quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017







CARTILHA





Descomplicar procedimentos, sem lhes retirar rigor ou importância. Ter a certeza de que isto, no trabalho, é essencial. Conseguir dar essência, sem cair no exagero que afasta. Interagir com pares e integrá-los nos processos. Ter no cérebro compartimentos para cada coisa e que aciono e ligo, desligo, ou adio quando quero, ou necessito. Gozar dessa gestão só feita por mim. Ter no meu dia espaços e horas para cada coisa que aparece. Não abdicar daquilo que me equilibra e estrutura. Fazer frente às tarefas que surgem imperiosas. Resolvê-las de pronto e dar-lhes seguimento. Processar informação, retirando conteúdo. Lembrar-me do pormenor com este ou com aquela. Fazer com isso, toda a diferença. Fazê-lo porque sim e porque daí se fica especial. Pôr esse especial ao serviço dos outros. Não abdicar do que me é mesmo essencial. Filtrar o acessório e até dele me rir. Servir-me do humor para elevar o espírito. Refilar q.b daquilo que me irrita. Dosear o génio com os que me rodeiam. Sorrir, sorrir muito e assim lavar a alma. Cultivar a paciência como via para crescer. Conseguir fazer isto, um pedacinho de cada vez. Gozar da sensação de se ir conseguindo. Ter dias de caos em que não se faz nada disto. Ter outros em que até se consegue um pedaço
Saber, enfim, que a vida é isto: para a frente e para trás, traçando caminho.
Ter esta cartilha e às vezes repeti-la. Escrevê-la. Dizê-la. Até decorar. Mal não fará e purga o pessimismo.
Tenho dito.



quarta-feira, 25 de janeiro de 2017




MÃES DE TRÊS




Tenho várias amigas que também têm 3 filhos, como eu. Sentem, como eu, a elasticidade do coração, parecendo que estica, estica, estica como um balão e alcança todas as pontinhas afastadas, onde estão cada um dos seus filhos. Sentem que para cada um têm de ter um suporte de amor e ternura igual, mas uma forma, estratégia, alcance diferente, pois sabem que cada um é diferente do outro. Sentem, como eu, o esgotamento ao final do dia. Têm, como eu, o espírito prático que lhes devolve a rapidez de atuação e lhes dá uma descontração natural para coisas que poderiam parecer mais complicadas a outros olhos. Fazem, como eu, trinta coisas ao mesmo tempo, exercitando uma capacidade dada pelos anos e por três filhos seguidos e (muitos) anos de fraldas em casa. Desdobram-se, como eu, em atenções e prioridades, gerindo um equilíbrio nem sempre fácil entre logísticas, afazeres, prazeres, hobbies e calendários e filhos, mimo e atenção. Sentem, tal como eu, que mesmo que mais crescidos, os filhos, serão sempre mestres na absorvência que fazem da atenção da mãe. Exasperam, como eu, quando lhe sugam o tutano e reclamam para si próprias, mães normais, uma vida pessoal equilibrada e preenchida. (Esta, devolve-lhes também a paz de que precisam). Têm, tal como eu, companheiros de projeto de vida, com quem partilham, vivem, dividem, amam e sofrem. Sentem, como eu, o amor partilhado e o bem que isso faz à pele, ao corpo, à disposição, à alma.
Estas minha amigas são mestres na maternidade vivida e dividida por três, como se os seus corações fosses elásticos, como digo às vezes, nesta viagem vitalícia de ser mãe para sempre.
E depois tenho outras que só têm um filho, ou dois, ou nenhum. E são maravilhosas também, com sintonias comigo que as trazem para mim, gerando um cumplicidade boa de gente que se gosta.
Mas de facto, na correria de vida que temos, com trabalhos esgotantes e absorventes, com solicitações que nos agendam os dias, com preocupações pendentes e com logísticas para gerir, equilibrar os afetos dos (vários) filhos com qualidade, fazê-los crescer completos e verdadeiros, será certamente o maior desafio. Tenham eles a idade que tenham. Por isso, acho mesmo que a natureza é feminina, do mais feminina que há, ehehe...
E hoje, podendo este post ser sobre amigas do peito, quis torná-lo sobre mães. De três... 

PS. É avassalador o "baque" que me dá quando vejo fotos como esta. É que o tempo passa, de facto, sem contemplações e tão rápido que nos atordoa, às vezes...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017


LET'S GO MOVIES!


