segunda-feira, 11 de abril de 2016






SÍTIOS PRECIOSOS



Esta foto está na minha mesa-de-cabeceira, com mais duas, ou três, de outros e outras pessoas que formam bocados de mim. Está numa moldura de anjinho redondo, daquelas que têm uma pinça que sustenta as fotos quase no ar. Todos os dias a olho de frente e sorrio. Acho-a doce, como doces são as recordações de infância que tenho contigo: as brincadeiras de rua, tardes inteiras, no nosso bairro de infância, as torradas com marmelada e manteiga que a avó Lurdes nos fazia, a nossa (mais tua que minha) primeira bicicleta, onde eu queria, à força, pôr um cestinho à frente, as cadernetas de cromos de que eu depressa me fartava e que só tu querias continuar a fazer até ao fim, (pois sempre foste mais paciente que eu), os acampamentos na ilha da Fuzeta, cheios de primos e primas, os saltos das gigantescas dunas de areia das praias de Vale do Lobo, as maravilhosas férias de Verão no Minho, na aldeia do avô João, os banhos no rio Neiva, (que tinha até uma pequena cascata maravilhosa) as idas para o Porto no comboio com as carruagens-cama, os primeiros acampamentos e atividades dos Escutas e Guias, tanta e tanta e tanta coisa boa, nos meus primeiros anos de vida, tão felizes, contigo sempre ali ao meu lado. Foi contigo que fiz as primeiras travessuras. Sim, fi-las certamente mais do que tu, que eras bem mais ajuizado que eu, diz-se... De muitas, oiço com gosto os relatos da mamã, nos dias em que estamos juntos e quando vem a propósito. Foi contigo que aprendi a ser irmã, um bocadinho e foi contigo que recebi, aos 8 anos, outro irmão, que nos caiu no colo e que nos fez tão felizes. Lembro-me das listas de nomes que fazíamos para escolher o nome do bebé que aí vinha. Tinha que ter João, se fosse menino, de resto, podíamos escolher. E foi João, ganhámos os dois um João maravilhoso.
Tanta coisa Nuno, tanta maravilhosa coisa que vivi contigo e tantas, tantas saudades que tenho e que continuarei sempre a ter de ti. NÃO HÁ REMÉDIO PARA ISTO QUE SE SENTE. Havia tanta coisa que gostava de te contar, de partilhar contigo, de te dizer, de ouvir a tua opinião. Havia tanta coisa de irmã que sei que ias gostar de ouvir e de me dizer também.
Nunca, mas nunca por nunca poderia estar preparada para a tua partida. Tivesse eu a idade que tivesse quando isso aconteceu. E por isso quero manter-te sempre comigo, dentro do coração, no centro, naquele sítio secreto onde guardamos o que temos de mais precioso. Como tu... 
Hoje apeteceu-me dizer-te isto! 
Afinal, parece que é o dia dos irmãos...