terça-feira, 22 de novembro de 2016






PREGO A FUNDO

Precisei ontem de conduzir por metade do Algarve, na Via do Infante. O céu estava assim, naqueles fins de tarde maravilhosos, em que o céu se põe desta cor e em que olhamos para o horizonte e vemos esta púrpura maravilhosa. 



Estava sozinha e conduzia depressa. Aliás, tenho por hábito (mea culpa) conduzir depressa. Gosto de sentir o carro, de ouvir música e de descomprimir assim, embalada pela condução. Fez-me lembrar os tantos anos em que tinha que conduzir às meias horas para cá e para lá para ir trabalhar e o bem que isso me sabia, ao contrário da maioria das pessoas, que sentiam a condução como um fardo. O meu prego a fundo ajudava-me a mudar de registo, a passar de uns cenários vividos para outros a viver no momento seguinte, a descomprimir, a cantar alto, a não pensar em nada. Sim, ontem revivi essas alturas maravilhosas. 
Embalada por esta recordação pensei no bem que me fez andar de escola em escola nesses tempos: conhecer pessoas novas, perceber novas formas de trabalhar, aprender a questionar, apurar a intenção pedagógica que define procedimentos, relativizar aquilo que se julga já saber, crescer, crescer, crescer.
Pois é, todas estas sinapses passaram pelo meu pensamento ontem, enquanto conduzia, ouvia música e aí de prego a fundo... E o bem que isso me soube!

sexta-feira, 11 de novembro de 2016






NÚCLEO





E este será sempre o meu núcleo mais profundo. Aquele onde vou buscar sentido, mesmo sem me aperceber e aquele que me define como pessoa. Aquelas quatro existências que, a par da minha própria me compõem como se eu fosse uma peça de puzzle que só faz sentido se estiver completo. E para minha graça, está completo. E é cheio. E forte. E significante. E barulhento. E vivo. E bom.
E como alguém me dizia por estes dias... " só isso importa, Paulinha, só isso importa..."
Pois é...


P.s. Adoro estas duas fotos...





quinta-feira, 3 de novembro de 2016





'BORA LÁ...




A crónica da Laurinda Alves, Desmotivadores militantes, no Jornal online OBSERVADOR, fez-me pensar. 
"Muita gente acha que ser verdadeiro é dizer absolutamente tudo e não guardar rigorosamente nada, esteja quem estiver. Nada mais demolidor." (...)
Pois é...
O desafio que sinto é o de conseguir encaixar estas verdades descritas, diariamente, a toda a hora, mantendo os níveis de motivação em alta, ou média, utilizando repetidamente aqueles filtros que criamos para sugar só o que importa e rindo, rindo muito, que dizem ser sinal de inteligência. 
Isto sei que só depende de mim e isto sei, fará toda a diferença.
'Bora lá...

sexta-feira, 28 de outubro de 2016





LEMBRETES

Nem imaginas o bem que me tem feito ver este lembrete saltitão que puseste no meu telemóvel e que de vez em quando aparece no ecrã principal e lá fica.
És terrível, tu... 
Tem-me sabido a mel, isto, nestes dias (mais) difíceis em que a descortesia, nos entra pela vida adentro e nos faz sentir assim como que extra-terrestres de uma galáxia diferente, só porque tentamos ser sempre corteses, delicados e simpáticos. É que acredito que atrás disto vem sempre a educação, sabes, e firmeza nenhuma nos é retirada por sermos assim.

Mas pronto, é a vida que temos, o mundo que temos, as pessoas que temos. Que, graças a Deus, vão sendo uma minoria ainda.
E quanto ao meu lembrete saltitão, tem servido para isso mesmo: adoçar-me a vida com aquilo que é mesmo importante e que dá sentido a tudo o mais e o resto. 
Thank you sweetie...



quinta-feira, 20 de outubro de 2016






E QUANDO...

