quinta-feira, 3 de outubro de 2013



LEVA E TRAZ, TRAZ E LEVA...


O dia de hoje foi interminável e vivido dentro de uma nuvem de humidade irritante que resolveu chegar e ficar colada a este tempo atmosférico parecido com o tropical... de peganhice em peganhice, irritada com este calor húmido, lá fui deixando o dia escorrer por entre tudo aquilo que tinha que fazer e ele seguiu por entre as horas cheias, sempre cheias de tudo e mais alguma coisa e recordo: despertar em casa, beijo rápido ao mais-que-tudo que sai antes de nós; miúdos, pequenos-almoços, ida para as escolas (como sou uma mãe louca, tenho os três em três escolas diferentes! Isto há coisas...), trânsito, acerto de pormenores de horários e almoços e saídas à tarde para ti e para ti e para ti; confirmação do horário da mãe neste mesmo dia, distribuição (em andamento, valha-me a filha que vai à frente, no lugar do pendura) de moedas, ou notas para os inadiáveis desse dia, paragem nos semáforos para compor rimel e outras (poucas) coisas, ou para assinar o aviso esquecido na caderneta, beijinhos rápidos de até logo mamã, juízo, beijo também, ida para o trabalho (ufa, alguma música por fim!), café da manhã inadiável e absolutamente obrigatório, chegada ao trabalho, miúdos e pais e mães para receber, acolher, sorrir, recados, anotações, início da atividade na sala, em grupo, elencagem cerebral e teimosa de tudo o que há a fazer na outra vida, aquela que também é nossa fora dali, o almoço que chega apressado, um café rápido em hora social com pares profissionais, a vontade teimosa de fugir um bocadinho dali e ficar sózinha comigo a aflorar-me às vezes o pensamento, o dia a continuar a correr, indiferente a este toque de imaginação e vontade, uma reunião que atrasa o regresso e cansa o cérebro, o regresso a casa, os telefonemas que se aproveita para fazer no caminho, o filho, ou filha, ou filha a telefonar, o acerto do que já se tinha dito de manhã, a sensação de ser taxista a chegar, o leva e traz, o traz e leva, as trinta voltas, a trinta sítios diferentes onde se tem que ir, resolver não sei o quê, o obrigar-me a beber um café, nem que seja em 5 minutos, num cafezinho qualquer da cidade, na rota de uma qualquer das ditas voltas, o bem que me sabe essa cafeína vespertina, mesmo que o calor não passe e que a peganhice se mantenha, o telefonema do mais-que-tudo, recordando hoje, AQUELA reunião de que falara, o resolver-me pelo jantar já feito, mesmo ali, naquela casa de bairro, o enfrentar um supermercado apinhado de gente com tão poucas caixas a trabalhar, mas hoje tinha que ser, porque já não há isto e isto e isto (!!!) as filas intermináveis de gente e coisas e tudo, a falta de paciência que o cansaço traz, o conseguir ainda sorrir ao observar uma menina maravilhosa à minha frente com a mãe, o que ela dizia, como sorria, o ver de uma doce mensagem que faz vibrar o telemóvel e que tempera o cansaço, o vir para casa, 12 horas depois de ter saído, o telefonar pelo caminho para porem já a mesa, sem refilar, que o jantar vai feito, o jantar a quatro, que o pai hoje vem mais tarde, o arrumar da cozinha, o beijo rápido ao pai que chega, o fazer ainda isto e mais isto com um e com outro, porque, MÃE, tenho que levar amanhã (!!!), o repetir pela centésima vez ENTÃO O QUE FIZESTE À TARDE, DEPOIS DAS AULAS??? E pronto, o dia ainda não acabou... ainda vim para aqui, para descompressão, para alívio e respiração funda... serve-me de catarse isto e hoje, ao rever ponto por ponto este meu interminável dia, lembrei-me, não sei porquê, do anúncio da EDP, "A MAIOR ENERGIA É A SUA"! (e passo a publicidade...).
A música é gira, o anúncio "colou" bem, é apelativo, o sexagenário que dá vida ao pequeno filme é bem parecido e personifica tudo aquilo que gostaríamos de vir a ser, um dia na nossa velhice, ativos, multifacetados, autónomos, prestativos, presentes... mas pronto, este dia de hoje tomou conta de mim e, mesmo sabendo que não há dias iguais nesta nossa vida um bocadinho louca, agora só sinto, com dormência, aquilo que a Kika diz na canção:"Can´t feel love tonight"!!!
Bolas, ainda bem que por trás da nuvem, está sempre o sol!!!


  LEITE DERRAMADO Já estou submersa, naquela fase do meu trabalho em que só vejo papéis à minha volta e em que sinto que tenho ...