quinta-feira, 16 de junho de 2016



SATURAÇÕES

 É mais ou menos assim que me sinto... Meia anestesiada e perdida no meio de algumas sensações de final de ano letivo, pico de trabalho burocrático na escola (como se torna esta parte o mais virtuosa possível, levando-nos a encará-la como potencial "melhoradora" de contextos de alguns alunos??? Isto ainda não descobri...), miúdos em casa quase todos de férias (exceto a mais velha, "hibernada" em época de exames), rotinas que se esfumam no ar, programas para aqui e para ali, típicos de quem já tem o cérebro noutra dimensão de onda, diferente ainda do cérebro da mãe, cansaço, muito cansaço e saturação de muitas coisas, que me fazem lembrar impiedosamente que estou a precisar de férias, também.
Enquanto elas não chegam e porque ainda tardam, lá terei que gerir esta anestesia meia cansada, valendo-me de alguns hobbies que tenho que me devolvem a sanidade mental.
Acho que é isto, por agora...
Vou ali ver mais um episódio de uma série, a ver se o humor melhora! 
É do demo, esta Netflix!




P.sNetflix é um provedor global de filmes e séries de televisão via streaming, atualmente com mais de 80 milhões de assinantes.
In- Wikipédia 

quarta-feira, 8 de junho de 2016




MAR DE PAPÉIS


Sinto-me sempre particularmente cansada nas retas finais de anos letivos. Já devia estar habituada, é sempre assim, esta sensação de exaustão (leia-se saturação) e de cansaço que me leva a ficar dormente e a arrastar tarefas, indefinidamente no tempo. Já sei que há remédio para isto, já me conheço e sei como é: pegar numa ponta e levar tudo a eito, sim, porque funciono sob pressão, muito melhor do que quando tenho o tempo todo do mundo a meu favor. 

Mas questiono, questiono sempre muito este mar de papéis em que todos os professores se vêm envolvidos nestas alturas, questiono-lhes a eficácia, a funcionalidade, a intencionalidade. Irão fazer melhorar as práticas educativas? Deveriam... Irão limar arestas e procedimentos em ordem a melhorar-se os desempenhos e promover-se o sucesso? Deveriam... Irão fazer-nos sentir melhor e mais acalentados para prevenir e acautelar práticas futuras? Deveriam... Aliás, esse é o fulcral em qualquer processo avaliativo. 
Pois... Pois...
Bem, se calhar não há remédio para isto, a não ser o fazer da melhor e mais cuidada forma aquilo que nos pedem, como se o rigor prestado nos purgasse do resto...
E com isto me fico!




terça-feira, 31 de maio de 2016





PALCO VIVO





Parece que hoje é dia dos irmãos, dizem...
Desses calendários, impostos, ou criados não sei, o que sei é que é a maior e melhor herança que vos deixo... Terem-se uns aos outros.

E nesse palco vivo de afetos, tropelias, zangas, amores e confidências, que é uma relação de irmãos acho que essa herança de se terem, será a melhor de todas, quero crer!

P.s. E aqui fica um post antigo em que falo disto mesmo...

sexta-feira, 27 de maio de 2016





FOCO



Às vezes penso se o que sinto por ti se reflete no dia-a-dia louco que tenho, na maneira que uso para falar contigo, nas coisas que te digo e nas que te quero dizer, no cansaço que tantas vezes impera. Às vezes questiono se rego o suficiente este amor, se sou extremosa como deveria, ao invés de tantas vezes insuportável. Às vezes questiono se o que sinto passará, pelos póros, para os miúdos, assim como um ar que se respira pela casa e que os fará ter-nos como referência para ideias e vidas que possam construir no futuro. Às vezes pondero se com tanta coisa que temos não poderemos perder o foco um do outro, afastando-nos e levando-nos para áreas comuns, mas habitadas só por um de nós. Às vezes penso que, como normais que somos, se não estaremos sujeitos a tudo isto que se chama desgaste e que este, pode tirar, sem sequer nos apercebermos a cor, o cheiro, o toque, o olhar, o tom, aquilo que é ÚNICO num e noutro e nos cativou. Às vezes penso que estas coisas e riscos são verdade também para ti e que também os deves sentir.
Às vezes penso em tudo isto, como se isto fosse um risco fatal que passa ali ao lado, um risco que marca o limite de um precipício e que fácil seria um pé em falso, um desvio, um entorpecer, para se, para lá dele, resvalar.
Seria fácil, decerto, mas não provável. Pela força da história que temos, pelos alicerces que construímos, pelo foco que não perdemos, pela cor, pelo cheiro, pelo toque, olhar e tom que ainda achamos únicos, no fundo, por ainda não nos termos perdido um do outro. 
Sim, continuas lá e acho que esse é o segredo. 
E para já, vai bastando, mesmo nos dias loucos de cada um.

