terça-feira, 9 de abril de 2013



SERÁ AINDA POSSÍVEL?


Tenho uma consciência política normal, acho eu, nem de mais, nem de menos.    Vivi sempre em cenários familiares de grande fervor opinativo, com consciências cívicas muito apuradas, o que fez criar em mim uma identidade de cidadania" bem oleada", acho eu... Os meus Pais fugiram de uma guerra e isso, por si só, será uma experiência dolorosa, mas rica, em termos humanos, familiares, culturais... 
Nunca vivi os fervores políticos com exagerada intensidade, mas também nunca fui indiferente. Sou sensível aos discursos (sobretudo quando "vêm de dentro", quando têm ALMA), às políticas, às posturas e lideranças genuínas e sempre exerci o meu direito de voto, orgulhosa de o poder fazer, filha de uma geração que herdou esse direito. O meu "certo romantismo", levava-me a honrar esse direito, pensando naqueles que me antecederam e não o podiam fazer, ou naqueles que conheço (da leitura, do conhecimento geral, da história...) e que sei que ainda não o podem, hoje, fazer. É como uma mola propulsora que me leva sempre a agir, orgulhosa...
 Sou de uma geração nascida quase "em cima" da revolução de abril, tendo crescido por isso, em liberdade, sem ditadura, sabendo da existência de vários partidos políticos que dividiam entre si o poder, tendo-me habituado a ver a sucessão de governos, equipas, etapas, fases; acompanhando os discursos políticos daqui e dali e formando uma consciência política com esses apontamentos todos que depois, comigo já mulher, se foi definindo, especificando... achava eu!!!
Hoje sinto-me desencantada... agarro-me, como uma náufraga  à urgência de não poder perder a esperança, sob pena de tudo estar perdido, mas sinto um desencanto tão grande quando olho à minha volta, que me apetece pedir que venha um "El-Rei das brumas do desconhecido" e que apareça de repente aqui e que nos consiga (me consiga, já que é de mim que se trata...) encantar de novo... Será ainda possível?
Quando penso no meu País, a sensação de náufraga quase desesperada vem de novo e desta vez tento agarrar-me às milhentas possibilidades de sucesso que este luso cantinho retangular tem, com clima, tradição, cultura, história, geografia favorável, gente capacitada, e espírito de aventura e coragem e penso... o que falta? É irritante ver inoperância, lentidão, dependência de outros, discursos balofos, ôcos, cheios só de ar, sem brilho, sem perspetiva, sem esperança, sem futuro... e sobretudo é muito mais irritante ver a mentira a rondar, sorrateira, assumindo ares de verdadeira, tão bem falante e astuta, que quase parece verdadeira, mesmo!!! E aqui, entramos quase todos em psicose coletiva, sendo tentados a acreditar em mentiras que, de tão bem ditas, parecem verdades e sendo quase forçados a esquecer verdades que, de tão duras e violentas, quase ficam esquecidas, já que o melhor é anestesiar o povo, para que não sinta...!!!
Ver alguns homens e mulheres da ribalta a enredar discursos por todas essas teias de mentiras e meias verdades, é entediante e desencanta-nos muito, é um facto, mas guardo em mim uma réstia de esperança (escondida lá nas profundezas e que me recuso a perder), um fôlego desesperado, um imperativo quase moral de não desesperar, tentando acreditar que os meus filhos, poderão vir a viver num País melhor, se o paradigma mudar, se a vontade continuar e, sobretudo, se a esperança não morrer. Sim, de facto, prefiro rir baixinho, ir mantendo a minha sanidade mental intacta, o meu discernimento e capacidade de juízo relativamente sãos e um pouco alheados desse universo político (pelo menos com o distanciamento q.b) e ir repetindo como os THE AVALANCHES, sempre que vejo alguém entediante e MENTIROSO a falar na televisão: "That boy needs therapy, that boy needs theraphy..."
Boa dica, David!!

PARIS ( Post escrito na última noite em Paris) Estamos a deixar Paris. Esta é a nossa última noite nesta cidade maravilhosa. Já cá t...