segunda-feira, 16 de novembro de 2015




PARIS


Sempre fui otimista, sempre achei que as coisas, no geral, acabam por correr bem e sempre achei que pensar muito sobre elas, às vezes, não nos faz bem. Por isso, dei sempre um quê de arrojado à minha vida, arriscando aqui e ali, desta ou daquela forma, fazendo mais assim, ou mais assado, muitas vezes sem uma rede completamente pensada, ao milímetro, por baixo. Não, não sou leviana e sim, peso prós e contras e enquadro-os na minha realidade, mas acho que um quê de aventura, risco, futuro, romance, até, darão sempre pitadas de sal que dão sabor. Mas isto sou eu... 
Agora, para isto, para esta iminência do mal em todo o lado, do medo, do imprevisível horror que nos pode, em forma de bomba, cair em cima, não estou preparada, não quero estar preparada, não quero convencer-me que terei (teremos) de passar a viver assim, como se esse medo e horror tivessem que passar a fazer parte de nós de forma tão automática que levem a definir maneiras de estar e posturas que temos na vida. Com todos os riscos de dizer agora um lugar comum, quero passar aos meus filhos a ideia de que têm que ser otimistas e felizes, acreditar na Humanidade e pensarem que o mal existe sim, existirá sempre, mas o bem pode ser (é) infinitamente maior e melhor. Quero que percebam que não vivemos num castelo de princesas, onde a história acaba sempre bem, com aquela frase linda do "viveram felizes para sempre", mas que pensar em finais felizes nos dar-nos-á sempre uma sensação boa, trazendo ao de cima os nosso melhores sorrisos.
Pensar assim pode dar ideia de que sou ingénua... Pois, é outro risco que corro. Mais um...  Mas na verdade, o que eu acho é que é apenas uma vontade de não desistir. Se desistir, não estarei morta já?

P.S. Estive em Paris numas férias maravilhosas, com o meu filho mais novo na barriga. Será sempre essa lembrança de luz, otimismo, felicidade e futuro que terei quando pensar em Paris.