Os livros e os filmes serão sempre do agrado, ou desagrado mais íntimo de cada um. Quero com isto dizer que a mensagem desses livros, ou desses filmes, será lida individualmente por cada um, traduzindo-a segundo os códigos de análise próprios que temos, ou devemos ter e segundo os estilos de que cada um gosta. E acho mesmo que é um exercício de inteligência filtrar/processar o que lemos/vemos à luz dos nossos códigos de análise. 
E isto é absolutamente livre.

Foi isso que me aconteceu ontem quando vi o filme  SILÊNCIO, de Martin Scorsese, adaptado do romance homónimo do escritor japonês, católico, Shusaku Endo. 
É um thriller espiritual que relata um período da história do Japão, chamado período de Edo (de 1603 a 1868) onde, entre outras coisas, se baniu o Cristianismo do território, usando uma variedade enorme de mecanismos violentos de controle sobre a população.
Através da busca do Padre Cristovão Ferreira, acusado de ter apostatado, (renegado a sua fé) dois seus antigos alunos (Sebastião Rodrigues e Francisco Garupe), seguem para o Japão, duvidando de tal ato e procuram-no, confrontando-se com uma realidade muito cruel para com as pequenas comunidades cristãs ainda existentes e também com a verdade de tal acusação. Um deles, acaba também por apostatar quando, mais tarde, perante um sofrimento atroz que poderia ser infligido a outras pessoas, opta por renegar as suas convicções mais profundas.

Gostei do relato dos episódios históricos, ou não gostasse eu de História. Gostei da interpretação de todos, mas especialmente de  Andrew Garfield, no papel do Padre Sebastião Rodrigues. Gostei da forma como se desenlaça o dilema fé/apostasia. Gostei do percurso interior e denso das personagens. Gostei da interpelação/busca das pretensas respostas de Deus que todos temos, tantas vezes. Onde Estás? Porque não Te manifestas? Gostei da constatação de que Deus está e fala tantas outras vezes no SILÊNCIO (e esta já é a minha interpetação). Gostei de ter concluído (outra interpretação) que houve uma vitória secreta e íntima da fé cristã. Gostei de ver que a fé não tem, muitas vezes, um caminho triunfante e épico, mas que cresce sim, em linhas curvas, nos pontos de rutura, onde nos restam poucas certezas (-José Maria Brito, in Jornal OBSERVADOR, crónica de 3/12/2016.) Gostei de entrar nas sombras mais profundas da fragilidade humana e recordar que a última palavra é de Deus. (-José Maria Brito, in Jornal OBSERVADOR, , crónica de 3/12/2016.).
Gostei enfim, do poder sublime do cinema que nos leva para fora de nós, às vezes.
Por isso, um livro, ou um filme, melhores, ou piores, serão sempre um bom exercício: livre e (quase) terapêutico. Experimentem!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017




O BLOGUE É MEU
(e agora?)


- Há amigas minhas, mãe, que estão sempre à espera de um post teu...
- A sério? Vê lá e tu às vezes nem os lês, já viste?
- Oh, leio alguns, aqueles que têm uns títulos mais apelativos...
- Ah, então é uma questão de título, é?
Sim, sei que há pessoas que me lêem assiduamente. Muitas me têm dito isso, o que não deixa de me causar surpresa, na minha humilde e relativamente recente descoberta da blogosfera, que é o mesmo que dizer, da partilha pública do que escrevo. 
Já o disse muitas vezes. Escrevo porque escrevo, escrevo porque sim. Sem pretensões. Só mudei agora o suporte, porque caderninhos pretos, sem linhas, sempre tive e desabafos de alma para o papel também.
E por isso escrevo sobre ti, muitas vezes, embora saiba que não gostas muito. Mas pronto, o blogue não deixa de ser meu e tenho eu também o último e decisivo feeling. Sei que não gostas, mas não te opões, o que legitima em absoluto que eu o faça. Respeitas, vá lá...
E é com todo o respeito que o faço, pois escrever sobre ti ou sobre os miúdos, é escrever sobre mim, as minhas coisas e o que sinto no mais fundo de mim.
E é por isso que o faço sem razão nenhuma especial para que aconteça. Só porque sim, porque me apetece e na maior parte das vezes à primeira, sem correções. Num impulso.
E hoje assim foi. Apetite, impulso, click.
E é assim, meu amor. Não gosto de dormir abraçadinha, em conchinha, como se vê nos filmes. Não acordo deslumbrante e dengosa, como nos filmes. Sou sempre mal disposta de manhã, preguiçosa e irascível. Muitas vezes não te digo palavras maravilhosas na altura certa. Grito, barafusto, fecho a cara em impulsos de génio que passam logo a seguir. Sou emotiva, temperamental e descontrolada, às vezes. Mas amo-te no mais profundo de mim e penso em ti muitas vezes durante o dia. Gosto da segurança que construí contigo e da sensação que me dá pensar em nós. Um nós seguro, calmo, equilibrado e completo. Um nós antigo e denso, com história e futuro. Um nós que persiste, à parte do que temos para lá de nós. Um nós que continua a atrair-me, apesar do peso dos dias e da vida que é real e não virtual e que, por isso, traz a reboque um pack de problemas triviais. Um nós que é como é, sem filtros cor-de-rosa, ou imagens de revista. Um nós que é nosso e pronto.
E é isto, sem mais nada de especial. 
E escrevo-o aqui, porque me apeteceu e agora?
Afinal, este blogue é meu, certo? 




