segunda-feira, 14 de outubro de 2013






O MEU HÉRCULES



Diz a lenda que Hércules era filho de Zeus (deus dos deuses, deus dos céus e dos trovões, segundo a mitologia grega) e de Alcmena, uma mortal. Foi adotado pela mitologia romana e o seu nome mudou de Herácles para Hércules. Era considerado um semi-deus e um líder sábio e bom amigo. É também considerado o mais célebre de todos os heróis, um símbolo do homem em luta contra as forças da Natureza, um exemplo de masculinidade e um paladino da ordem olímpica. Continua a lenda, explicando que foi amamentado por Hera, deixando o peito da mãe a verter gotas de leite que formariam a Via Láctea. São inúmeras as suas façanhas, consideradas todas como atos de valentia e coragem. (...)

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Diz o senso comum e o meu genérico conhecimento que o nome Hércules está ligado à força e à valentia. São comuns expressões como, "força hercúlea", "lutei como um Hércules" e lembro-me também de um amigo que tinha um cão, com fama de mauzão, que se chamava Hércules... Não gosto de imaginar um Hércules em forma de estátua, daquelas que representam os deuses gregos e romanos, ou com tantos músculos, tantos músculos que descaracterizam a beleza masculina... talvez o imagine como o Aquiles, naquele filme com o Brad Pitt, mas isto já é outra história, eh, eh... 
Pois é... eu tenho-me sentido um Hércules em versão feminina... Não tanto no que diz respeito à força física, mas nas outras valentias, se é que as há.Tive um início de ano letivo complicado e conturbado, como já referi  aqui (http://agridoceedoce.blogspot.pt/2013/09/contrato-termo-certo-mesmo-que-me.html) e isso fez com que toda a logística inerente ao arranque de um novo ano escolar fosse, no meu caso, muito mais condensada. Já não discuto acerca deste sistema escolar que tantas incongruências tem, mas sinto que tenho que ter um super sónico radar que se vire em todas as direções, para poder responder acertadamente a tudo, sinto que tudo acontece a mil à hora e eu, qual corredora de fundo, tenho que controlar a respiração para não hiper ventilar e poder chegar ao fim com qualidade pessoal e profissional e depois, em casa, as situações também se sucedem a 200%, proporcionais a três filhos, em três ciclos de ensino diferentes. O tal oh mãe constante, repete-se como um eco teimoso e eu continuo a correr, a correr, a correr sem parar para conseguir chegar a tudo. Às vezes penso que o que me vale são os pedacinhos que invento (literalmente...) para mim, de muitas formas e maneiras, pedacinhos curtinhos, mas intensos e diários e que me fazem recarregar baterias e energias, um pouco como aqueles sítios da auto-estrada, onde podemos descansar por minutos!! E só agora, já o outubro vai a meio é que me vou sentindo a serenar e sentindo o apelo para responder a outros chamados de que eu tanto gosto. Agora, já o outubro vai a meio é que a rotina se vai instalando e sendo eficaz aos poucos, como aqueles unguentos gordos que se põem sobre a pele e vão atuando, atuando... As pecinhas vão encaixando, os horários vão-se definindo, os dias da semana vão-se organizando, os tempos para mais isto, ou mais aquilo, vão surgindo... E neste aterrar suave e progressivo da rotina, é interessante ver, em perspetiva, como somos diferentes os dois, eu e o meu mais-que-tudo, como reagimos a esta aterragem da rotina que não é instantânea, como nos defendemos, como reagimos. Eu, acelero, grito, discuto, vocifero às vezes, faço 30 coisas ao mesmo tempo, intuo, vejo em perspetiva; ele, tão diferente, mantém o ritmo, não grita, discute em modo mais suave, não vocifera, não faz 30 coisas ao mesmo tempo, mas as que faz, fá-las muito bem e há dias, tive mais uma certeza (que se junta a todas as outras) que era também uma versão masculina BEM LINDA de um Hércules, pelo menos para mim e isso foi o suficiente, quando depois de um dia de trabalho intenso e de mais isto e aquilo, arrastado pelo cansaço, foi assaltado pelos três filhos à sua volta, para estudar Matemática, para tirar dúvidas, para esclarecer o cálculo, a fórmula, assim, de repente, ao mesmo tempo, porque a urgência é assim, inesperada e espontânea e às vezes não se compadece do cansaço extenuado dos pais! Esta história da Matemática é pois e sim um pelouro do pai... Em perspetiva ia vendo a sua reação, a forma assertiva e eficiente como valeu aos três, de três níveis diferentes, de seguidinha, a paciência que teve nas respostas, a insistência que deu à sistematização, a tranquilidade e segurança que lhes transmitiu, apesar do seu próprio cansaço. Amei-o muito nesse pedacinho de dia e admirei a sua capacidade e paciência, às vezes e nessa vez tão diferentes da minha, que é tão estouvada e acelerada, a forma tão calma como lida com o cansaço que nos assalta aos dois, senti-me muito sortuda por estarmos todos juntos, por sermos assim, tão diferentes, e por ter a certeza que ele tem sim senhora, vários pedacinhos de Hércules de que tanto gosto!! E assim deixei isto a pairar em mim por uns dias...