LUV U.

segunda-feira, 23 de maio de 2016




AMOR E OUTRAS COISAS






Sim, não somos sempre mães de revista, ou de catálogo, com filhos perfeitos, ternos, maravilhosos, educados, polidos, convenientes ou de reação sempre correspondente ao que aprendemos nos livros de psicologia, ou nos manuais de papel, (ou de vida) de BOAS MANEIRAS.
Sim, estamos às vezes cansadas e saturadas e egoisticamente a precisar de mandar tudo às urtigas e de nos esquecermos que outros (filhos e não filhos) estão sempre a precisar de nós. Apetecia-nos assim como que dar uma escapadela para um sítio deserto, só connosco, as nossas neuras e mazelas, nem sequer com rede Wifi para contar a história a ninguém. Tínhamos o tempo como amigo, para gerir a coisa e deixá-la passar.
 Sim, os filhos são às vezes (também) focos de grandes irritações e arrelias. 
Mas também centros, autores, personagens, protagonistas, agentes e figurinos de uma grandessíssimo e eterno amor. E aí, contracenamos juntos e isso é maravilhoso. 
Acho que com isto ficamos redimidos!
Ufa!

quinta-feira, 19 de maio de 2016




DOÇURAS

E quando uma velhinha deliciosa de 97 anos nos entrega uma coisinha destas e nos diz que gosta muito de nós e que somos muito assim e muito assado? E quando o postal tem lá dentro uma pequena mensagem, escrita à mão, com uma caligrafia antiga e bem desenhada? De livro, mesmo...?
Pois... Cá por mim, fiquei-lhe rendida! Pelo encanto que tem, pela delicadeza, pela humildade e, sobretudo, pela cortesia de ainda se deter a pensar nos outros, mesmo com a idade que tem!
É que são 97 anos
BOLAS...


O postal tem andado no meu pensamento e na minha mala e hoje presto-lhe, finalmente, a devida homenagem!

quinta-feira, 12 de maio de 2016




DOSES INDUSTRIAIS




Coração apertadinho. Pela miséria, pelo desalento, pela falta de estrutura, pelas dificuldades, pelos afetos desregrados e não estruturantes, pela falta de apoio, pela falta do essencial, pelo desnorte. Coração apertadinho por sentir que não tem nada lá fora, nada de produtivo, nada de interessante, estimulante, motivador. Coração apertadinho por sentir que a referência maior ainda somos nós, escola. Coração apertadinho por perceber que tudo isto ACENTUA ainda mais os comprometimentos que tem, como se lhe toldasse e entorpecesse um caminho que tem que fazer. Coração apertadinho por isso nos aumentar a responsabilidade, mas por nos devolver também a motivação e o desafio. 
Sim, hoje experimentei estes relances, ao mesmo tempo que os atendia e os ouvia. Sim, as minhas sinapses cerebrais devolviam-me, em perpetiva, estas sensações, ao mesmo tempo que ouvia e comparava e imaginava uma vida assim.
Sei que há vidas assim. Sei que sim. Oiço-as e vejo-as e sinto-as perto de mim, em todo o lado, a toda a volta. E se esta certeza não me devolver, em doses industriais, a HUMANIDADE, CARIDADE e LUCIDEZ, esta para respeitar, encaminhar corretamente, esclarecer, ensinar e não cair só no ciclo vicioso da lamentação, então não sei, não sei mesmo...

É que a escola também é isto, a cada dia que passa cada vez mais e eu tenho que estar na escola TAMBÉM para isto, a cada dia que passa, cada vez mais...
Acho que por hoje é tudo...

sexta-feira, 6 de maio de 2016




DE GINJEIRA

Expressão originária de zonas rurais e atribuída àqueles que, tendo trabalhado conjuntamente na apanha, ou no furto de ginjas, conhecem-se bem (...).

A. Tavares Louro, 2006
CIBERDÚVIDAS






Metemo-nos as duas no carro e lá fomos. Era o dia aberto do curso que quer, numa das faculdades da Universidade de Lisboa. - Sim, vamos, enquanto lá estás, eu passeio por Lisboa há sempre coisas para ver.
Lá foi e esteve. Sei que gostou. Contou tudo ao pormenor, no registo que tem, lúcido e ponderado, com ares de adulta curiosa e expectante.
Enquanto por lá andei, sozinha, senti o pulsar da cidade, da correria, da chuva que não parava, senti o pulsar de um sítio grande, cheio de gente, senti que daqui a uns meses, poucos, ela estará por lá, apressada adulta, senhora de si e pronta a agarrar o futuro que quer.
Apetecia-me conservá-la perto de mim, debaixo da minha asa de galinha gordacomo dizia aqui , resolver-lhe eu os passos, tratar-lhe eu do futuro e mantê-la juntinho a nós, neste puzzle familiar que escolhemos e que tem 5 peças. 
Pois... mas não dá, não pode ser. A vida corre o seu curso e a asa tem que abrir e deixá-la sair. Não há volta a dar a isto e eu, com o espírito prático que procuro ter em tudo na vida, terei que ter para isto também. Sem dramas.