P.S. E adoro esta foto...

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017





PROFUNDEZAS DA ALMA


Quando li este post, deste blogue, lembrei-me do momento em que assisti, em direto, às cerimónias fúnebres de Mário Soares. Naquele momento davam em todas as televisões e era difícil não se assistir ao momento. Lembro-me de ter apreciado o peso do protocolo e de pensar o tão pouco que estamos habituados a vê-lo, ao protocolo, assim tão imiscuído em cerimónias a que assistimos. Lembro-me de ter apreciado genericamente os discursos que ouvi das figuras de Estado. Lembro-me de ter achado a intervenção do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, tão bonita, tão evocativa da beleza da portugalidade, mas se calhar algo afastada, em termos de vocabulário empregue, do português médio. Lembro-me de ter gostado muito da intervenção dos filhos, que falaram ali de um pai rochedo-farol-pilar, como teria que ser e como isso me fez lembrar do meu pai-rochedo-farol-pilar. Lembro-me de me ter comovido com a voz que tremeu da filha e de ter pensado que o que nos está nas profundezas da alma nos fará sempre tremer a voz e lembro-me de ter ouvido este poema na voz de Maria Barroso, já falecida e de ter eu ficado comovida.
Achei o poema de Álvaro Feijó deslumbrantemente bonito e super bem entoado. Achei a declamação uma homenagem profunda a duas pessoas que se amam. Achei-o um legado de amor deixado por aquele que morre primeiro. Achei que a morte, ao invés de feia e triste, pode trazer assim, atrás de si, momentos profundos, verdadeiros e bonitos. Achei que não estamos habituados à morte e que fugimos do tema, da cor e da lembrança. Achei que vê-la, à morte, ser, assim, um mote para um momento bonito, pode ser interpelador.
E achei, com o post deste blog, que não sou (fui) a única a pensar assim.


 P.S. Pois... e agora para o meu mais-que-tudo, é verdade, verdadinha que quando eu morrer, se for primeiro que tu, gostava mesmo que te lessem uma coisa assim... é que também acho que o amor (verdadeiro) não morre, apesar da morte.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017





BIG BROTHER






O blog da Rita Ferro Alvim, SOCORRO SOU MÃE, falava nisto, neste post http://www.ritaferroalvim.com/2017/01/os-controlos-dos-tempos-modernos.html#.WG-Rf1OLTIU.


Isto fez-me pensar... pode ser tentador, mas acho que é altamente preverso. Ter um aplicação no Smarthphone para controlar os filhos a toda a hora? Minuto a minuto? Com quem estão? Onde estão? O que comem, o que bebem? Céus, para além de me parecer horrivelmente chato, acho que é de uma falta de... (até me falta a palavra certa aqui)  concessão de espaço? Privacidade? Ética?
Resolve um problema aos Pais? Não me parece... se calhar arranjam mil outros problemas a seguir. Como farão depois a gestão da ansiedade?
Enfim, a mim parece-me que se deve responsabilizar os filhos sim, por dizer, relatar, dar contas do que fazem (é aliás, a sua obrigação), mas autonomamente, sendo sempre os primeiros agentes daquilo em que se envolvem, sentindo que os Pais supervisionam, cuidam, zelam por..., mas não os substituem, não controlam retirando o ar que se respira, ou o espaço que se pisa. Se assim não for, como se tornarão autónomos? Como crescerão devidamente, ao lado de tudo aquilo que os rodeia e que nem TUDO É BOM?
Pois... Como manterão a capacidade crítica e de filtro? Como equilibrarão responsabilidades e ações?
Pois é, pois é... haja filtro então, e muito! É que senão, perdemos mesmo o norte...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017






