e inteligente...). Sei que entre os meus longínquos 13 anos e os dela, há uma diferença geracional, com tudo o que isso acarreta de hábitos, usos e costumes diferentes, mas também sei que há coisas em comum: a rapidez, o afeto, os irmãos, a generosidade, a intempestividade, o encanto pelas coisas... isso, espero que fique para a vida!
Para ela escolhemos o nome SOFIA, (sabedoria) e o meu coração de mãe quer acreditar que a buscará sempre na vida, nas coisas, nas pessoas e crer que assim, será uma pessoa cheia do mais importante: humanidade!!!

PARABÉNS, MEU AMOR!!! 

P.S. Sorrio em segredo quando te vejo a estudar também em voz alta, falando para alunos imaginários...)






















PARIS ( Post escrito na última noite em Paris) Estamos a deixar Paris. Esta é a nossa última noite nesta cidade maravilhosa. Já cá t...