segunda-feira, 18 de abril de 2016




EUREKA!






- Oh mãe, não contes nada a ninguém, ok?, ou - Oh mãe, sabes do papá? Estou farta de lhe ligar e nada... (Esclareça-se que o pai trabalha a 500 metros da escola de todos e eu, estou noutra cidade...) Ou ainda, - Oh mãe fala lá com o papá, a sério, faz lá uma forcinha...  - Meto-te uma cunha, é isso? Posso dar-lhe um toque, mas tu é que tens que falar com ele - respondo... E tantos, tantos outros exemplos.

Os meus filhos não podiam ter um pai mais amigo, mais presente e mais atuante nas suas vidas. Um pai mais imiscuído nos seus percursos, histórias e assuntos, um pai mais interessado por eles e respeitador dos seus ritmos e hábitos, mas pronto, um pai também que às vezes adquire, sem ele próprio saber como, este dom da invisibilidade, muitas vezes conveniente, calculo... Confesso também que às vezes o invejo, com aquelas invejas boas que mal não trazem nenhum. Naqueles dias mais cinzentos de cansaço, em que o olhar e os sentidos se nos toldam, em que só nos apetece fugir e viver anestesiados para o mundo, em que gostaríamos de ser estupidamente egoístas, amaciando um ego que é parvinho, parvinho, às vezes, mas que nos sabe bem, por pedaços...



Pois é, mas este MUM'S POWER torna-nos elásticas e depressa nos tira estes devaneios, ginasticando-nos para um filho e para outro e ainda para mais outro com as trinta mil solicitações que cada um tem e UFA, RESISTIMOS E CONSEGUIMOS E, EUREKA (!!) sem dramas e com a capacidade de relativizar exponenciada a mil.
E esta capacidade sei que é comum a (quase) todas as mães. E é por isso que ficamos menos invisíveis do que os pais, acho eu. Porque damos conta do recado ... E somos rápidas... 
E depois o bom, bom, bom é termos o pai ali, sempre ao lado, para, numa cumplicidade atuante e maravilhosa, agir connosco sempre em sintonia.
Sortes... Pois...