BABOSO CORAÇÃO DE MÃE


São diferentes como a água do vinho. De uma, lembro o parto provocado, porque não se decidia a nascer. Da outra, o dia certo previsto e a pressa já desde aí. De uma, lembro a calmaria que era e o tempo que ficava sentada a brincar numa manta de chão com tampas de tupperwares, tampas de panelas e molas da roupa. De outra, lembro o vendaval que provocava e a fila de coisas que ia deitando propositadamente ao chão, à medida que ia passando e do dia em que (quase) se enfiou na máquina da roupa. De uma lembro que tinha que acordar para mamar. De outra, lembro-me os choros cheios de génio irado quando se atrasava para comer. De uma lembro o cedo que começou a falar e o bem que se expressava. De outra, lembro o super cedo que começou a andar e o super cedo que começou a trepar por tudo também. De uma lembro a simpatia imediata que provocava e que recebia. Da outra, lembro o olhar mais fechado, medindo o que a rodeava, auscultando primeiro, para dignar-se a um sorriso depois. De uma lembro o gosto pelo estudo, o método e a organização. Da outra, lembro a rapidez de aquisição, a facilidade, mas o não tão rigoroso primor. De uma lembro a capacidade de análise e ponderação. De outra, lembro as escolhas rápidas, decididas e às vezes impacientes para o que não (lhe) interessa.
Sim, são diferentes como a água do vinho, a doce e a agridoce, disse-me uma vez alguém. Sim, daí o nome deste blogue, como já dizia aqui.
E sem razão nenhuma de especial, apeteceu-me hoje escrever isto, só de olhar para estas fotos...





É que às vezes, os clicks surgem assim, do nada.
Que a maravilhosa diferença que vos distingue nunca vos separe. E à vossa maravilhosa diferença e ao meu baboso coração de mãe, posso juntar mais o vosso irmão. A pitada de canela que me faltava, como esse alguém me disse também. 
Mas para esse, só para esse, valerá outro post... Inteirinho!

sábado, 31 de dezembro de 2016





12 PASSAS


Acho que o meu sentido prático de todos os dias, faz-me viver as datas e as coisas com isso mesmo, um sentido prático, despido de pompas e circunstâncias que às vezes só atrapalham. Assim, tenho alguma dificuldade em encher de solenidade datas como as de hoje, fazendo retrospetivas exaustivas do que foram os dias para trás deste (esquercer-me-ia decerto de alguma coisa importante e que chato seria isso...) e elencando desejos e anseios para os dias que se lhe seguirão. Vivo o dia de hoje e pronto. Confesso até que o início de cada ano letivo, 1 de setembro, é para mim esse sim, o início de um verdadeiro novo ciclo de rotinas, movimentos, ritmos e atividades depois da longa e deliciosa anestesia de férias.
Mas pronto, não retiro completamente ao dia de hoje a carga que o calendário civil lhe dá e procuro vivê-lo com a festividade possível e rotineira. Até levo as 12 passas e beberico o espumante como manda a tradição. 
E assim, rodeada de amigos, muitos, e a confusão saudável e habitual, passarei a meia-noite e fecharei os olhos para num trago de 12 passas resumir todos os anseios possíveis e desejados para o novo ano. Será um momento rápido e nunca exaustivo, esse da meia-noite e sei que o resumirei a uma ou duas palavras sentidas cá dentro, determinadas e gerais para nelas tudo o que anseio caber, assim como sei que uma onda suave de nostalgia me vai passar pelo pensamento em flashes, porque me lembrarei do Nuno e do meu pai, porque os quereria ali perto de mim, porque a lágrima fácil disso me lembrará, porque sou assim e não há nada a fazer e porque não sou completamente imune a estes determinismos de calendário que nos incendeiam o coração.
Mas também sei que estarei com este coração cheio e agradecerei todas as graças do ano que acaba e pedirei todas as outras para o ano que começa e que desconheço. E isto, contigo perto de mim, talvez até com a minha mão na tua, ou com a cabeça no teu ombro. Aí, nesse momento caberá tudo aquilo que quiser sentir. Sem ser preciso mais nada. 
Há maior graça?