E por isso, foi um ar desenvolto, prático e despachado que pus na cara enquanto por lá andei. Embora adivinhe em mim uma nostalgiazinha teimosa que virá por antecipação, também, já sei, ou não me conhecesse eu de ginjeira!
POIS...



terça-feira, 3 de maio de 2016





ABRAÇO AO FUTURO





És o mais novo e, por isso, também aquele que ouve em terceira versão o que repito vezes sem fim lá em casa: reparos na maneira de estar, na delicadeza, no sorriso, na educação. Reparos na relação que deves estabelecer com os outros. Reparos no filtro que deves ter sempre para avaliar e ponderar. Reparos nos afetos que deves saber construir de uma forma e de outra, ou de outra. Reparos na humildade e saber estar em vários contextos. Reparos na cortesia que não tem prazo de validade, nem destinatário único. Reparos na responsabilidade e brio que deves educar, para cumprires, para aprenderes. Reparos na atenção a alguns pormenores que, sei, passariam esquecidos. Reparos na construção de uma personalidade que não se faz só com conhecimentos. Reparos, sem fim...
Não sei o dia de amanhã e, fogo, ainda bem, mas tenho que acreditar que alguma coisa te/vos ficará.
É que o melhor está mesmo ainda por vir e os abraços ao futuro, fazem parte do presente... mesmo no coração das mães!


domingo, 1 de maio de 2016





NADA DE ESPECIAL





E hoje apeteceu-me mudar a foto de capa do meu perfil. Só porque sim.
Lembro-me perfeitamente do dia em que esta foto foi tirada e será sempre uma das minhas preferidas. Era um domingo de sol de inverno, parecido ao domingo de primavera de hoje onde tirámos montes de selfies parvas, como tirámos hoje. 
Não, não pus nenhuma das que tirámos hoje e não, não fui ver nenhuma das milhares que tenho com os três quando eram pequenos. Foi esta, assim, num domingo solarengo em que o nada de especial que se faz em família se torna o tudo e o tão grande que nos enche a alma e que nos leva a relativizar q.b tudo o resto que se passe fora desta esfera. Fogo! Ainda bem que se relativiza...
E assim se enchem baterias, a sério, com selfies parvas, domingos de sol, caretas para as fotos, e um nada de especial maravilhoso que fazemos juntos. Mesmo no Dia da Mãe.

'Bora agora comer caracóis?





terça-feira, 26 de abril de 2016




MODUS OPERANDI

"maneira de agir, operar ou executar uma atividade, seguindo sempre os mesmos procedimentos, como se fossem códigos"
-Wikipédia-





- 4ª-feira tratamos disso, ou - lembra-me isso daqui a uns dias, ou ainda, - eh pá, mas ainda falta tanto tempo para isso! Lembro-me destas respostas quando abordávamos o meu pai acerca de vários assuntos e lembro-me de como estas respostas me irritavam. Afinal, muitas vezes, eu queria uma decisão direta, rápida, imediata, que satisfizesse a minha ânsia de qualquer coisa que queria ver resolvida. Não havia cá a gestão da espera...
Hoje percebo que o cansaço do dia de trabalho o fazia responder assim, relegando para outras núpcias aqueles assunto que não era necessário responder na hora. Podia esperar e, à boleia da espera, arranjava-se espaço, tempo e disposição para a resposta acertada, completa e nunca esquecida. À boleia da espera, se mudava do registo do trabalho, para o da casa, dos miúdos, das coisas pessoais.
Às vezes, agora, as preocupações que tenho também são mais que muitas e os agendamentos de coisas para fazer, vão estando em listas de pendentes, estacionadas no cérebro, às quais vou dando palco, à vez. Tenho um modus operandi característico, que fui moldando à minha maneira de ser e às defesas que fui criando, para poder dar conta das várias frentes de ação que vou tendo por aqui e nas quais tenho diversas responsabilidades.
Já tenho dito que preciso de almofadas de tempo de descompressão, de profilaxia pessoal, para me manter à tona da água. Preciso da leitura, da corrida, da marcha, do filme e da série de eleição. Preciso do café com as amigas, ou sozinha, preciso da boa conversa, do filho e da filha e de mim sozinha, também. Preciso da escrita, deste blog e do mais que me faz sentir bem. Preciso do meu trabalho, bem feito, respondido e em ordem. Preciso que o cérebro se compartimente por setores, deixando-me gerir os timmings de ação de cada coisa.  
E por isso, também respondo muitas vezes aos meus:  - Só amanhã é que penso nisso. Fala-me depois, antes disso, nada feito."
E assim, à boleia da espera e dos timmings que sou eu que defino, me vou gerindo, não esquecendo, mas adiando para um tempo e hora propícios.
E acho que vou dando conta de tudo. Pelo menos, assim o espero. 
E afinal, sou mesmo parecida contigo pappy, mas isso, eu também já sabia.

