terça-feira, 4 de julho de 2017




TESOURO


E pronto, às vezes uma foto tirada à pressa no jardim, entre gritos e desassossego, faz-nos insuflar o coração e agradecer, agradecer  imenso por este tesouro. O melhor de todos.  O único que importa!
E pronto, não resisti..


segunda-feira, 3 de julho de 2017




SENHORES DO TEMPO





Entrei nos 45 num dia de sol e calor, talvez como no dia em que nasci, num hemisfério sul distante, numa cidade maravilhosa de sol tropical. 
Foi um dia estranho, este ano, meio enevoada no meio de tudo o que aconteceu, mas foi também um dia confiante e dedicado, onde estive com quem mais gosto e que acabou com o melhor de tudo o que tenho: o meu núcleo mais que sagrado, caseiro, ruidoso e barulhento, maravilhoso e grande, heterogéneo, único e meu.
E pronto, já tenho 45. 
Noto diferenças em mim em muitas coisas: na paciência, na resistência física, na disposição para algumas coisas, mas noto também gostos antigos ainda mais apurados (leia-se exigentes?), talvez porque já sei bem o que quero e do que gosto, talvez, talvez...
E  essa exigência é também porque o tempo passa depressa demais e nos torna impacientes para o que não interessa. Passa a uma velocidade que não controlamos, com constelações de coisas paralelas à volta dele que o tornam dominante e soberano. Não podemos fugir-lhe, isso é certo. É sinal de vida e de caminho, de desenvolvimento (assim se queira) e de futuro. Podemos é, seguramente, obrigar-nos a fazer dele um marcador bom, com coisas boas que nos distingam, com esperança e otimismo, com baixos e altos e altos e baixos que nos reequilibram sem cessar, com memórias boas que guardamos e com cheiros e gente que escolhemos ter.
Pois é, pois é... senhores do tempo nunca seremos, mas senhores do que queremos fazer dele, isso sim, essa escolha é muito nossa. E imperiosa!



P.S. E por aqui passará sempre a minha escolha. 

terça-feira, 27 de junho de 2017






BRUMAS

Mesmo entupidinha de coisas para fazer e a teclar de trabalho, teclar, teclar sem fim e mesmo com o coração em caquinhos pequenos que teimo em não deixar que se descolem, obrigando-me a exercícios constantes de serenidade e confiança perante o que se avizinha, (serenidade e confiança, serenidade e confiança, serenidade e confiança, serenidade e confiança, serenidade e confiança...) conseguiste ir passando pelas brumas do meu pensamento, brumas sim, que o pensamento está enublado, de espetativa, trabalho, receios, logísticas.
Isso não me tira o sorriso. Não sinto que tenha que carregar esta bruma, acompanhando-a de pesar, tristeza. Sinto que tenho que "educá-la", não a deixando toldar a alegria de dias felizes e luminosos, que este sol algarvio tão bem tempera.
E pronto, tu temperas também. Por fazeres parte da minha vida e por seres, se calhar, uma das causas de um equilíbrio que sinto e me ajuda a ser assim.
E mesmo nesta bruma toda, sabe bem ter-te comigo, beber um café ao fim da tarde, abanar a cabeça e deixar a bruma sair, pôr as logísticas e afazeres em standby um pedaço, num canto do cérebro que só se liga no dia seguinte, cheirar o (nosso) mar ao pôr-do-sol, ouvir-te e ouvir-me enquanto nos contamos coisas, partilhar segredos e preocupações, comer tremoços, um gelado, ou aquilo que nos apetecer, falar do dia seguinte, ou não falar, estar só, sem mais nada. Sabe-me bem sim, e fortifica-me isto. Mesmo quando me zango, tu te zangas, somos hiper, mega ocupados, insuportáveis e outras-coisas-que-tais-que-às-vezes-também-somos-pois-então...
É que continua a ser tão simples... e tão bom. 



LUV U!



sábado, 24 de junho de 2017







BOLHA

(Arejada de conforto emocional...)