E quando perco o chão é em ti que continuo a pensar, em busca daquela segurança que tu me sabes dar, mesmo sem te dares conta, dando-me chão, espaço e tempo para viver sem medos. Como se a minha (aparente) segurança só fosse completa contigo.
E quando me sinto cheia de tudo o que traz ruído, é do silêncio seguro do nosso amor que preciso, como se precisasse de voltar ao que é simples para tudo ganhar sentido. 
E quando os meus sentidos ficam cheios de informação que atordoa, é também  do riso simples contigo que tenho saudades, aquele riso dos 18 anos que nos caracterizava e, quero crer, nos caracteriza até hoje, nos dias bons. E por isso é ainda hoje bom rir contigo.
E quando o peso dos problemas me faz vacilar, é também do que já construi contigo que me recordo, como se esse fosse um dos rochedos seguros ao qual me quero agarrar. E agarro.
E sim, fica tudo um pedacinho melhor. A sério...




quinta-feira, 13 de outubro de 2016





DESCOMPLICAR

(continua a precisar-se!)

Uma amiga minha costuma dizer que Deus não nos dá nada que não possamos suportar. Acredito profundamente em Deus e acho piada à frase que retira algum fatalismo ao que nos vai acontecendo, acho, tornando-nos agentes na primeira pessoa da nossa história. Também nunca fui muito de matutar nas coisas. Acontecem e pronto! Acho que é o meu espírito prático (herança absoluta da minha mãe) e um interruptor de descomplicar que tenho. Acho sinceramente que é isso. Se assim não fosse tantas coisas seriam um drama e tantas coisas seriam muito mais complicadas do que são. Depois, o facto de ter três filhos seguidos, o meu percurso profissional em variadíssimas escolas, o contacto com tantos e tantas colegas diferentes e tantos e tantas formas de trabalhar, as minhas mil outras tarefas que tenho extra trabalho, a coerência entre o descomplicar e o manter o rigor e a seriedade (maior dos desafios, este!), acho que tudo contribuiu para um espírito prático apurado que me tem levado a filtrar e absorver (por esta ordem) só o que é necessário. E sou feliz assim.
E por isso me lembrei hoje deste post antigo e deste porto seguro com cheiro e cor dos meus onde chego todas as noites e que me ajuda a descomplicar e me estrutura como pessoa. 
Pois é! Há coisas que já não mudam... 



terça-feira, 11 de outubro de 2016




TEMPERO FORTE

Provavelmente vais odiar a foto que escolhi para este post, mas já estou habituada a que discordemos muitas vezes nestes assuntos de fotos e gostos. Gosto desta foto porque gosto do teu ar, senhora de si e sabedora das tuas verdades e certezas. Olhando em frente, determinada. É bom ser-se determinada e convicta. Dá-nos um tempero forte, isso e afirma-nos, às vezes, no meio de tanta gente sem sal. 
Sim, e hoje em que, por vários motivos, me lembrei tanto da cortesia, pensei em ti e quis dizer-te que, tudo o que temos vindo a conversar, sobre cortesia, educação, o sermos diferentes, elevados, especiais, vai obrigar-nos sempre a fugir da mediania, a procurarmos a diferença e a sermos elevados de espírito e de alma. Não é fácil, mas é o único caminho.
E com isto, princesa, não ficas menor. Antes ficas especial e maravilhosa e se a isso juntarmos esse teu ar, então serás irresistível.
LUV U!


domingo, 9 de outubro de 2016






PEIXINHOS DENTRO DE ÁGUA AZUL





Esta foto faz-me lembrar os almoços ao domingo, na casa da minha mãe, tua avó, onde fazemos selfies parvas e vocês ensinam a avó a instalar aplicações no telemóvel. Onde os primos brincam e nós, adultos, deitamos conversa fora. Onde se vêm, espalhadas pela casa, fotos antigas, minhas, dos meus irmãos e dos meus Pais. Onde se respiram afetos, numa família barulhenta que fala toda ao mesmo tempo. Onde se abraça a avó, quase a estalar-lhe os ossos. Onde se pode ser o nosso EU mais autêntico: barulhento, sincero, agitado. Onde a nossa raiz se afunda, para nos dar a segurança de sermos o que somos. Onde nos sentimos bem, porque parecemos peixinhos dentro de uma água azul. Onde ficamos de frente com uma receita tão simples para ser feliz.
Já o tinha dito aqui que a casa da minha mãe tem este duplo sentido. E que um simples almoço de domingo se pode transformar, se quisermos, numa coisa muito séria. 
E para ti, que agora que nem sempre lá podes ir connosco, sei que continuará a ter estes sentidos todos e mesmo à distância, te estruturará como pessoa, fazendo-te perceber que a simplicidade da vida e dos momentos pode dar-nos, às vezes, o mais importante. 
E eu, que sou tua mãe, te digo que isso é mesmo verdade...

quinta-feira, 29 de setembro de 2016





GOSTO TUDO DE TI...