quinta-feira, 21 de abril de 2016




MUNDO AO CONTRÁRIO


Esta rebate, rebate, rebate. Riposta, discute, argumenta. Com fervor e emoção. Como se tivesse todos os poros da pele direcionados para a explosão de fúria que tem que fazer sair e então, eles dilatam e ruborescem , a voz levanta-se, o gesto inflama. Pois... conheço bem este filme. 
E no meio do gesto inflamado, a lágrima, mais de teimosia contrariada, que de tristeza legítima. E depois, quando passa, vem a calma, o sossego, como a tal ventania de verão QUE FOGE DE NÓS, de que falo às vezes. E aí, pode entrar então, o meu papel de mãe que, mesmo não tendo sido protagonista do episódio que deu origem a este post, se sente sempre co-atuante no que se passa lá em casa. E agora com calma e com os poros, a pele, o gesto e a cor tudo de volta ao devido lugar. E por isso, a mensagem entra melhor, acho eu...

-É bom ser-se genuíno, disse-lhe, quando a apanhei. -É bom estarmos conscientes das nossas razões e afirmações e defendermo-las até ao fim, mas é importante também saber calar, aquietar a fúria, resguardarmo-nos do temporal dos sentidos, escolher o melhor momento, que será um pouquinho mais sábio e ponderado. Saber escolher o momento para afirmarmos a nossa razão. Ver-se-á muito aqui da nossa capacidade de inteligência emocional e esta, acredito cada vez, mais ser um dado essencial nos dias de hoje e um salvo-conduto para as relações que estabelecemos.
Sei que concordas e que guardas isto contigo. És uma miúda inteligente.
O que não te posso dizer (embora ache que tu também já sabes...) é que eu sou igualzinha a ti e que esta verdade que te transmito, norteia-me sempre, mas não impede que o génio expluda muitas vezes, sobrepondo-se à razão.
Pois... genes... Acho que eles explicarão isto. Que nos fique, no entanto, o ensinamento. Este, não tem prazo de validade, não achas?



segunda-feira, 18 de abril de 2016




EUREKA!






- Oh mãe, não contes nada a ninguém, ok?, ou - Oh mãe, sabes do papá? Estou farta de lhe ligar e nada... (Esclareça-se que o pai trabalha a 500 metros da escola de todos e eu, estou noutra cidade...) Ou ainda, - Oh mãe fala lá com o papá, a sério, faz lá uma forcinha...  - Meto-te uma cunha, é isso? Posso dar-lhe um toque, mas tu é que tens que falar com ele - respondo... E tantos, tantos outros exemplos.

Os meus filhos não podiam ter um pai mais amigo, mais presente e mais atuante nas suas vidas. Um pai mais imiscuído nos seus percursos, histórias e assuntos, um pai mais interessado por eles e respeitador dos seus ritmos e hábitos, mas pronto, um pai também que às vezes adquire, sem ele próprio saber como, este dom da invisibilidade, muitas vezes conveniente, calculo... Confesso também que às vezes o invejo, com aquelas invejas boas que mal não trazem nenhum. Naqueles dias mais cinzentos de cansaço, em que o olhar e os sentidos se nos toldam, em que só nos apetece fugir e viver anestesiados para o mundo, em que gostaríamos de ser estupidamente egoístas, amaciando um ego que é parvinho, parvinho, às vezes, mas que nos sabe bem, por pedaços...



Pois é, mas este MUM'S POWER torna-nos elásticas e depressa nos tira estes devaneios, ginasticando-nos para um filho e para outro e ainda para mais outro com as trinta mil solicitações que cada um tem e UFA, RESISTIMOS E CONSEGUIMOS E, EUREKA (!!) sem dramas e com a capacidade de relativizar exponenciada a mil.
E esta capacidade sei que é comum a (quase) todas as mães. E é por isso que ficamos menos invisíveis do que os pais, acho eu. Porque damos conta do recado ... E somos rápidas... 
E depois o bom, bom, bom é termos o pai ali, sempre ao lado, para, numa cumplicidade atuante e maravilhosa, agir connosco sempre em sintonia.
Sortes... Pois...