sexta-feira, 6 de janeiro de 2017





BIG BROTHER






O blog da Rita Ferro Alvim, SOCORRO SOU MÃE, falava nisto, neste post http://www.ritaferroalvim.com/2017/01/os-controlos-dos-tempos-modernos.html#.WG-Rf1OLTIU.


Isto fez-me pensar... pode ser tentador, mas acho que é altamente preverso. Ter um aplicação no Smarthphone para controlar os filhos a toda a hora? Minuto a minuto? Com quem estão? Onde estão? O que comem, o que bebem? Céus, para além de me parecer horrivelmente chato, acho que é de uma falta de... (até me falta a palavra certa aqui)  concessão de espaço? Privacidade? Ética?
Resolve um problema aos Pais? Não me parece... se calhar arranjam mil outros problemas a seguir. Como farão depois a gestão da ansiedade?
Enfim, a mim parece-me que se deve responsabilizar os filhos sim, por dizer, relatar, dar contas do que fazem (é aliás, a sua obrigação), mas autonomamente, sendo sempre os primeiros agentes daquilo em que se envolvem, sentindo que os Pais supervisionam, cuidam, zelam por..., mas não os substituem, não controlam retirando o ar que se respira, ou o espaço que se pisa. Se assim não for, como se tornarão autónomos? Como crescerão devidamente, ao lado de tudo aquilo que os rodeia e que nem TUDO É BOM?
Pois... Como manterão a capacidade crítica e de filtro? Como equilibrarão responsabilidades e ações?
Pois é, pois é... haja filtro então, e muito! É que senão, perdemos mesmo o norte...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017






BABOSO CORAÇÃO DE MÃE


São diferentes como a água do vinho. De uma, lembro o parto provocado, porque não se decidia a nascer. Da outra, o dia certo previsto e a pressa já desde aí. De uma, lembro a calmaria que era e o tempo que ficava sentada a brincar numa manta de chão com tampas de tupperwares, tampas de panelas e molas da roupa. De outra, lembro o vendaval que provocava e a fila de coisas que ia deitando propositadamente ao chão, à medida que ia passando e do dia em que (quase) se enfiou na máquina da roupa. De uma lembro que tinha que acordar para mamar. De outra, lembro-me os choros cheios de génio irado quando se atrasava para comer. De uma lembro o cedo que começou a falar e o bem que se expressava. De outra, lembro o super cedo que começou a andar e o super cedo que começou a trepar por tudo também. De uma lembro a simpatia imediata que provocava e que recebia. Da outra, lembro o olhar mais fechado, medindo o que a rodeava, auscultando primeiro, para dignar-se a um sorriso depois. De uma lembro o gosto pelo estudo, o método e a organização. Da outra, lembro a rapidez de aquisição, a facilidade, mas o não tão rigoroso primor. De uma lembro a capacidade de análise e ponderação. De outra, lembro as escolhas rápidas, decididas e às vezes impacientes para o que não (lhe) interessa.
Sim, são diferentes como a água do vinho, a doce e a agridoce, disse-me uma vez alguém. Sim, daí o nome deste blogue, como já dizia aqui.
E sem razão nenhuma de especial, apeteceu-me hoje escrever isto, só de olhar para estas fotos...





É que às vezes, os clicks surgem assim, do nada.
Que a maravilhosa diferença que vos distingue nunca vos separe. E à vossa maravilhosa diferença e ao meu baboso coração de mãe, posso juntar mais o vosso irmão. A pitada de canela que me faltava, como esse alguém me disse também. 
Mas para esse, só para esse, valerá outro post... Inteirinho!

