terça-feira, 27 de março de 2018






REVOLUÇÃO


A emoção será sempre uma característica minha. Sou emotiva e sensível à forma, ao ar, ao tom como se dizem as coisas. A intuição entra-me pelo corpo e faz de radar para descortinar sentires e saberes, posturas e formas de estar.
Verei sempre nas entrelinhas e terei sempre jeito para adivinhar o ar que se respira nos ambientes onde estou. Sinto-me uma pessoa assertiva e prática e, embora não se deva ser juiz em causa própria, isso tem-me valido em várias situações.
Mas às vezes dá trabalho. Às vezes gostava de ser implacável e fria, usando isso para resolver assuntos de forma rápida e não me melindrar e ferir com eles. Diria, faria e aconteceria e lá seguiria eu, pronta e fresca para o próximo problema. Mas não. Preciso de lamber feridas e de carpir um bocadinho. De medir desabafos, de procurar um ombro e de estar sozinha, fazendo as minhas profilaxias mentais que me dão conta do ponto de situação.
E de repente, como um mecanismo químico, orgânico, fisiológico, emocional e sei-lá-mais-o-quê surjo renovada, pronta e animada de novo.
É assim. Cada um com o seu estilo e forma. Cada um com o seu temperamento. E este meu diz-me também que a lagriminha-ao-canto-do-olho, esta certa forma de me emocionar facilmente, não é fraqueza não senhor. É talvez e sim, uma certa forma de ser... revolucionária?
Ufa! Espero que sim!!!




"Há que endurecer sem jamais perder a ternura..."
-Che Guevara-



quarta-feira, 21 de março de 2018






MEMÓRIAS






Por circunstâncias várias, dei comigo hoje a explorar gavetas da casa da minha mãe. Recordações soltas, imagens várias, fotografias de tantas partes da nossa vida.
Já não me lembrava desta. Sempre a adorei e tinha-lhe perdido o rasto, no meio das dezenas e dezenas e dezenas de fotografias que se vão tendo, ao longo da vida. Já não há álbuns, como havia, físicos, de papel, que se folheiam e levam debaixo do braço e, no meio da dispersão digital, mais ou menos organizada, esta perdeu-se. Hoje reencontrei-a sem querer. E  a memória fez o resto.
Lembro-me perfeitamente do dia feliz em que foi tirada. Estava um frio de morte, mas tu, foi na rua que quiseste brincar, como sempre.
E de repente, vi que se passaram mais de 10 anos desde este foto. E de repente achei que não dei por esse tempo a passar. E de repente lembrei-me que sim, já és o mais alto cá de casa e que a tua irmã mais velha já faz 21 anos e a outra, 18. E de repente dei por mim a pensar que não sei como isso aconteceu...

Eh pá!!! Vou ali respirar fundo e já venho!!!!


sexta-feira, 16 de março de 2018




CAMINHO DOURADO

É engraçado como vamos sentindo, por estes dias, a vida a correr e a desenrolar-se em fases que achávamos sempre que estavam tão longe e que agora, de repente, estão mesmo aqui. E assim, damos por nós no meio de situações que estão a acontecer aqui e agora, com uma inevitabilidade que nos torna impotentes para as rebater. E é assim mesmo, a vida. 
Agarro-me ao sentido prático que me caracteriza um pedacinho e ponho-o a mexer, a mexer fortemente, para me ir amparando o caminho e tornando-o tão inevitável, como normal.
E assim, mesmo que ao mesmo tempo a vida siga, teimosa, com todos os seus outros assuntos e coisas que não param de acontecer, acho que o nosso cérebro se vai habituando às novidades dessa vida e nos vai dando defesas, formas e posturas de adaptação. E então seremos capazes sim, com normalidade e leveza de as levar.
Que assim continue e que assim continues a estar sempre comigo, a dourar o meu caminho e a prepará-lo para estes três.