Nunca li um livro do Lobo Antunes. Só as crónicas da VISÃO. Mea culpa, se calhar, mas de facto, nunca "colou" o tipo de escrita dele. A exeção única, foi o livro "D'este viver aqui neste papel descripto" - Cartas de Guerra -, da D. Quixote, 2007 (ver link), uma coleção das cartas (de amor) que escreveu à sua primeira mulher durante a sua comissão na guerra colonial em Angola, quando tinha 28 anos e da qual resultou agora a adaptação ao cinema, com o filme "Cartas de Guerra".
Lembro-me, desse livro lido há muito, sobretudo da intensidade do amor vivido à distância forçada, da necessidade de pautá-lo diariamente com um registo diário de saudades, feitos e desventuras, do papel e importância da escrita para registo de memória futura do tamanho das saudades, da ternura, do que se sentia e lembro-me também de uma expressão usada pelo autor, que era GOSTO TUDO DE TI.
Gosto tudo de ti. E este GOSTO TUDO DE TI substituía o GOSTO MUITO. E ele dizia-o sem parar, imprimindo ao que escrevia uma carga de sentimento que, me dizem, ser apanágio deste autor.

Esta expressão ficou-me na lembrança. Sim, lembro-me muitas vezes dela e uso-a também. Uso-a com a consciência plena de que é uma expressão feliz, porque GOSTO MESMO TUDO DE TI.  E isso sobrevive às vezes que me irritas, às vezes em que estou estou zangada, às vezes em que ficamos assim, longe um do outro com a carga dos dias a pesar sobre nós. GOSTO TUDO DE TI, porque apesar de tudo isso, dessas coisas do dia-a-dia de pessoas (e casais) normais, este gostar subsiste e enche-me a alma de forma plena.
GOSTO TUDO DE TI... acho que já te tinha dito!



P.S. Estamos bem mais novos nesta foto, mas claro, não se nota nada... 
 

terça-feira, 27 de setembro de 2016





SEM DRAMAS


A partir dos meus 13, 14 anos não me lembro de ir com a minha mãe às compras de roupa. Quando tínhamos de o fazer, ela marcava-nos um limite de podem gastar X e nós íamos aviar-nos, sem dramas, comprando ao nosso gosto, sem stress, com uma supervisão atuante, mas à distância, de uma mãe super prática. 
Acho que lhe herdei o espírito prático e ainda bem. Em tudo na vida tem-me sido de uma mais-valia suprema. Descomplica procedimentos, agiliza-os, torna-os responsabilidade maior dos próprios sujeitos e não faz colidir gostos pessoais.
Faço o mesmo agora com as minhas filhas: "- Meninas, o que vão comprar? Ok, hoje o plafond é de X..." e lá vão elas, satisfeitas e eu, espero-as, satisfeita também.
Há coisas que não se podem mudar. Feitios, paciências e maneiras de pensar. 
Continuarei a não ser uma mãe típica de adolescentes nesta área e elas continuarão a saber aviar-se sem mim colada atrás delas. É que estou lá, presente à mesma, atuante, opinativa, mas de forma mais indireta, cá atrás, sim, porque pedir-me para andar atrás delas de loja em loja e outra vez e mais outra e outra ainda, é como pedir-me para ir arrancar um dente. E isso nunca é agradável, acho eu. E também acho que deve ser mais ou menos esta cara que faço quando o tenho de fazer.




Lembrei-me que há 4 anos,  no primeiro post deste blog, já eu dizia isto!
Pois... Coisas que já não mudam!

Ah e P.S. Quando tenho de o fazer, faço-o, sobretudo quando sei e vejo que isso lhes é importante e faço-o sem dramas também, mas como dizia neste post antigo, elas já me arrumaram bem nas suas cabecinhas e eu agradeço-lhes!

quarta-feira, 21 de setembro de 2016





MALHAR EM FERRO QUENTE?
Valerá a pena?

