sábado, 7 de dezembro de 2013




MADIBA

(*)

Há pessoas que passam pela vida e existem só, sem fazerem nada de especial, sem terem grandes arrebatamentos, sem levantarem grandes questões, sem se preocuparem muito com muitas coisas. Vão vivendo, ao sabor das circunstâncias, adaptando-se com alguma rapidez ao que as rodeia e isto porque assim não questionam, nem arranjam assunto para pensar. Não vivem, só existem... Conheço muita gente assim e às vezes, quando estou mais cansada, mais desalentada, naqueles dias cinzentos que todos temos às vezes, acho que essas pessoas são mais felizes, mais despreocupadas. Sei que, felizmente, essa sensação é tão volátil como o cansaço desesperado que vai e vem e ainda bem, pois sei, no mais fundo de mim, lá onde moram aquelas verdades verdadeiras que nos estruturam e que não são cinzentas, que essas pessoas não são MESMO mais felizes... são mornas, indiferentes, insonsas, sem sabor! Podem até entreter-nos, conviver connosco de forma agradável e sem grandes ondas, mas de INTERESSANTE nada têm, MESMO!!! 

Depois, acho que haverá aquelas pessoas "intermédias", que vão vivendo assim como estas primeiras, mas que têm também, de vez em quando alguns acessos de "mais qualquer coisa que não só a normalidade de todos os dias" e estas, aquando desses felizes episódios, ganham assim cor e forma e sabor e chamam-nos a atenção e interpelam-nos, mesmo que só por momentos e mesmo que depois voltem ao marasmo de todos os dias e por fim, acho que há depois aquelas pessoas verdadeiramente geniais que passam diretamente para os livros de histórias que ensinarão gerações e depois, logo a seguir, instalam-se no nosso coração e pensamento e memória, para nunca mais de lá sairem.

Não me lembro de ter estudado o Nelson Mandela na escola. Ele foi aparecendo no entendimento da minha geração, assim, ao sabor das notícias que sabíamos do mundo e, sobretudo, depois da sua libertação, surgiu como um símbolo de resistência, liberdade, superação, exemplo.
Agora, "passando os olhos" pela sua vida, acho interessante que seja um de 13 filhos, oriundo de uma família tribal; que tenha sido filho da 3ª esposa de seu pai; que se tenha recusado a seguir os desígnios que lhe estavam destinados pela família; que se tenha sentido interpelado por acontecimentos vários que lhe aguçaram o espírito crítico e a sensibilidade para as diferenças e para a necessidade de as enquadrar com igual respeito,; que de todas as tradições onde nasceu e cresceu, tenha retido frases, apontamentos, episódios que cimentaram depois o seu desejo de liberdade e, sobretudo, de igualdade; que tenha tido uma infância onde pôde ouvir histórias ancestrais e fábulas e mitos, contados pelos mais velhos; que se tenha revoltado sempre contra o que achava injusto; que na prisão, privado de tudo, tenha aprendido a pensar a longo prazo, já que achava que "as questões que hoje atingem a humanidade, exigem mentes treinadas"; que mesmo na prisão tenha conseguido manter o contacto com personalidades importantes e tenha agido, sido interventivo e atuante; que depois de ter sido libertado se tenha conseguido adaptar a um mundo vários anos diferente; e que, por todo o testemunho de vida que teve e que deixou, se tenha tornado intemporal e que, por isso, tenha passado diretamente para o meu (nosso) coração.
E sim, hoje contei ao meu filho mais novo, quem foi este homem, porque o acho (achamos) tão importante e porquê que, como ele me dizia, todas as televisões só falem nisto... é que há pessoas assim, filho, que marcam a nossa história com uma tinta permanente, e ainda bem, porque o que têm para nos contar, não acabará nunca, de tão grande que é...
Acho que ele percebeu a mensagem...


(*) Nome do clã Thembu a que Nelson Mandela, originalmente pertencia. É também o nome de um Chefe Thembu do século XIX.
Palavra que define um tratamento carinhoso e respeitoso.

(Wikipédia)



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