sábado, 31 de dezembro de 2016





12 PASSAS


Acho que o meu sentido prático de todos os dias, faz-me viver as datas e as coisas com isso mesmo, um sentido prático, despido de pompas e circunstâncias que às vezes só atrapalham. Assim, tenho alguma dificuldade em encher de solenidade datas como as de hoje, fazendo retrospetivas exaustivas do que foram os dias para trás deste (esquercer-me-ia decerto de alguma coisa importante e que chato seria isso...) e elencando desejos e anseios para os dias que se lhe seguirão. Vivo o dia de hoje e pronto. Confesso até que o início de cada ano letivo, 1 de setembro, é para mim esse sim, o início de um verdadeiro novo ciclo de rotinas, movimentos, ritmos e atividades depois da longa e deliciosa anestesia de férias.
Mas pronto, não retiro completamente ao dia de hoje a carga que o calendário civil lhe dá e procuro vivê-lo com a festividade possível e rotineira. Até levo as 12 passas e beberico o espumante como manda a tradição. 
E assim, rodeada de amigos, muitos, e a confusão saudável e habitual, passarei a meia-noite e fecharei os olhos para num trago de 12 passas resumir todos os anseios possíveis e desejados para o novo ano. Será um momento rápido e nunca exaustivo, esse da meia-noite e sei que o resumirei a uma ou duas palavras sentidas cá dentro, determinadas e gerais para nelas tudo o que anseio caber, assim como sei que uma onda suave de nostalgia me vai passar pelo pensamento em flashes, porque me lembrarei do Nuno e do meu pai, porque os quereria ali perto de mim, porque a lágrima fácil disso me lembrará, porque sou assim e não há nada a fazer e porque não sou completamente imune a estes determinismos de calendário que nos incendeiam o coração.
Mas também sei que estarei com este coração cheio e agradecerei todas as graças do ano que acaba e pedirei todas as outras para o ano que começa e que desconheço. E isto, contigo perto de mim, talvez até com a minha mão na tua, ou com a cabeça no teu ombro. Aí, nesse momento caberá tudo aquilo que quiser sentir. Sem ser preciso mais nada. 
Há maior graça?

FELIZ 2017



 

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016




                                                                    


 -Cativar quer dizer o quê? - perguntou o Principezinho.                           
- É uma coisa que parece que toda a gente esqueceu- respondeu a raposa. -Quer dizer criar laços...                                                             
In, O Principezinho





CRIAR LAÇOS 


-Mas gosta, sim, acredito que goste. Mas quando se gosta, isso por si só não basta. Exige também algum esforço, alguma atitude da nossa parte, se não, é um gostar egoísta, é como que desequilibrado. De que importa o gostar se depois não se acompanha isso com atitudes de complemento, de atenção, se não há um esforço para regar esse gostar? Mesmo que seja um esforço pequenino, proporcional àquilo que podemos dar?
Acenava, concordando.
Esta conversa com ela fez-me pensar em tantas relações que existem assim. Relações variadas, entre pessoas variadas, pautadas por vínculos preciosos que ligam as pessoas entre si. Tantas relações que são egoístas, desregradas, calculistas, de certo modo. Gosta-se, mas desde que isso seja fácil, sorridente, descomplicado. Gosta-se desde que isso não exija esforço nenhum, gosta-se num mundinho confortável de zona de conforto bem definida, onde aquilo que passa a fronteira X e Y já não cabe nesse GOSTAR, porque dá trabalho, porque incomoda, porque chateia.
Pois é... E assim se vai vivendo, acreditando-se piamente que se gosta e que se faz tudo por esse gostar. E às vezes quase nos convencemos mesmo de que estamos certos, certíssimos, numa sobranceria egoísta que nem nos faz pensar. 
E é importante termos consciência disto, assim como é importante sermos verdadeiros nas relações, dizermos o que pensamos, não abdicarmos do que nos é essencial, termos uns afetos transparentes e sinceros. Afetos sinceros. Afetos transparentes. Afetos saudáveis. 
É que um gostar a sério é isto, sabias? Esta mistura de verdade e transparência, transparência e verdade. Se assim não for, gosta-se a brincar, só. E não ficamos equilibrados, acho eu...

P.S. E estas coisas do GOSTAR aplicam-se a todas as relações na vida que quisermos criar... a todos os laços que quisermos unir... e isso é a parte mais gira. 