FELIZ 2017



 

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016




                                                                    


 -Cativar quer dizer o quê? - perguntou o Principezinho.                           
- É uma coisa que parece que toda a gente esqueceu- respondeu a raposa. -Quer dizer criar laços...                                                             
In, O Principezinho





CRIAR LAÇOS 


-Mas gosta, sim, acredito que goste. Mas quando se gosta, isso por si só não basta. Exige também algum esforço, alguma atitude da nossa parte, se não, é um gostar egoísta, é como que desequilibrado. De que importa o gostar se depois não se acompanha isso com atitudes de complemento, de atenção, se não há um esforço para regar esse gostar? Mesmo que seja um esforço pequenino, proporcional àquilo que podemos dar?
Acenava, concordando.
Esta conversa com ela fez-me pensar em tantas relações que existem assim. Relações variadas, entre pessoas variadas, pautadas por vínculos preciosos que ligam as pessoas entre si. Tantas relações que são egoístas, desregradas, calculistas, de certo modo. Gosta-se, mas desde que isso seja fácil, sorridente, descomplicado. Gosta-se desde que isso não exija esforço nenhum, gosta-se num mundinho confortável de zona de conforto bem definida, onde aquilo que passa a fronteira X e Y já não cabe nesse GOSTAR, porque dá trabalho, porque incomoda, porque chateia.
Pois é... E assim se vai vivendo, acreditando-se piamente que se gosta e que se faz tudo por esse gostar. E às vezes quase nos convencemos mesmo de que estamos certos, certíssimos, numa sobranceria egoísta que nem nos faz pensar. 
E é importante termos consciência disto, assim como é importante sermos verdadeiros nas relações, dizermos o que pensamos, não abdicarmos do que nos é essencial, termos uns afetos transparentes e sinceros. Afetos sinceros. Afetos transparentes. Afetos saudáveis. 
É que um gostar a sério é isto, sabias? Esta mistura de verdade e transparência, transparência e verdade. Se assim não for, gosta-se a brincar, só. E não ficamos equilibrados, acho eu...

P.S. E estas coisas do GOSTAR aplicam-se a todas as relações na vida que quisermos criar... a todos os laços que quisermos unir... e isso é a parte mais gira. 

terça-feira, 20 de dezembro de 2016




PRAZERES

Andava no quinto, ou sexto ano, já não sei bem. Lembro-me da escola exata em que era e por isso sei que só pode ter sido no quinto, ou no sexto ano, pois foi nessa altura que andei nessa escola. Lembro-me da sala onde tínhamos a disciplina de Português e lembro-me da Biblioteca de Turma que fazíamos. Qualquer coisa como um sistema de papelinhos onde escrevíamos o nome do livro que nos era atribuído e a responsabilidade que tínhamos depois de o comunicar à turma, de forma oral, expressiva, por palavras nossas. Não sei já precisar muito bem como fazíamos, penso que era rotativo, este sistema e lá íamos nós ficando viciados no livro a ler e a transmitir depois à turma. Não sei se a periodicidade era semanal, quinzenal, ou mensal, já não me lembro. Lembro-me bem da professora e do entusiasmo que punha nisto, de como nos arrastava para esta paixão pelos livros. Não me lembro de todos da turma, não me lembro se esta adesão era de todos, ou só de alguns, mas lembro-me do MEU ENTUSIASMO. De como desejava que aquelas aulas chegassem e de como devorava os livros que me eram atribuídos. Assim como me lembro da coleção dos CINCO que eu e o Nuno fizemos, comprando os livros à vez, com as nossas "semanadas". Assim como me lembro da coleção da Condessa de Ségur que devorei na infância, da PATRÍCIA, um pouco mais tarde e de tantos e tantos outros que me ficaram na memória. Até hoje. Esta paixão nunca mais acabou. Este formigueiro, esta agitação para ir ler a história, para estar sozinha com o livro, para desfrutar deste prazer individual e tão único que um bom livro me dá. Esta escapadela para ler mais um capítulo, este acompanhar das personagens, este beber da mensagem, filtrando, absorvendo para mim, construindo conhecimento, selecionando informação.
Talvez tenha tido a professora certa na idade certa, o livro certo, no momento certo, talvez tenha vivido numa altura em que, não havendo tantos focos de dispersão como há hoje, a leitura tenha assumido o seu pleno papel, talvez tenha nascido assim com este gosto já... Talvez. Mas o que é certo é que é um prazer do caraças, este, fogo...



