terça-feira, 3 de setembro de 2013


CONTRATO A TERMO CERTO


Mesmo que me imaginasse com o cabelo de outra cor, mais gorda, ou mais magra, vestida com outro estilo que não o meu, com mais, ou menos 5 centímetros de altura, de óculos, ou com lentes de contacto, daquelas horrorosas que põem os olhos de outra cor, enfim, com outra aparência que não a minha, talvez, acho eu, mantivesse a curva do sorriso, o brilho nos olhos quando falo de certas coisas, a necessidade que tenho de estar com os que amo, o gosto pelas coisas simples, a paixão por crianças pequenas, a falta de paciência para tantas coisas que acho que são parvoíces e que vemos todos os dias, enfim e esta certeza talvez seja por achar que é assim mesmo, há coisas que nos identificam, como se fossem uma matriz que fica gravada na nossa pele e nos faz ser assim, só isso, sem depender de nada que seja acessório e que só se cola a nós, um bocadinho!
Talvez este meu blog seja um bocadinho assim, como todos nós, se quiser agora imaginá-lo como uma pessoa com vida própria, talvez a sua essência nunca se transforme, mesmo apesar de todos os refreshs que leva, de vez em quando (http://agridoceedoce.blogspot.pt/2013/07/refresh-ultimamente-tenho-dados-umas.html) e isto justificará a sua maneira de existir, o tipo de assuntos de que se ocupa, o estilo que tem, o peso que dá a certas coisas...
E então, agora, vou dar-lhe vida outra vez, que é o que sinto que faço sempre que dou forma aos assuntos que me afloram o espírito...

Hoje teria sido um dia nostálgico... 
Sou Educadora de Infância há 20 anos e estou há 8 na rede pública do Ministério da Educação. Adoro aquilo que faço, aliás, desde que me conheço com entendimento capaz, que digo que quero ter esta profissão. Sempre fui boa aluna e lembro-me de alguns professores, no final do meu ensino secundário, menosprezarem esta minha opção, desvalorizando-a e achando que eu, com as notas que tinha, poderia optar por outra coisa. Mas era isto que eu queria. Os meus Pais, na sua sábia (sei-o agora) postura, não me tentaram demover. Fazendo equilibrar os vários pratos que as balanças da vida às vezes têm, acharam sempre que o saldo seria mesmo mais positivo se eu fizesse aquilo que gosto, já que os upgrades, complementos, pós isto e pós aquilo, viriam depois, se fosse caso disso. Segui em frente. Tive sempre a sorte (e talvez algum mérito, porque não?) de trabalhar em sítios bons, todos eles tendo, a seu tempo e ao seu jeito, contribuído positivamente para o meu crescimento como pessoa e também como profissional. Em todos eles sei que deixei uma marca, mesmo daquelas indeléveis que se traduzem pela saudade e pela ternura que lhes fica quando me recordam e eu, também, a todos eles. Isso é o melhor de tudo... Mas hoje teria sido, de facto, um dia nostálgico, pois estou envolvida numa engrenagem e num sistema de colocações completamente incongruente e de difícil compreensão que não permitiu que ficasse colocada em nenhuma escola no passado dia 30 de agosto. Já não me desgasto a explicar este esquema de colocações, como se a sua explicação exaustiva me fizesse aceitá-lo melhor. É injusto e incongruente e pronto. Faz parte daquele rol de coisas para as quais me vai faltando a paciência. Sei que a colocação sairá, pois o sistema precisa de mim e de mais alguns milhares que ficaram de fora e também já vou aprendendo a gerir esta espera, sem dramas, sem stress, pensando nos outros e outras (tantos!!) de outras profissões, de outras ocupações que estão como eu, ou pior! (tanta gente desempregada, licenciados, recém formados, indiferenciados, só pessoas, homens e mulheres como eu!). E então, após o final do meu contrato a termo certo, pensando em todos aqueles e aquelas que estão como eu, entrei no Centro de Emprego hoje de manhã. De repente, apercebi-me que levava a alma um bocadinho cheia, mesmo estando naquela situação e isso, afugentou alguma nostalgia. Como um clarão de luz, apareceu-me isto...


e isto...

e mais isto...


e ainda isto...

e com uma clarividência forte que só os grandes clarões de luz dão, apercebi-me que para tudo isto, não haverá nunca finais de contrato!

Por isso, o dia foi menos nostálgico e ainda bem!

BOLHA (Arejada de conforto emocional...) E quando o dia foi hiper cansativo e sentimos que isso, mais o calor insuportável ...