terça-feira, 20 de dezembro de 2016




PRAZERES

Andava no quinto, ou sexto ano, já não sei bem. Lembro-me da escola exata em que era e por isso sei que só pode ter sido no quinto, ou no sexto ano, pois foi nessa altura que andei nessa escola. Lembro-me da sala onde tínhamos a disciplina de Português e lembro-me da Biblioteca de Turma que fazíamos. Qualquer coisa como um sistema de papelinhos onde escrevíamos o nome do livro que nos era atribuído e a responsabilidade que tínhamos depois de o comunicar à turma, de forma oral, expressiva, por palavras nossas. Não sei já precisar muito bem como fazíamos, penso que era rotativo, este sistema e lá íamos nós ficando viciados no livro a ler e a transmitir depois à turma. Não sei se a periodicidade era semanal, quinzenal, ou mensal, já não me lembro. Lembro-me bem da professora e do entusiasmo que punha nisto, de como nos arrastava para esta paixão pelos livros. Não me lembro de todos da turma, não me lembro se esta adesão era de todos, ou só de alguns, mas lembro-me do MEU ENTUSIASMO. De como desejava que aquelas aulas chegassem e de como devorava os livros que me eram atribuídos. Assim como me lembro da coleção dos CINCO que eu e o Nuno fizemos, comprando os livros à vez, com as nossas "semanadas". Assim como me lembro da coleção da Condessa de Ségur que devorei na infância, da PATRÍCIA, um pouco mais tarde e de tantos e tantos outros que me ficaram na memória. Até hoje. Esta paixão nunca mais acabou. Este formigueiro, esta agitação para ir ler a história, para estar sozinha com o livro, para desfrutar deste prazer individual e tão único que um bom livro me dá. Esta escapadela para ler mais um capítulo, este acompanhar das personagens, este beber da mensagem, filtrando, absorvendo para mim, construindo conhecimento, selecionando informação.
Talvez tenha tido a professora certa na idade certa, o livro certo, no momento certo, talvez tenha vivido numa altura em que, não havendo tantos focos de dispersão como há hoje, a leitura tenha assumido o seu pleno papel, talvez tenha nascido assim com este gosto já... Talvez. Mas o que é certo é que é um prazer do caraças, este, fogo...



P.S. E agorinha vou ali ler mais um capítulo ou dois, que não resisto. Por isso é que é um tormento levantar-me cedo de manhã...
Pois... prazeres!

terça-feira, 13 de dezembro de 2016



E PORQUE...

https://www.facebook.com/carlos.ferrinho.9/videos/1393930367304093/

E porque no final de diazinhos difíceis e intermináveis, o melhor que tenho és tu, são vocês.
E porque no meio de tarefas que não acabam, enfastiantes e chatas o meu pensamento voava para ti, que fazes anos.
E porque é isto que faz sempre um coração de mãe.
E porque o segredo de muitos dias é este: dar-lhes na mesma sentido, mesmo quando as horas não correm como queríamos.
E porque a felicidade pode estar assim, metida em dias difíceis.
E porque há 19 anos que preenches a minha/nossa vida de forma tão plena.
E porque tenho tanto orgulho na menina/mulher que és.
E porque és uma filha querida que me ajuda a ser mãe.
E porque te amo daqui até à lua.
E porque, não podia deixar de vir aqui hoje, nos teus anos, escrever-te.
E porque adorei o vídeo que o papá fez.
E porque não resisti a pô-lo aqui.
E porque...

É isto...

LUV U.



segunda-feira, 5 de dezembro de 2016





"MAMÃZICES"

Tens uma maneira de falar que é muito agradável de ouvir, quando tens tempo e quando estás "virada para a conversa". Expressas-te muito bem e tens uma capacidade de análise apurada, que te faz ser eloquente e lúcida. Para além disso, és organizada e ponderada. Revejo-me um pedacinho em ti, nalgumas coisas, que a senhora genética, aproximou-te mais do lado paterno que do meu, é certo, mas revejo-me sim, na expressividade e simpatia que julgo, serem tuas imagens de marca, na maturidade e discernimento. E depois, és especial, acho eu, como acharão certamente todas as mães do mundo, de todos os filhos que tenham. E hoje, não são para aqui chamados os defeitos que, na graça de Deus, também tens, como eu.
Os teus irmãos enchem a casa e povoam-me ao seu jeito avassalador, barulhento e ENORME (neste momento, a tua irmã estuda Filosofia, em voz alta, no quarto e o teu irmão canta - deve ler-se GRITA - no banho). Sinto-me uma mãe afortunada, pela saúde que todos têm, pelo quê de especial de cada um, pelo seu jeito, a sua forma, pelas coisas que vejo em cada um deles, pelo crescimento e rapidez com que a vida os/vos preenche. 
E esta segue, descontraída e apressada, os dias surgem uns atrás dos outros, sempre agitados e cheios de coisas para fazer. Vivo de coração cheio e sinto-me descontraída e pacificada com a tua ausência. Afinal, é uma ausência relativa, suavizada por duas horas de distância e por Skipes e outros que tais
que nos ligam a uma rede de proximidades diárias. Depois, também não sou uma-mãe-muito-lamechas-acho-eu, mas tenho saudades tuas, o que queres e isso, acho que vou sentir sempre... de cada um de vocês, sempre que saírem de perto de mim. Afinal, acho que vou ter sempre esta asa de galinha gorda ...