P.S. E agorinha vou ali ler mais um capítulo ou dois, que não resisto. Por isso é que é um tormento levantar-me cedo de manhã...
Pois... prazeres!

terça-feira, 13 de dezembro de 2016



E PORQUE...

https://www.facebook.com/carlos.ferrinho.9/videos/1393930367304093/

E porque no final de diazinhos difíceis e intermináveis, o melhor que tenho és tu, são vocês.
E porque no meio de tarefas que não acabam, enfastiantes e chatas o meu pensamento voava para ti, que fazes anos.
E porque é isto que faz sempre um coração de mãe.
E porque o segredo de muitos dias é este: dar-lhes na mesma sentido, mesmo quando as horas não correm como queríamos.
E porque a felicidade pode estar assim, metida em dias difíceis.
E porque há 19 anos que preenches a minha/nossa vida de forma tão plena.
E porque tenho tanto orgulho na menina/mulher que és.
E porque és uma filha querida que me ajuda a ser mãe.
E porque te amo daqui até à lua.
E porque, não podia deixar de vir aqui hoje, nos teus anos, escrever-te.
E porque adorei o vídeo que o papá fez.
E porque não resisti a pô-lo aqui.
E porque...

É isto...

LUV U.



segunda-feira, 5 de dezembro de 2016





"MAMÃZICES"

Tens uma maneira de falar que é muito agradável de ouvir, quando tens tempo e quando estás "virada para a conversa". Expressas-te muito bem e tens uma capacidade de análise apurada, que te faz ser eloquente e lúcida. Para além disso, és organizada e ponderada. Revejo-me um pedacinho em ti, nalgumas coisas, que a senhora genética, aproximou-te mais do lado paterno que do meu, é certo, mas revejo-me sim, na expressividade e simpatia que julgo, serem tuas imagens de marca, na maturidade e discernimento. E depois, és especial, acho eu, como acharão certamente todas as mães do mundo, de todos os filhos que tenham. E hoje, não são para aqui chamados os defeitos que, na graça de Deus, também tens, como eu.
Os teus irmãos enchem a casa e povoam-me ao seu jeito avassalador, barulhento e ENORME (neste momento, a tua irmã estuda Filosofia, em voz alta, no quarto e o teu irmão canta - deve ler-se GRITA - no banho). Sinto-me uma mãe afortunada, pela saúde que todos têm, pelo quê de especial de cada um, pelo seu jeito, a sua forma, pelas coisas que vejo em cada um deles, pelo crescimento e rapidez com que a vida os/vos preenche. 
E esta segue, descontraída e apressada, os dias surgem uns atrás dos outros, sempre agitados e cheios de coisas para fazer. Vivo de coração cheio e sinto-me descontraída e pacificada com a tua ausência. Afinal, é uma ausência relativa, suavizada por duas horas de distância e por Skipes e outros que tais
que nos ligam a uma rede de proximidades diárias. Depois, também não sou uma-mãe-muito-lamechas-acho-eu, mas tenho saudades tuas, o que queres e isso, acho que vou sentir sempre... de cada um de vocês, sempre que saírem de perto de mim. Afinal, acho que vou ter sempre esta asa de galinha gorda ...



Um bj, princesa.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016






SELFIES PARVAS EM DIAS NORMAIS



O dia acordou preguiçoso, como eu acordo sempre quando posso dormir até tarde. Choveu bastante de manhã e o tempo passou-se por entre afazeres e preguiça doméstica. Tão boa, esta sensação de casa-e preguiça-e-preguiça-e-casa...
Não fizemos nada de especial no resto do dia, ou de deslumbrante, ou de inesquecível, ou de mágico, insólito, exêntrico. Não fomos a nenhum sítio hit, cheio de gente. Não fizemos compras de Natal. Não corremos atrás do relógio para cumprir compromissos parecidos aos que sempre temos. Não nos afogueámos em pressas sem sentido.
Não. O que fizemos foi tão normal, que corre o risco de ser desinteressante. Mas é esta normalidade que te devolve a mim, àquilo que conheço de ti, àquilo que gosto em ti, àquilo de que não prescindo.
E é desta normalidade que é feita a redescoberta que faço sempre: o amor precisa de toque e cheiro e dia-a-dia e conversas e risos e diálogos e projetos e zangas e perdões e sorrisos e expressões e de outras coisas normais e é assim e só assim, nessa normalidade, que ele sobrevive de verdade. 
Foi um dia maravilhoso.

P.S. A foto não é das melhores, mas o céu estava lá atrás de nós, azul e deslumbrante.