(sempre achei que os ditados populares encerram sabedoria... da certa!)



Opá, não resisti a vir logo aqui escrever isto. Identifiquei-me completamente com o que aqui se defende.
Identifiquei-me com este projeto e com esta forma de trabalhar. Percebi a dificuldade de fazer passar uma mensagem à qual não é fácil aderir. Percebi a dificuldade de se arranjar uma equipa assim e de se poder, de forma sistémica, entrar na estrutura do ensino e mudar paradigmas. Percebi quanta coragem é necessária para isto, quantas adesões a esta forma de trabalhar, quanto empenho e "desbravar de mato" que se tem de fazer. Percebi, porque não sou ingénua, quanta sorte se tem de ter à mistura, para se conseguir "caldear" todos estas factores de forma favorável. Pensei nos meninos e meninas que conheço tão inteligentes, tão capacitados, mas tão desenquadrados, tão resistentes a aderir a este sistema antigo e desadequado de ensino, punitivo, espraiado em metas e competências que não lhe são significativas. Pensei em todos os meninos e meninas que podiam brilhar, cantar, dançar, pintar, na escola e que não o podem fazer, porque se desenha para eles um esquema de ensino balizado principalmente em algumas áreas e não noutras. Percebi a importância de se trabalhar com os Pais, com as famílias, trazendo-as e sobretudo, envolvendo-as com a escola. Percebi que tudo isto leva tempo, para testar, aplicar, maturar. E percebi que tempo, é uma coisa que quase já não há. Para nada. 
Mas pronto, gostei deste senhor diretor e desta escola pública. É a prova de que existe gente desta por aí. Sei que há muitos outros diretores, muitas outras escolas que quereriam poder aplicar também tudo isto e que não podem, não conseguem, não têm tempo, não têm o tal dado da sorte a ser-lhes favorável, não têm a equipa adequada. Eu sei... 
Mas, mesmo assim, quero louvar aqui a coragem deste e de muitos outros que conseguem. É que não podemos mesmo continuar a malhar em ferro quente! Há coisas que não funcionam mesmo e já todos vimos isso há muito...



P.S. Lembtrei-me desta foto de uma atividade de  Pré-Escolar , onde o IMAGINAR/SONHAR/RIR/ esteve tão presente...
TENHO TANTAS SAUDADES DISTO...

terça-feira, 20 de setembro de 2016






PALCO GIGANTE





Às vezes lembro-me desta foto e da ternura que me inspira. E hoje, passou-me pelos olhos...
Nunca tive uma irmã (tenho dois irmãos maravilhosos), mas esta foto inspira tudo aquilo que sempre imaginei que duas irmãs pudessem ser. Cúmplices, amigas, parceiras de confidências, leais, diferentes, sim, diferentes uma da outra, mas complementares no amor e na vida que possam partilhar. Porque o amor toma forma e é verdadeiro, mesmo na diferença. 
O mar lá ao fundo inspira-me ao futuro, reservado à sobranceria de quem não se revela, mas certo, certinho como um tiro que nos espera a todos. E o vosso abraço, inspira-me à ternura que espero que vos ligue sempre. Mesmo com arrelias, mesmo com irritações próprias de duas irmãs que são (muito) diferentes. Mesmo com diferenças de idade, de postura, de formas de encarar o mundo. Mesmo com espaços e tempos próprios de cada uma. É assim que deve ser. Um palco gigante onde os afetos subsistem e vos ligam. E eu, como vossa mãe, intuo que é assim que será. 

P.S. Juro que vou amarrar o Pedro e tirar-vos uma foto assim aos três!    

terça-feira, 13 de setembro de 2016



RISCOS NO CÉU

E agora pronto, é deixar-te voar e seres tu a fazer os riscos no céu. 
Cá por mim/nós ficamos cá por baixo a aquecer-te o ninho que continuará sempre a ser o teu. 
Bons vôos, princesa!!



P.s. Haja coração-plástico-de-mãe-que-tem-que-estar-preparado-para-isto... Ufa!!