Um bj, princesa.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016






SELFIES PARVAS EM DIAS NORMAIS



O dia acordou preguiçoso, como eu acordo sempre quando posso dormir até tarde. Choveu bastante de manhã e o tempo passou-se por entre afazeres e preguiça doméstica. Tão boa, esta sensação de casa-e preguiça-e-preguiça-e-casa...
Não fizemos nada de especial no resto do dia, ou de deslumbrante, ou de inesquecível, ou de mágico, insólito, exêntrico. Não fomos a nenhum sítio hit, cheio de gente. Não fizemos compras de Natal. Não corremos atrás do relógio para cumprir compromissos parecidos aos que sempre temos. Não nos afogueámos em pressas sem sentido.
Não. O que fizemos foi tão normal, que corre o risco de ser desinteressante. Mas é esta normalidade que te devolve a mim, àquilo que conheço de ti, àquilo que gosto em ti, àquilo de que não prescindo.
E é desta normalidade que é feita a redescoberta que faço sempre: o amor precisa de toque e cheiro e dia-a-dia e conversas e risos e diálogos e projetos e zangas e perdões e sorrisos e expressões e de outras coisas normais e é assim e só assim, nessa normalidade, que ele sobrevive de verdade. 
Foi um dia maravilhoso.

P.S. A foto não é das melhores, mas o céu estava lá atrás de nós, azul e deslumbrante.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016





FOGO MÃE, ENGANEI-ME...

- Oh mãe, fogo... enganei-me! "Não vou poder, este "poder" é com O, não é? Eu sabia!
- Ai Pedro!!!! Claro que é com O!! "Puder", "se eu não puder" é que é com U!!! Não acredito que escreveste mal...
- Pois! Escrevi...
Risadas... Minhas e dele... 
Acrescentei: -É um erro muito comum, mas é uma pena escrever-se mal... já sabes como eu sou com este assunto e pronto, já sabes o que eu acho: lês pouco, escreves pouco e isso treina-se, ouviste? Sabes o que o meu professor nos fazia?
-Sim, já sei... - e lá repetiu o que tantas vezes lhes conto. As "palavras difíceis" iam para casa como "deveres", ou TPC, como se diz agora e o que é certo, é que a fotografia da palavra ia ficando, devagarinho, colada a uma destreza ortográfica que íamos construindo. 
Têm hoje muitas outras competências, eu sei. Outras destrezas e capacidades "oleadas" por um acesso à informação e ao conhecimento que nós não tínhamos, mas o poder da sistematização, da leitura, do treino da capacidade de expressão oral e escrita, esses são intemporais.

Por isso, Pedrocas, ri contigo sim, do jeito rápido com que arrumaste este assunto. És parecido comigo, também no riso que fazemos de algumas falhas que temos e no registo "despachado" de muitos assuntos. Isso é saudável, faz-nos purgar erros e dar-lhes (SÓ) a importância que têm, mas que essa leveza saudável, não te faça retirar aos assuntos a importância que também têm e escrever-se sem erros é (quase) uma obrigação.
Tenho dito! 


P.s. E foi assim, com esta cara, que tudo se deu...


segunda-feira, 28 de novembro de 2016




PEDESTAIS


-Vais fazer um posto no blog, já sei... - disse-me meia a sorrir.
Pois! Já sabem como é e pelos vistos, lêem-me mais do que eu imagino...
E foi assim, num pedaço pequeno de tarde de sábado que lá fomos, vê-los a todos àquele Lar, numa etapa final de vida. Os olhares perdidos, a demência expressa, a limitação física, a extrema velhice de alguns, o abandono, a solidão no meio de tanta gente, mas também o contentamento de (quase) todos, por nos verem, por poderem sorrir para a nossa juventude, por nos ouvirem cantar, por cantarem connosco, por se sentirem queridos por um pedacinho. A mão que agarrava a nossa com vigor, a palavra que não se entendia mas que saía para nós, direta como uma flecha num comunicar que se queria fazer, mesmo sem se entender, o sorriso sincero que nos dirigiam.  E foi tão fácil e foi tudo tão simples. Sem preparações, ensaios de maior ou grandes antecipações. Só fomos e estivemos. De coração, acho...
Para mim, (e julgo que para nós todos... ) foi também a descida dos nossos pedestais de juventude e vivacidade, tão cheios de nós próprios, tão insuflados de certezas, tão sem tempo e com pressa e o confronto com uma realidade que nos rodeia: a da velhice e do abandono. 
O poder dar um pouquinho de mim, do meu tempo, do meu sorriso, da minha festinha na cara ou na mão, o poder inspirar humildade e gratidão que me eram devolvidas a cada instante, o ver que afinal é fácil agradar, se quisermos e pudermos. E podemos tantas vezes...
E estes exercícios de humildade têm que nos tornar melhores, a sério, fogo...
E aqui deixo a foto possível.



