sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014


PANDAN...

Há uma semana que a cidade onde trabalho está dentro de uma nuvem de nevoeiro baixinho, irritante e deprimente. Eu, como faço pandan com o tempo atmosférico, quase me contagio com ele e de irritante, passo a irritada e de deprimente, passo (quase) a deprimida! É mesmo, à medida que o carro desliza rápido no sentido contrário ao dessa cidade onde trabalho, o sol vai aparecendo, sempre, ainda que fraquinho nestes dias e o tal pandan de cima, continua, mas agora em modo de melhor disposição. Ainda bem, rei sol, que nos trazes esses raios de humor, mesmo sem pedirmos, como se fosse uma ligação direta que não controlamos.

E foi com um humor matinal resmungão e que nunca é muito simpático, que senti, fugidia, uma mão grande na minha e umas palavras murmuradas, em segredo rápido, a um dos meus ouvidos. O torpor enlevado do sono e uma preguicite muito aguda, fizeram com que me centrasse só no gesto diferente do de outras manhãs e no toque daquela mão grande na minha.
Sim, é verdade, é dia de São Valentim, o tal que contrariava normas impostas e celebrava, à revelia, casamentos e uniões de apaixonados, o tal a quem mandavam para dentro da cela, cartas e poemas de amor, numa valentia e eloquência que só os apaixonados têm...
De vez em quando, no meu dia cinzento de nevoeiro atmosférico e outros que tais parecidos, alguns que não controlamos e que só a custo não nos atingem em cheio, porque nos desviamos teimosamente, lembrava-me da mão fugidia que tocou na minha de manhã e no segredo rápido que me foi dito a um dos ouvidos e sem ninguém ver, sorria muito... 
E hoje foi assim, simples, espontâneo, secreto, gratuito, essencial e LUMINOSO, como o sol! Apetece-me dizer... qual nevoeiro qual quê...


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