sábado, 7 de setembro de 2013




SWEET LORAINE


Durante os últimos 15 dias de férias, aqueles tais, repletos de poder quente e anestésico, (http://agridoceedoce.blogspot.pt/2013/08/pos-operatorio-unica-vez-que-fui.html)  nem me lembrei da televisão. É certo que a Net me substituiu, em muitas frentes, a necessidade que sinto, como quase todos, de ver televisão, para estar informada, para me distrair, ou só porque tinha esse hábito, como se aquele aparelho fizesse parte da família. De há uns tempos para cá, fui-me desabituando cada vez mais de olhar para a caixinha, dita mágica... substituo-a pela Net, pela leitura, pela música, embora, confesse, não resista a um bom filme, ou a uma boa série de um dos canais por cabo. Sou super fã de algumas!!

Então, hoje, enquanto a rotina se ia (re)instalando devagarinho nos nossos dias, liguei a televisão, sim, enquanto fazia o jantar! Não suporto os anúncios logo a seguir ao genérico, imediatamente a seguir, que irritantes e também a meio... quase 20 minutos de anúncios no meio do noticiário, não há mesmo pachorra e nisto pensava, quase reativa, a querer desligar o aparelho, arrependida de ter tomado a iniciativa de querer ouvir aquela voz cansativa, aquelas notícias cansativas, aqueles anúncios cansativos, que não trazem nada de novo, que amarguram, que persistem em leites derramados da vida, quando, entre uma pitada de sal na comida e uma mesa que se punha quase ao mesmo tempo, olhei para ele... Era um velhinho perfeitamente desconhecido, mas tinha os olhos brilhantes e parecia que ouvia algo com atenção, emocionado. Fixei o olhar na peça que passava e captei a atenção, de colher de pau na mão, levantada... Percebi que esse velhinho, muito velhinho, de 96 anos, mandara para uma editora uma carta/poema/letra, falando da sua mulher, falecida no mês anterior e com quem estivera casado 75 anos (!!!). Ao que parece, tinha respondido a um anúncio qualquer, de uma editora, para compositores e músicos. Avisava, no envelope enviado, que não era compositor, ou músico, apenas queria escrever SOBRE a sua mulher. A editora, sensibilizada com as suas palavras, resolveu compor, para aquela letra, uma música, respeitando o título original... Sweet Loraine, era o nome da canção! A melodia que ia surgindo por trás do que diziam e das imagens que passavam era muito suave e harmoniosa e corri para apontar o nome dele (FRED STOBAUGH) e também o da canção. Depois, com calma, depois do jantar e loiças e afins, milhares deles, fui à Net descobri-lo... De facto, explicavam o que disseram na peça, mas aí, ouvi a música toda, com calma, sem a Bimby a apitar pelo meio... Não tem nada de profundo em termos de letra, é até repetitiva, mas doce, doce, como os olhos daquele velhinho e julgo ter sido essa doçura E A FORÇA DAQUELE AMOR que sensibilizaram o pessoal da editora, como me estavam a sensibilizar a mim, durante aquela notícia barulhenta...

Neste mês faço anos de casada. São já alguns aninhos de um percurso a dois que é meu/nosso, íntimo, pessoal, privado e do mais sagrado e verdadeiro que tenho na vida. Dele apenas direi que é estruturante para mim e contribui para o meu equilíbrio. 
Esta peça e esta melodia, fizeram-me imaginar como seria bom que eu, assim, velhinha como o Fred, pudesse ainda falar com esta ternura daquele que amo e que escolhi para pai dos meus filhos... Os meus olhos brilhariam assim, ou a minha voz ficaria entrecortada assim? Estaria lúcida, capaz, com entendimento ainda? Não chegaria àquela idade de certeza, nem por sombras, mas que é lindo é!! 
Não conheceremos nunca o futuro, afinal, ele só começa amanhã mesmo... apenas podemos dar-lhe no presente, formas e cores com que o imaginamos, da dimensão que quisermos, mas este amor do Fred e da Loraine, tão duradouro e bonito, passou para além dela, fez-se futuro e chegou a nós, desta forma tão simples. E são as coisas simples, sempre as mais bonitas, que ficam para sempre e eu espero que o meu amor também seja assim!!!

E a música não é bonita?



PARIS ( Post escrito na última noite em Paris) Estamos a deixar Paris. Esta é a nossa última noite nesta cidade maravilhosa. Já cá t...