E quando o dia foi hiper cansativo e sentimos que isso, mais o calor insuportável nos suga as energias? E quando a perspectiva dos dias que se avizinham não é diferente, em calor e em cansaço? E quando o corpo anda estranho, numa sensação conhecida de dormência quente causada por este calor tórrido que me faz apetecer vegetar, de boca aberta, debaixo do ar condicionado? E quando o desejo de que estes dias passem rápido e dêm aos acontecimentos que os vão preencher apenas e só a lembrança de qualquer coisa que já passou e da qual nos lembramos só porque se foi sem deixar marcas?
É que é mesmo isso que quero e anseio agora mais que tudo: que estes dias próximos, cheios de coisas que me vão tirar da bolha arejada de conforto  emocional em que vivo, passem rápido e não façam história na minha história.
Para isso, vou inspirar-me em quem é mestre da serenidade e aprender com ela tudo o que constela à volta desse dom, tudo o que o completa e faz fortalecer. É que, as mães (ela é a minha mãe) ensinam-nos tanto que não vem nos livros e nós, bebemos tanto da vida sem ser só no leite. Quem sabe se assim, inspirada nela e acompanhando isso com um sorriso, possa mesmo fazer os dias passarem como um ai, rápido e incólume. 
Quem sabe...



terça-feira, 20 de junho de 2017

 LEITE DERRAMADO

Já estou submersa, naquela fase do meu trabalho em que só vejo papéis à minha volta e em que sinto que tenho que ter uma grande capacidade de organização para ter tudo feito a tempo, horas e, sobretudo, com algum sentido, tentando pôr no horizonte, os miúdos com que trabalho e tentando que o tanto que se escreve por estes dias tenha norte, objetivo e, sobretudo, intencionalidade. E isto, equilibrando com uma filharada, leia-se 3, já em modo semi-férias. Já tenho falado disto por aqui, não é novidade e não vale a pena discorrer sobre este assunto, achando que-o-que-deveria-ser-não-é-ou-o-que-pena-de-isto-ser-assim-não-devia-blá-blá-blá.
Não há volta a dar a isto e o meu sentido prático faz-me não chorar sobre este leite que já se derramou há muito, mas sim, fazer o que tem de ser feito e fazê-lo bem, de preferência com um sorrisinho pelo meio. Essa, será sempre a minha (nossa) única salvaguarda e o respeito que os meninos e meninas com quem trabalho merecem, a isso me obriga.
Mas pronto, em abono da verdade, aquela verdadinha, verdadinha mesmo, que é uma real seca, é, de facto.
Isto há coisas!!!

sexta-feira, 9 de junho de 2017




100.731

(a sério?)


Este blog começou, por graça, em 2012, a um ritmo doméstico e pessoal e com ferramentas blogosféricas (quase) rudimentares. Foi um mero substituto dos caderninhos pretos sem linhas que sempre povoaram as minhas malas e gavetas e sempre me fizeram ocupar tempos mortos, de espera. E o blog foi andando, andando, a esse ritmo tão meu, tão despreocupado e tão despretensioso, retratando simplesmente o que escrevo, que é das coisas que mais gosto de fazer e sendo fiel testemunha do que digo acerca dos que mais amo, daquilo que me apraz referir, do que me irrita, enfim, daquilo que me apetece. É um blog despretensioso e muito suis generis.

Sempre achei que seria inimaginável atingir as 100.000 visualizações. Isso quereria dizer que 100.000 vezes, já alguém teria clicado num post, teria espreitado por aqui. Pois...  E se esse número continua a ser ridiculamente pequeno quando comparado com visualizações de outros blogs que sigo (ponha-me eu no meu devido lugar!), ou com outros blogs que povoam a blogosfera, já que nesta via, tudo é exponencialmente maior, mais difundido, mais rápido, mais acelerado, para mim, no entanto, este número 100.000 tem um efeito psicológico avassalador, fazendo-me lembrar a ideia que tinha, quando era miúda, de que teria 28 anos no ano 2000, como se essa data fosse inatingível e tivesse, na minha ideia de menina pequena, quase contornos de ficção científica. 
Pois é, pois é... O ano 2000 já lá vai e de ficção científica só teve a minha ideia de menina pequena e quanto aqui ao Doceeagridoce, que continue despretensioso, despreocupado, informal, verdadeiro, fiel, temperamental, sentido, paciente, impaciente, rudimentar e humilde.
Já me daria por satisfeita.




P.S. E  um obrigada sentido e humilde a todos e todas que me dão feedbacks maravilhosos acerca do que escrevo. Outra surpresa inimaginável...

terça-feira, 6 de junho de 2017




LADAÍNHA

«No fim de tudo, a Felicidade com maiúscula compõe-se de minúsculos actos felizes; de agradáveis sensações passageiras; de um razoável estado de saúde; de expectativas positivas diante de um futuro sempre aziago, ainda que não totalmente tenebroso; de alguém que goste de ti; de um amigo que está disposto a ajudar-te; de pequenos prazeres inerentes aos cinco sentidos corporais.»

