quarta-feira, 2 de janeiro de 2013



PEDACINHO DE CÉU

Hoje o dia seguiu numa suave pasmaceira, depois de um despertar lento e dormente, consequência de uma passagem de ano animada, com um grupo de amigos e folia, ao som de músicas dos anos 80 e 90, que puxam o pé e o corpo para a dança e animação... É engraçado o efeito que essas músicas têm em mim, fazendo-me imediatamente dançar e também lembrar outros tempos, outras danças, outras idades. Estivemos num jardim público, com centenas de outras pessoas, de todas as idades, géneros, tipos físicos e posturas, sózinhas, acompanhadas, deslumbradas, anestesiadas, ou, simplesmente, divertidas, como nós. Fizemo-nos acompanhar de toda a família, à semelhança de tantos outros que lá estavam, o que tornou tudo muito mais giro e cúmplice. Sei que não será sempre assim, sei que os programas diferirão com o tempo, mas ontem, assim foi, juntinhos, com tantos e tantos amigos que lá encontrámos, como se tivessemos tido todos a mesma ideia... Gostei muito, apesar da chuvinha, miudinha, irritante, que no fim (ainda bem que só aí) resolveu cair com força!!! Este pedacinho de noite fez-me ver que tudo o que contemos cá dentro, nas profundezas da nossa intimidade (coisas boas, más, alegres, ou tristes) se disfarçam tão bem, em momentos de feliz e simples diversão, assim só, sem mais nada. Ou porque ficam propositada e forçosamente esquecidas, ou porque o exterior é MAIOR que nós e "assalta-nos", não nos dando espaço para mais nada... como um analgésico às vezes enganador de sintomas... É como se aquele bocadinho de tempo nos tornasse a todos iguais, "chutando para canto", tudo o que virá amanhã e depois e depois e depois e que agora não apetece pensar, pois não cabe no momento...
Esta noite antecedeu a tal preguicite aguda que amanheceu com o dia de hoje, o tal, primeiríssimo, de um ano que agora  se inicia e pressagia todos os pessimismos, ou otimismos... Cá por mim, prefiro que sejam otimismos, daqueles grandes, confusos e pouco precisos, mas OTIMISMOS!!!
Nesta dormência preguiçosa, sentia quase uma culpa inconsciente e alheia a mim... é o primeiro dia do ano e só sinto pouco mais que nada? Hoje, teria a obrigação (quase moral) de mais? melhor? mais profundo? Ai Jesus, que a dormência se alastrava, como o tal analgésico potente e nada... nadinha!!!
Depois, como um raio de luz, veio o rever de um velho e grande amigo que me/nos transportou numa viagem pela eloquência da linguagem, gesto, afetos, perspicácia e educação.
Falando para uma assembleia grande e sendo EXTREMAMENTE perspicaz para captar dessa assembleia os sinais de atenção, ou dispersão (elementos essenciais para quem fala, como se não se falasse para si - como tantos - mas sim para os outros), este meu/nosso amigo enfatizava a importância da esperança, da educação e da paz. Foi muito interessante a forma como relacionou a educação com a paz. "Se formos educados, estaremos a fazer um pouco de paz"; "se formos atentos para o outro(a), estaremos a fazer pedacinhos de paz nas nossas áreas de influência" e depois, a importância que deu à cultura, à educação, como pilares ancestrais de raízes, entendimentos e explicações para a forma como vamos construindo o futuro, um pedaço todos os dias. É importante "beber" das raízes, voltar a elas, para nos explicarmos... totalmente! A importância da ESPERANÇA, como um túnel obrigatório que nos abre portas para um futuro que começa hoje!
Foi um pedacinho de céu este meu/nosso encontro. Acredito que este meu amigo seja veículo de transmissão de um Bem maior, de uma transcendência à qual, cada um, na sua mais legítima liberdade, poderá dar o nome que quiser, mas tenho a certeza que o otimismo, aquele que se quer, se apregoa, se defende, como remédio para males endógenos exteriores a nós, comece assim, nestas nuvens flutuantes que nos levam a estes pedacinhos de algodão, de onde saimos, sem nos apercebermos, muito mais fortes!

FELIZ ANO NOVO!
 

PARIS ( Post escrito na última noite em Paris) Estamos a deixar Paris. Esta é a nossa última noite nesta cidade maravilhosa. Já cá t...