quarta-feira, 22 de janeiro de 2014



FARNICOQUES

(... ou fernicoques, já nem sei!!)


Sim, já tenho 41 anos, a caminho dos 42, como é possível (?) e, de facto, uma das coisas que sinto agora, cada vez com maior frequência é a falta de paciência para certas coisas, não para episódios como os de ontem, com a velhinha do supermercado (http://agridoceedoce.blogspot.pt/2014/01/e-facil.html) , mas sim para conversas pouco eloquentes, sem conteúdo, cheias de observações parvas e, sobretudo, cheias de ar, balofo, ôco, um ar cheio daquilo que não se sabe, mas que se acha que se sabe... Para essas pessoas que enchem o peito de ar quando falam, observo, à distância, em perspetiva, mas com uma grande dose de impaciência, como se o meu tempo fosse muito precioso e não o quisesse desperdiçar assim... Gestão das prioridades, diria...

Estou submersa no ensino, eu sei, mergulhada mesmo, de uma forma que, admito, me fará ver as coisas de outra maneira, com outra perspetiva. Talvez por isso conheça melhor os colegas de outros ciclos, ou então os problemas com que se debatem diariamente, as dificuldades que inundam as escolas, as contrariedades que nos são impostas, as fragilidades das estruturas familiares dos nossos miúdos e não estou a falar só da questão económica, mas da questão do desalento, da falta de horizontes, do limiar da perda de uma esperança, que será sempre a única e última mola propulsora de otimismo... Talvez por isso conheça melhor o sistema, dizia eu... Também lido com crianças e jovens fora do contexto escolar, devido a uma série de atividades que tenho, que me fazem lidar com eles, suas famílias, suas maneiras de estar e de pensar... Talvez isto também me dê outra lente, outro foco, mas pronto, é mais forte do que eu e não posso evitar sentir uns farnicoques teimosos por todo o lado, quando estou em reuniões de Pais na qualidade de mãe e oiço tanto disparate, tanta super proteção, tanto o meu filho é o melhor do mundo e o mundo é que gira contra ele, coitado (!), tanta falta de autonomia, tanta desresponsabilização de meninos e meninas que já são homens e mulheres, tanto apontar de culpas a uma escola que só é verdadeira se tiver como parceiros os Pais, tanto medo de traumatizar meninos e meninas que são egoístas, mimados e infantis, tanto pavor de os chamar à razão, responsabilizar, penalizar, se for caso disso...
Não sou uma mãe perfeita e os meus filhos não são perfeitos também, não há professores, ou escolas perfeitas, não há sistemas de ensino imbatíveis, não há estruturas de conjuntura envolvente infalíveis, não há todas as facilidades que gostaríamos à nossa volta, mas há sempre a opção de procurar em nós, em cada um, a solução para muitos problemas, a adaptação a muitas realidades, a motivação para o sucesso, a ambição pela conquista daquilo que queremos, o confronto direto com os nosso erros... Mesmo que depois disto, tudo pareça ainda cinzento, quase negro, ao menos, estaremos vivos!!