- Manuel Vicent, no El País


Que grande, grande verdade! Achei delicioso, isto e por isso, o colei aqui. 
Que esta verdade me vá fazendo eco, aquele eco da minha infância, onde nos túneis dos prédios, nos becos, nas grutas da praia, gritava e depois, rindo muito, ficava deslumbrada a ouvir a ressonância daquele som falado que repetia, repetia, repetia até deixar de se ouvir.
Vou repetir, repetir, repetir isto, tipo ladaínha teimosa.
Afinal, as ladaínhas, podem ser terapêuticas, quem sabe?


sexta-feira, 2 de junho de 2017





IRMÃOS

(pode ser o melhor que a vida nos dá...)


Fui convidada para participar, no sábado, numa iniciativa da Câmara Municipal de Faro, relacionada com a temática dos irmãos
Sim, parece que agora há um dia dos irmãos e tudo e, a esse propósito, irei participar nesta conversa a várias vozes sobre este assunto. É giro e sinto-me gratificada pelo voto de confiança. Espero estar à altura.
Falar dos meus irmãos é falar sobre mim: sobre a minha infância, as minhas memórias partilhadas, aquelas memórias de sítios e cheiros e espaços e acontecimentos que tive a sorte de partilhar e que nos definem como pessoas. Falar dos meus irmãos é falar sobre a partilha dos afetos relativa ao amor grandioso dos meus Pais por nós os três e perceber, agora adulta e mãe de três, que isso é mesmo assim:um amor grandioso que estica e toma peso igual para os vários filhos. Falar dos meus irmãos é falar de cumplicidade, aquela que me permite partilhar com eles, não só uma genética, mas também uma história de vida e de afetos por outros e outras que nos são comuns. Falar dos meus irmãos é falar de uma aceitação de percursos diferentes e de maneiras diferentes de estar e de pensar sobre as coisas, mas achar e sentir que isso é espetacular na mesma, porque não divide ou separa, só torna cada um de nós, distinto do outro e isso, o que tem? Falar dos meus irmãos é falar de dores comuns, alegrias comuns, partilha de bom e de mau. Falar dos meus irmãos é falar de um palco onde cabíamos os três e onde tomávamos parte de uma vida real que nos definiu. Falar dos meus irmãos é isto tudo. É dizer que não podia viver sem eles na minha vida, mesmo que o Nuno já esteja noutra dimensão, que não é física e mesmo que eu não esteja com o João todos os dias. É dizer-lhes que os amo muito e que gosto que estejam comigo, que falo neles, que tenho orgulho, apesar das nossas diferenças e que acho que isso, quem sabe, passa para os meus filhos, levando-os a achar e sentir que ter irmãos pode ser (e é) a melhor coisa do mundo. Mesmo que, às vezes, sejamos todos insuportáveis, uns com os outros. Afinal, a vida real é isso!



P.S. João, estavas a fazer uma birra... ah, pois é!


sexta-feira, 26 de maio de 2017






TÃO POUCO

(que nos dá tanto...)


É preciso tão pouco para ser feliz.  A sério, não é preciso complicar isto... 
Priorizar, filtrar e seguir em frente, não perdendo energias e voltando aos ninhos que temos. Aí sim, retempera-se forças e ganha-se foco. Para tudo, acho eu...!







segunda-feira, 22 de maio de 2017






SÁBIA NATUREZA





Dizia-te que, por estes dias, tenho que te dividir com tudo aquilo que há para fazer e tudo aquilo que acontece que te afasta de mim. Pressas, correrias, problemas, episódios de vida real que nos chamam à terra, factos e ocorrências que nos tornam pessoas de carne e osso e não príncipes e princesas de historias de encantar.( E ainda bem, isto. Sempre achei as princesas das histórias um bocadinho desenxabidas demais, sempre loiras e frescas e lindas e perfeitas e os príncipes, já agora também.). 
Que há dias em que essa distância me sabe bem e desafoga, porque há vida para além de mim e de ti (e ainda bem) e que há outros dias, em que me aflige, porque tenho saudades tuas e porque sei que me complementas, porque te sinto a falta e porque tenho saudades de nós, das nossas coisas e daquele espaço e tempo só nossos, com regras que criamos e momentos que impomos, com uma felicidade que queremos e um projeto que abraçamos. 
Que tenho que assistir ao nosso partir ao meio, vergados por tanta logística de vida real e ver se, no fim de tudo, continuamos inteiros e incólumes. 
E depois vejo que, num golpe de sábia natureza, tudo se compõe. Sem nada de especial, sem nenhum feito histórico, ou episódio marcante. Só porque sim, num ritmo sábio e contínuo, tudo torna a ocupar o seu lugar e aparecemos aos olhos um do outro como uma escolha de entre mil.
Sabe-me bem que sejas uma escolha de entre mil. Não porque tenham havido mil, mas porque a minha escolha te tornou único. 

