domingo, 9 de outubro de 2016






PEIXINHOS DENTRO DE ÁGUA AZUL





Esta foto faz-me lembrar os almoços ao domingo, na casa da minha mãe, tua avó, onde fazemos selfies parvas e vocês ensinam a avó a instalar aplicações no telemóvel. Onde os primos brincam e nós, adultos, deitamos conversa fora. Onde se vêm, espalhadas pela casa, fotos antigas, minhas, dos meus irmãos e dos meus Pais. Onde se respiram afetos, numa família barulhenta que fala toda ao mesmo tempo. Onde se abraça a avó, quase a estalar-lhe os ossos. Onde se pode ser o nosso EU mais autêntico: barulhento, sincero, agitado. Onde a nossa raiz se afunda, para nos dar a segurança de sermos o que somos. Onde nos sentimos bem, porque parecemos peixinhos dentro de uma água azul. Onde ficamos de frente com uma receita tão simples para ser feliz.
Já o tinha dito aqui que a casa da minha mãe tem este duplo sentido. E que um simples almoço de domingo se pode transformar, se quisermos, numa coisa muito séria. 
E para ti, que agora que nem sempre lá podes ir connosco, sei que continuará a ter estes sentidos todos e mesmo à distância, te estruturará como pessoa, fazendo-te perceber que a simplicidade da vida e dos momentos pode dar-nos, às vezes, o mais importante. 
E eu, que sou tua mãe, te digo que isso é mesmo verdade...