terça-feira, 10 de setembro de 2013






BONECAS DE LOIÇA


Consegui desencantá-lo para uma manhã na Biblioteca... sim, vamos para lá e podes ficar lá num computador, ou a ver um livro... se quiseres, jogas à bola lá fora, bebemos um café, estamos ali um bocadinho, vais ver, é tão bom podermos falar baixinho... Olhou para mim meio desconfiado. Sei que gosta de lá ir, mas com uma bola pelo meio, isso tem que ser... acredito pois que a parte que fixou mais foi a do computador e da bola lá fora, mas não interessa, aceitou e lá fomos. Uma das filhas acabou por aceder a que, depois dos seus programas da manhã, que passam sempre por ir aqui e acoli e depois ainda ali... passava por lá; a outra deu-me um NÃO redundante e ainda acrescentou que oh mãe, são os últimos dias de férias, achas??? A veemência daquele ACHAS??? e também a do vale dos lençóis que a chamou para si, fez-me sorrir interiormente!! Tão parecida com alguém que conheço, sempre tão pronta a não resistir a uma boa manhã de ronha!!
Lá fomos... começámos por tomar o pequeno-almoço na pequena cafetaria e conversávamos os dois sobre trivialidades. Não é a primeira vez que o levava a este espaço. Está farto de o conhecer e de ali estar, mas parecia que tudo lhe era novo, talvez por sentir a mãe com tempo, descontraída, sem pressas, ou então, talvez porque estávamos sozinhos, ou porque lhe apetecia só conversar. Arruma-me bem na cabecinha, este filho e sabe, intuí, que este mundo dos livros e das bibliotecas é mais da mãe que gosta de se sentir nele como se sente a flutuar numa água de mar quentinha!
Enquanto lhe explicava o que íamos fazer a seguir e me dizia para onde queria ir, vi-as... Eram duas irmãs, de idades muito próximas e muito parecidas, embora não gémeas, acompanhadas pela mãe que bebeu um rápido café. Às meninas, deu um gelado a cada e sentou-se com elas numa das mesas, ao nosso lado. Assim que bebeu o café, disse-lhes que ia ler para a secção dos adultos e pediu-lhes que ficassem ali sentadas até que as chamasse. No meio da agitada e fluente conversa com o meu filho, ia olhando para elas: as miúdas sentaram-se muito direitas onde a mãe lhes pedira e começaram a comer os gelados, de uma forma muito direita também, tão direita que me fez impressão! NÃO SE MEXERAM DALI!!! Como era possível aquilo? Acompanhei-as por um pedaço, enquanto durou o meu pequeno-almoço e também um pouco depois, pois de onde estava podia vê-las! NÃO SE MEXERAM DALI... parece que nem uma comichão, uma vontade de ir à casa-de-banho, uma voz um pouco mais alta, uma curiosidade teimosa, um motivo qualquer infantil as fizeram levantar, ou quase pestanejar!! Isto há com cada coisa, pensei... realmente há crianças muito diferentes umas das outras... 
Fui à minha vida e já o meu filho tinha jogado à bola, passeado no parque envolvente, encontrado um amigo, comprado uma garrafa de água, escolhido um livro para requisitar.. já tinha vindo ao pé de mim, pelo menos duas vezes, entusiasmado, contando o que estava a fazer e perguntando também o que fazia eu... queria só certificar-se se eu ali continuava, ou se o meu mergulho neste meu mar de deleite era assim tão profundo a ponto de o deixar de ouvir!
Apeteceu-me dizer-lhe que nunca será assim... mesmo que mergulhe em águas de mel, os meus sentidos nunca bloquearão para nenhum deles, acho eu e apeteceu-me acrescentar-lhe, embora ele não fosse perceber nada, que, apesar de tudo, prefiro esta sua relativa agitação curiosa, este seu jeito irrequieto e ativo, este seu turbilhão, à quietude daquelas duas meninas que, durante alguns momentos, não me pareceram meninas de verdade, mas sim, bonecas de loiça... e eu sou sincera... mesmo na história do Pinóquio, gostava sempre mais da parte em que ele foi de carne e osso e se portou (um bocadinho) mal!!!

PARIS ( Post escrito na última noite em Paris) Estamos a deixar Paris. Esta é a nossa última noite nesta cidade maravilhosa. Já cá t...