terça-feira, 20 de dezembro de 2016




PRAZERES

Andava no quinto, ou sexto ano, já não sei bem. Lembro-me da escola exata em que era e por isso sei que só pode ter sido no quinto, ou no sexto ano, pois foi nessa altura que andei nessa escola. Lembro-me da sala onde tínhamos a disciplina de Português e lembro-me da Biblioteca de Turma que fazíamos. Qualquer coisa como um sistema de papelinhos onde escrevíamos o nome do livro que nos era atribuído e a responsabilidade que tínhamos depois de o comunicar à turma, de forma oral, expressiva, por palavras nossas. Não sei já precisar muito bem como fazíamos, penso que era rotativo, este sistema e lá íamos nós ficando viciados no livro a ler e a transmitir depois à turma. Não sei se a periodicidade era semanal, quinzenal, ou mensal, já não me lembro. Lembro-me bem da professora e do entusiasmo que punha nisto, de como nos arrastava para esta paixão pelos livros. Não me lembro de todos da turma, não me lembro se esta adesão era de todos, ou só de alguns, mas lembro-me do MEU ENTUSIASMO. De como desejava que aquelas aulas chegassem e de como devorava os livros que me eram atribuídos. Assim como me lembro da coleção dos CINCO que eu e o Nuno fizemos, comprando os livros à vez, com as nossas "semanadas". Assim como me lembro da coleção da Condessa de Ségur que devorei na infância, da PATRÍCIA, um pouco mais tarde e de tantos e tantos outros que me ficaram na memória. Até hoje. Esta paixão nunca mais acabou. Este formigueiro, esta agitação para ir ler a história, para estar sozinha com o livro, para desfrutar deste prazer individual e tão único que um bom livro me dá. Esta escapadela para ler mais um capítulo, este acompanhar das personagens, este beber da mensagem, filtrando, absorvendo para mim, construindo conhecimento, selecionando informação.
Talvez tenha tido a professora certa na idade certa, o livro certo, no momento certo, talvez tenha vivido numa altura em que, não havendo tantos focos de dispersão como há hoje, a leitura tenha assumido o seu pleno papel, talvez tenha nascido assim com este gosto já... Talvez. Mas o que é certo é que é um prazer do caraças, este, fogo...



P.S. E agorinha vou ali ler mais um capítulo ou dois, que não resisto. Por isso é que é um tormento levantar-me cedo de manhã...
Pois... prazeres!