LUV U!

quinta-feira, 18 de maio de 2017





ATROPELOS

Há 15 dias que não escrevo aqui no blogue. Acho que é a primeira vez que passo tanto tempo sem escrever, mas de facto, tenho sido centrifugada com coisas para fazer e as réstias de energia desaparecem velozes, atrás da pressa das coisas. As sinapses cerebrais vão-me fazendo click para este, ou aquele assunto, mas tenho-me sentido esvaída de ânimo para vir aqui. Há fases assim, assim como há outras em que, de repente, tudo aparece em turbilhão e os assuntos vêm em catadupa, uns atrás dos outros. E se não têm faltado assuntos por estes dias!
Mas pronto, apesar da fase de sombras em que tenho vivido por estes dias e apesar de me sentir atropelada por um camião, às vezes, hoje o dia será teu e vestirei o fato que mais gosto: o de mãe. 
Este, vai servir-me sempre e essa sensação é impagável!






terça-feira, 2 de maio de 2017





TONELADAS DE PESO


Penso nos meus filhos, penso nos meus sobrinhos e penso nos meus alunos que, sendo (mais) especiais como todos, estão também na escola e é esta a escola e o modelo de escola que conhecem e frequentam.
Penso no que me dizem os alunos e no que tenho para lhes oferecer. Penso nas expetativas dos pais e das mães de todos eles. Penso na forma de estar de tantos professores e do tanto que têm que fazer. Penso no modelo de ensinar. Penso na perceção que acho que todos já temos de que JÁ É MESMO ERRADO ensinar assim. Penso no como poderemos mudar isto, se há uma tonelada de coisas por cima de nós. Penso no quanto gosto de estar na escola. Penso no tanto que há a fazer na escola.
Sim, o artigo de opinião do jornal online O OBSERVADOR, de 27 de abril, intitulado É FAVOR DESOBEDECER, da Cristina Fonseca está muito, muito bom e faz pensar. De facto, o pensamento criativo, a resolução de problemas, a criatividade e a coordenação/gestão de equipas, serão competências importantes a ter em conta breve, breve e deveriam ser ensinadas na escola. Não o são. Não o são, mesmo.
E penso nele, que hoje me disse: - Professora, quando tiver 18 anos, vou sair de casa. Já não suporto os problemas da minha família... e penso em todas as limitações, problemas, comprometimentos, lacunas, défices que tem, irreversíveis e com peso de tonelada, aliados a outros problemas de fragilidades familiares, culturais, sócio-tudo e penso naquilo que nós todos, escola e mundo, lhe podemos oferecer e o coração aperta-se-me como uma ervilha enrugada.
Meu querido, desejo-te o  melhor, quero ajudar-te o melhor que puder e souber, sem alucinações e utopias, só com o possível. Acho que me resta o dia-a-dia, o aqui e agora, a criatividade para te alcançar, o tornar-me, aos bocadinhos, (quem sabe), talvez uma referência. Nem que seja para o desabafo sentido que expressas assim.

É isso, acho...





P.s. E, embora um clássico, vale a pena, com uns toques de humor, ver isto. É que, ser criativo precisa-se mesmo, na escola e em todo o lado!

segunda-feira, 1 de maio de 2017






COISAS DE TERNURA






Ontem (já passa da meia noite), terias feito 75 anos. Passaste no meu pensamento várias vezes, pois não preciso de nada de especial para me lembrar de ti. Assim são também as memórias boas que não queremos esquecer e nos fazem sorrir em silêncio. Coisas de ternura, eu sei.
Nunca deixarás de me fazer falta e as saudades que tenho tuas, nunca me deixarão. São agora suaves como uma brisa de verão, mas estão cá sempre, não me deixam, envolvem-me e fazem parte de mim. E adoro esta foto. Eu, espantada e careca, com olhos grandes de curiosa, com o mundo à minha frente por desbravar e tu, sorridente, sereno e forte, como eras. E assim continuaste, o meu farol e fortaleza até sempre. E mesmo hoje, muitos anos depois desta foto ter sido tirada, era isto que me apetecia outra vez: um colo forte e seguro como só o teu. Um colo de pai.

Love U daddy!