sexta-feira, 13 de novembro de 2015





APETECIA-ME...





Apetecia-me, amanhã, acordar às 11 da manhã e ficar a fazer ronha. Esquecer-me da casa à minha volta e fazer uma inspiração prolongada de nada, só de ar e preguiça de fim‑de‑semana. Apetecia-me ir almoçar fora, com requinte e sossego e depois ficar numa esplanada a ler, apanhando este sol de novembro que dizem vir de lendas e histórias que passam para nós. Apetecia-me depois ir ao cinema e beber um café, daqueles com natas verdadeiras e um pauzinho de canela para mexer. Apetecia-me ver um compacto das minhas séries na televisão e deitar-me contigo, mesmo que não tivesses visto nada, mas estavas ali comigo, porque sim. Apetecia-me acordar com sol, fazer uma corridinha rápida ou caminhada, almoçar peixe grelhado e pronto, olhar para a casa um pedacinho para também não parecer mal. Apetecia-me comer umas castanhas assadas, de um cartucho cheio, sem nenhuma estragada e ficar com as mãos sujas das cascas farruscadas. Apetecia-me passear ao fim da tarde, ver pessoas e sítios que com a calma têm outra cor e outro som. Apetecia-me ler mais mais e ficar de pijama cedo, à tardinha, com pantufas nos pés, preparando a semana que ia entrar e deitar-me tarde outra vez, porque é sempre assim quando o fim‑de‑semana acaba. Apetecia-me ter-vos a todos por ali comigo, a juntarem-se aos meus programas, mas sem pressas ou correrias, só juntinhos porque sim, faz parte e é minha já, esta realidade que adoro. Apetecia-me ter-te a ti, só para mim, com calma, como acontece sempre que a pressa não anda atrás de nós.
Pois é.. 
O meu fim-de-semana não vai ser assim... Nem de perto, nem de longe. Mas também sei que o mundo, a vida, as coisas e as pessoas têm muitas cores diferentes... e momentos... e tempos e espaços. 
E não é que somos felizes também?

  LEITE DERRAMADO Já estou submersa, naquela fase do meu trabalho em que só vejo papéis à minha volta e em que sinto que tenho ...