sábado, 9 de novembro de 2013



CERTEZAS MATEMÁTICAS


Faz depois de amanhã (dia 10 de novembro) um ano que iniciei esta aventura blogosférica. Confesso que nunca imaginei que este blog tivesse o efeito que tem em tanta e tanta gente e é muito gratificante para mim receber esse retorno de informação, relativo àquilo que escrevo, comento, digo e partilho. Como este exercício sempre fez parte de mim, não penso nesse efeito no OUTRO quando estou a escrever. Faço-o de modo completamente espontâneo, intuitivo e, às vezes, mecanizado, auxiliando-me do efeito que a escrita também tem em mim: catarse, descompressão, reflexão, hobbie. Acho que isso não mudará e continuará a não me dar tempo para preciosismos literários, insistindo assim, nesta escrita pessoal e despretensiosa... Penso que o que mudou foi simplesmente e só o suporte... do caderninho preto (que continua a fazer parte vitalícia do interior das minhas malas e que serve para tudo, tudo, tudo...), passei para uma blogosfera quase infinita, neste passo de gigante a que me atrevi.
E hoje o impulso foi assim, simples, espontâneo, inesperado... Depois de um dia relativamente calmo, seguimos em modo relax para um jantar a três, eu, o mais-que-tudo e a agridoce mais velha. Por circunstâncias várias, os mais novos não nos acompanhavam e lá fomos a um sítio MUITO agradável, com ar clean, luminoso e cuidado. A conversa fluíu descontraída, variada, animada e célere, ao ritmo de uma série de coisas que ali se estavam a dizer e a partilhar, resultados de uma semana inteira de pequenos tudos e pequenos nadas que preenchem os nossos mundos, de todos, e ao sabor de uma comida maravilhosa, ou não fosse eu uma, para sempre (e para o bem e para o mal), gourmet! A parte reflexiva do meu cérebro ia processando a informação durante este momento! De repente percebi que estavam ali, à volta daquela mesa, três adultos que falavam e partilhavam opiniões, que discutiam pareceres, que opinavam acerca dos assuntos que surgiam e vi-a como uma de nós, quase! Esta minha formiguinha, como lhe chamava em bebé, já não é bebé, nem sequer criança. Cresceu e acutilou o espírito, é eloquente e determinada e falámos com ela assim, despretensiosamente, como falamos com um adulto que nos acompanha numa conversa agradável e saborosa. Vai continuar a crescer e a modelar-se, eu sei, mas hoje vi-a assim, desta forma e, inesperadamente, senti que os imputs já lá estão todos e não haverá já muito mais que possamos acrescentar. O resto do caminho é dela agora e ainda bem, pois é assim que tem que ser, mesmo que continuemos aqui, ativos e atentos, SEMPRE!!! 
Olhei de relance depois para ele. Tenho a certeza que sentia o mesmo que eu, já que há coisas que não se explicam, só se sentem, suportadas em anos e anos de cumplicidade e partilha de um amor, de um projeto de vida. Talvez ele não tenha este neurónio escritor logo a pedir-lhe para passar isto para as palavras e letras, é matemático, mais racional e pragmático, mas sei, com uma certeza mais que matemática, que o sentiu também e eu, ali naquele relance de tempo, ao mesmo tempo que continuava a embalar-me na envolvência subtil e descontraída daquele momento, senti-me muito feliz por tê-los os dois na minha vida e percebi que tenho tanta sorte!!!


P.S. Quando regressava a casa, ainda cheia de ar pela minha sorte, no rádio, apanhei uma música da Mafalda Veiga. Apesar de não ser grande fã do seu arzinho aprumadinho, cabelo lisinho, tudo direitinho e de preferir alguma irreverência na imagem, acho-a um PORTENTO em termos musicais e ADORO as suas letras, sobretudo as letras. 
"Sei de cor, cada lugar teu, atado em mim, a cada lugar meu (...)"... 
Bem!!! não podia ser melhor!! Sei lá, se calhar é por isto que tenho aquelas certezas matemáticas, que, mesmo no silêncio me dizem tudo, quem sabe??? E ninguém no carro, percebeu porque sorri...

  LEITE DERRAMADO Já estou submersa, naquela fase do meu trabalho em que só vejo papéis à minha volta e em que sinto que tenho ...