sexta-feira, 25 de novembro de 2016






A TUA VIDA

Daremos às datas sempre e só o que quisermos, assim como daremos às datas-que-não-são-datas, também o peso que quisermos. E é bom sermos assim senhores do nosso tempo e daquilo que queremos fazer e celebrar. Sem convenções parvas. Só porque sim e porque nos sentimos bem com isso.
E hoje esta data é especial, porque se celebra a TUA vida. 47 anos da TUA vida, que é um bocadinho nossa também.
Utilizarei sempre este blog como assento de notas de felicidade, apontamentos críticos, opiniões e reparos. Servirá sempre como folha de papel para passar para palavras coisas que sinto cá dentro e que não me importo de partilhar com a blogosfera, que é quase como dizer, com o mundo.
E hoje sinto-me muito grata por ti na minha vida, pelo projeto que temos juntos, pela serenidade e clarividência que me dás tantas vezes, pelo pragmatismo que alivia a minha tensão emocionada sempre, pela tua matemática que tempera a minha emoção, pela ideia de futuro que me/nos dás, pelos filhos que me deste e que eu te dei, pelo amor que me tens e que me estrutura, pelos momentos bons e maus que passamos juntos, porque junta é a nossa vida, pelo homem que sei que és, por aquilo que eu sei que também te dou e por tantas outras coisas que caberiam agora em 47 anos de vida, da TUA vida. 
E é tão bom essa vida ter um bocadinho de minha também.
FELIZ ANIVERSÁRIO, meu amor.

P.S. Não estavas sozinho nesta foto, mas cortei-a, porque hoje o dia é só teu...

terça-feira, 22 de novembro de 2016






PREGO A FUNDO

Precisei ontem de conduzir por metade do Algarve, na Via do Infante. O céu estava assim, naqueles fins de tarde maravilhosos, em que o céu se põe desta cor e em que olhamos para o horizonte e vemos esta púrpura maravilhosa. 



Estava sozinha e conduzia depressa. Aliás, tenho por hábito (mea culpa) conduzir depressa. Gosto de sentir o carro, de ouvir música e de descomprimir assim, embalada pela condução. Fez-me lembrar os tantos anos em que tinha que conduzir às meias horas para cá e para lá para ir trabalhar e o bem que isso me sabia, ao contrário da maioria das pessoas, que sentiam a condução como um fardo. O meu prego a fundo ajudava-me a mudar de registo, a passar de uns cenários vividos para outros a viver no momento seguinte, a descomprimir, a cantar alto, a não pensar em nada. Sim, ontem revivi essas alturas maravilhosas. 
Embalada por esta recordação pensei no bem que me fez andar de escola em escola nesses tempos: conhecer pessoas novas, perceber novas formas de trabalhar, aprender a questionar, apurar a intenção pedagógica que define procedimentos, relativizar aquilo que se julga já saber, crescer, crescer, crescer.
Pois é, todas estas sinapses passaram pelo meu pensamento ontem, enquanto conduzia, ouvia música e aí de prego a fundo... E o bem que isso me soube!

sexta-feira, 11 de novembro de 2016






NÚCLEO





E este será sempre o meu núcleo mais profundo. Aquele onde vou buscar sentido, mesmo sem me aperceber e aquele que me define como pessoa. Aquelas quatro existências que, a par da minha própria me compõem como se eu fosse uma peça de puzzle que só faz sentido se estiver completo. E para minha graça, está completo. E é cheio. E forte. E significante. E barulhento. E vivo. E bom.
E como alguém me dizia por estes dias... " só isso importa, Paulinha, só isso importa..."
Pois é...


P.s. Adoro estas duas fotos...