domingo, 22 de dezembro de 2013

FELIZ NATAL!!!



Marca a FERRO QUENTE


(Vi hoje num post de uma amiga, a pergunta: "A saudade tem que ser má?")


Há pessoas que não são substituíveis mesmo, que continuam a ficar em nós e para nós de forma única, como aquelas que ninguém poderá igualar, porque tiveram um peso e um significado, porque deixaram uma marca que vai furando a pele, mistura-se com a epiderme, entra mesmo lá para dentro para a hipoderme, apanha o tecido adiposo, que está colado aos orgãos, depois o fluxo sanguíneo e pronto, já não a apanhamos, fica a fazer parte de nós para sempre, quase como uma marca de ADN!
A imagem deles será sempre essa, fazem parte de mim, identificam-me, caracterizam-me, confundem-se com a minha maneira de ser pessoa e às vezes, vêm para fora com a força da lembrança que tenho, do sentir que sinto, com aquilo que deles falo, testemunho, conto, relato. Assim, sei que ficarão para sempre!

No Natal, mais do que noutras alturas, esta marca a ferro quente quase salta cá para fora e quero-os aqui comigo, quero ver-lhes a cara, o sorriso, quero ouvir-lhes a voz, quero sentir dele a segurança paternal e lapidar na minha vida, fazendo-me sentir que nada de mal me aconteceria e dele, o sorriso e a ternura de irmão mais velho, tão diferente de mim, mas tão cúmplice e amigo, nas diabruras, nas confidências. 
No Natal, tudo isto fica colado à emoção assim de forma mais instantânea, sem que me aperceba, sem que force ou faça por isso. A lágrima está sempre mais ali à mão, a voz entrecorta-se por tudo e nada, paira no ar uma nostalgia teimosa que teima em entrar cá em casa, mesmo nos momentos felizes, mesmo em modo quase-férias, mesmo na minha zona de conforto.
Depois, olho à minha volta e vejo que tenho que estar feliz, mesmo que essa nostalgia da saudade me continue a invadir, que tenho que agradecer, que tenho que ser grata e reconhecer que tenho o que é tão importante: três filhos maravilhosos e saudáveis, um homem completo, equilibrado e lindo, a meu lado, companheiro, amigo, mais-que-tudo delicioso, uma mãe e irmão mais novo tão importantes e únicos para mim, uma família alargada tão grande, variada e bonita, uma profissão que adoro, apesar de todos os desencantos que a atingem, amigos, amigas, enfim... 
Sei que esta saudade não vai acabar nunca, porque sei que vou continuar a querer sempre tê-los perto de mim, com uma teimosia egoísta própria das pessoas que são normais (acho eu...), mas também sei que esta saudade será serena, calma e que não ofuscará o resto, mesmo que haja num dia ou noutro, uma lágrima mais grossa a rolar.
E é assim, com uma nostalgia (quase) serena que tento entrar em modo- contagem-decrescente-para-o-Natal, lembrando-me deles, daquilo que foram (e são) para mim, lembrando-me do que deles conto, lembrando-me do efeito que ainda têm na minha vida, lembrando-me do sorriso diário dos meus filhos, da presença do meu mais-que-tudo, da luzinha do meu presépio, do bulício único e insubstituível da minha casa e então sei, tenho mesmo a certeza, que aquela marca a ferro quente já está misturada com a pele, como uma cicatriz, faz parte de mim e que tenho, mesmo assim, o mais importante para todos os Natais.

FELIZ NATAL PARA TODOS!